quinta-feira, 28 de junho de 2012

Spätzle com Goulash de... rabada?

Havia dias que eu estava com vontade de comer uma carne de panela, daquelas bem aromáticas, com muito molho e bem cozidas. Daí, vi na tv um cara fazendo pastéis de forno recheados com rabada. Pronto! Ou comprava o rabo do boi ou nada mais! Engana-se quem pensa que rabada é prato chinfrim. Entre as iguarias culinárias, é uma das carnes mais apreciadas para noites de gala ao redor do mundo. Portugal, Espanha, Inglaterra e França são apenas alguns exemplos de países que adotaram o rabo de boi como uma de suas carnes preferidas para grandes elaborações culinárias. Aqui no Brasil, a rabada chegou à mesa dos restaurantes através dos tropeiros das regiões Nordeste/Sudeste e carreteiros da região Sul. Conduzindo as comitivas, seja pelos sertões ou pelo pampa, esses homens costumavam fazer o guisado do rabo do boi para se alimentar ao longo do percurso. Minas Gerais foi o primeiro Estado a levar essa carne para suas panelas de barro dos restaurantes, preparadas em grandes fogões a lenha. E, já na década de 30, o rabo de boi era servido na maioria dos botequins de São Paulo. Hoje em dia, quebrando todos os tabus, é uma carne reverenciada pelos grandes chefs.


Pois bem, antes que eu me alongue muito: eu até queria fazer os tais pasteizinhos, mas J. procurava um desafio maior. Então, decidimos fazer o tal do Spätzle, que é uma massinha caseira, alemã. Geralmente o Spätzle é servido com o Goulash, que é um cozido de carne (músculo, na versão tradicional), com bastante molho. Unimos uma coisa à outra e lá fomos nós modificando a receita original e criando um Goulash de rabo de boi, que seria um ragu de rabada com outro nome. A preparação começou um dia antes, com a carne (cortada em rodelas) sendo colocada para marinar com os seguintes temperos:

1 cenoura picada;
1 alho-poró picado;
1 cebola picada;
3 dentes de alho grandes picados;
300 ml de vinho branco seco de boa qualidade;
tomilho;
alecrim;
sálvia;
pimenta-do-reino;
louro.

Em uma bacia de plástico com tampa, colocar a carne e todos os ingredientes. Tampar e deixar marinando na geladeira até o dia seguinte (entre 12 e 18h).

Passo a passo para a preparação do ragu:

Após marinar a carne de um dia pro outro, retire-a da marinada e coloque apenas os pedaços para fritar em uma panela funda. Acrescente uma cebola e dois dentes de alho, quando a carne já estiver selada. Deixe dourar. Neste momento, acrescente toda a marinada na panela. O aroma na cozinha será incrível!






Deixe secar um pouco e acrescente água fervente. Agora, a carne precisa amolecer. O processo é lento. Em fogo brando, vá cozinhando a carne, sem deixar secar (sempre acrescentando água já quente). Entre 2 horas ou um pouco mais de cozimento, a carne estará amolecida, então retire todos os pedaços da panela (sem desligar, o molho deve continuar cozinhando) e desfie a carne, separando-a dos ossos. Em seguida, separe toda a parte sólida do molho (os pedaços de cenoura, alho, cebola e folhas devem ser retirados da panela) e deixe apenas a parte líquida. Nesse momento, volte apenas a carne já desfiada para a panela e descarte a parte sólida do molho. Use uma lata de tomates pelados para aumentar o molho, acrescente sal, páprica picante e corrija os demais temperos. Deixe ferver. Acrescente salsinha picada e desligue. Está pronto.

Passo a passo para a preparação do Spätzle:

3 ovos;
200 ml de água;
500g de farinha de trigo;
sal;
noz moscada.

Em um bowl, misture os ovos, a água e os temperos. Vá acrescentando a farinha aos poucos, até dar um ponto mais consistente do que uma massa de bolo (a massa vai formar uma liga, você vai puxá-la do bowl como se ela fosse um chiclete mole. Esse é o ponto). 


Bem, na cozinha alemã há um instrumento específico para dar formato à massinha, que é esse aí da foto:

Foto retirada de:
http://rodrigues-peters.com/mu/autora-br/2008/02/04/spatzle/

Como nem sempre é fácil encontrar esse tipo de instrumento ou a gente usa tão pouco que não vale a pena comprar, temos a opção de colocar a massa em um espremedor de batatas, por exemplo. Achamos que o nosso espremedor tinha furos muito pequenos, então inventamos outra técnica (é só ter criatividade ao olhar para os instrumentos da sua cozinha): usamos uma escumadeira mesmo. Desde que tenha furos um pouco maiores, até um ralador pode ser usado para fazer as massinhas.

Coloque uma panela com 2l de água para ferver. Quando estiver fervendo, adicione um fio de óleo e comece a jogar a massa dentro dela. No nosso caso, foi assim: eu colocava duas colheres de sopa da massa na escumadeira sobre a água quente (não colocar a escumadeira com a massa dentro da água, por favor) e ia mexendo a massa com uma colher, as gotinhas iam caindo na água quente e formando as massinhas cozidas. Quando elas boiam na água é porque estão cozidas. Vá retirando da água e reservando em uma tigela. Enquanto ainda está quente, coloque uma colher de manteiga sobre a massa cozida, para que ela fique brilhosa e macia.


Agora, é só servir! Para companhar, fatias de pão italiano são muito bem-vindas. E um bom vinho tinto, é claro!



A todos, bon appétit!

PS: para mais informações sobre todo o processo, assistam aos vídeos do youtube, indico esse aqui apenas para verem o ponto exato da massa.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Cantina Sangiovese: o espaço "vinho e arte" mais premiado de Floripa


Cantina Sangiovese - Santo Antônio de Lisboa - foto retirada de:
https://www.facebook.com/media/albums/?id=100002362842580

Ontem foi meu aniversário. Uma data que eu adoro, principalmente porque tive a sorte de encontrar alguém muito especial para dividir comigo o dia mais romântico do ano. Eu sou do tempo em que era normal nascer de... parto normal, então chegar ao mundo no Dia dos Namorados não foi nada planejado pela minha família. Foi meu instinto de artista pedindo pra nascer. É claro que se eu fosse solteira ou mal casada, na minha atual idade, essa data correria o risco de ser a minha tristeza hehehe! Mas é impressionante a força que as coisas têm quando elas vão acontecer, como diriam os fatalistas. E aqui estou, nascida no dia 12, vestida com meu Amor, cheia de sonhos e desejos que vão se realizar nos próximos 100 anos que ainda devo ter de vida! E a melhor parte de qualquer aniversário são as comemorações. Desde os parabéns das pessoas que realmente gostam da gente e querem fazer parte da nossa vida de forma saudável, até as surpresas que a gente descobre guardadas pra nós... e ontem foi assim! Não vou contar tudo, mas como o blog é sobre comida, vou falar rapidinho como foi meu cardápio do dia, antes de partir para o que realmente importa: a descrição do nosso jantar num lugar muito especial de Floripa. 
Bem, acordei com uma bandeja de torradinhas, iogurte e chocolate que a filha me preparou antes de sair correndo pra escola (um carinho que só eu sei o quanto foi enorme, visto que ela sempre sai em cima da hora), depois veio outra bandeja de café da manhã do marido (croissant, ovo mexido com trufas, suco de laranja - que ele sabe que é o meu preferido para o desjejum - e meu café americano de todas as manhãs). O almoço em família foi à beira-mar, num recanto sobre o qual eu ainda quero escrever melhor numa outra oportunidade. E o jantar - agora sim - de extremo bom gosto, foi para casais apaixonados, na Cantina Sangiovese, um espaço na histórica freguesia de Santo Antônio de Lisboa que reúne uma galeria de artes, uma excelente carta de vinhos (dividida por regiões e especificidades das garrafas) e uma cozinha que fabrica a própria massa - essa sim, uma pasta de qualidade na Ilha! O idealizador do espaço, Helton Costa, foi eleito o chef do ano pela Veja Comer & Beber Santa Catarina - 2011/2012. E não é só isso. A Cantina também levou os prêmios de Restaurante revelação e Melhor carta de vinhos, tornando-se grande destaque entre os atuais restaurantes de Floripa.
Tinha como não conferir? Lá fomos nós. Como era uma noite especial, havia um menu degustação para os casais que quisessem optar por tal serviço. Com entrada, prato principal e sobremesa, a comemoração sairia R$85,00 por pessoa (sem bebida). Pedimos o cardápio da casa e vimos que todos os pratos serviam 2 pessoas, sendo o mais caro deles em torno de R$130,00. Optamos, então, por bruschettas de parma (R$18,00 4 unid.) como entrada. Na nossa opinião, ficou claro que o chef quis agradar ao paladar do brasileiro e cometeu o pecado de fritar o pobre parma, que ficaria muito mais saboroso se fosse servido cru num pedaço de pão, com uma base de tomate. Ponto. A foto não ajudou muito, porque eu quis focar o detalhe impresso no prato, mas aí vai:


Como prato principal, pedimos o que consideramos o casamento perfeito da noite - fora o nosso, é claro =) - fettuccine de manjericão com paleta de cordeiro (R$86,00), de comer rezando - atentem para o charme da travessa onde nos serviram o fettuccine!


Entre os 180 rótulos disponíveis na casa, escolhemos um Boscarelli de Ferrari, Toscana (IGT 2008). E eu não vou poupar elogios à elegância desse vinho. Suculento, com toque de frutas como amora e cereja, uma ponta de violeta e um tanino bom no final. Harmonizou bem com a carne de cordeiro. No total, além de duas garrafas de água com gás e sem a sobremesa, que dispensamos como quase sempre, pagamos R$238,00. Justo, eu diria!
O lugar, além do toque romântico impresso pelas obras de arte espalhadas por todo o restaurante e a iluminação de vila antiga, oferece estacionamento próprio, cobra R$30,00 de taxa de rolha, tem acessibilidade, é um bom lugar para ir com crianças e aceita os principais cartões. Para mais informações, procurem a edição da Veja a que me referi anteriormente, ou acessem a página do Facebook da Cantina, aqui!
Sem dúvida, nós indicamos!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Gaspacho - a sopa refrescante

Ontem eu comprei alguns pães bem interessantes. Sabia que o ponto alto do jantar seriam eles. Então investi num prato leve, refrescante e bem fácil de fazer, que servisse de acompanhamento aos pães, apenas. Gaspacho. É uma sopa de tomate fria, originária da Espanha, muito comum também em Portugal e no México, onde as pessoas costumam consumi-la no verão. Apesar de estarmos numa época fria aqui no Sul do Brasil, como essa sopa é feita apenas com vegetais, é excelente para os dias em que não queremos consumir muitas calorias antes de dormir. Tão simples que nem precisa de fogo.



Ingredientes para 2 pessoas:

4 tomates sem pele e sem sementes;
1 pepino japonês, sem casca;
1 dente de alho;
1/2 cebola;
1/3 pimentão vermelho;
1 colher (sobremesa) de açúcar;
1 colher (sopa) de molho de soja;
1 colher (sopa) de aceto balsâmico;
1/2 copo d'água;
azeite;
pimenta-do-reino;
sal.

Bata tudo no liquidificador e leve à geladeira por meia hora. Sirva em copos ou xícaras, para que as pessoas bebam.

A todos, bon appétit!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Creme de mandioca e bacon



Por esses dias, a Vanda (que mora lá na Austrália), trocou uma receitinha com a gente pelo FB e eu fiquei com uma vontade danada de testar, porque a foto era linda demais. E eu não estava enganada, ficou uma delícia! Então, aqui vai a minha versão do creme de mandioca com bacon (eu segui rigorosamente a receitinha dela, por isso copiei e colei os ingredientes e modo de preparo para vocês). O creme de leite eu coloquei meia caixinha e ainda acrescentei, junto à manteiga na primeira etapa, um pouco de azeite. Olha a receita da Vanda (beijo, sua linda!):


½ kg de mandioca;
2 colheres(sopa) de manteiga ou margarina;
1 cebola picadinha;
250g de bacon picadinho;
sal, alho e pimenta-do-reino a gosto;
1 colher(sopa) de salsinha e cebolinha verde picada;
2 colheres (sopa) creme de leite fresco, ou creme de leite normal.

Modo de Preparo:

Coloque 1 colher(sopa) de manteiga numa panela e leve ao fogo médio. Adicione a cebola, o bacon, o alho e os pedacos de mandioca, deixe refogar por alguns minutos. Acrescente a água e tampe. Cozinhe até que a mandioca fique macia. (ela cozinhou na pressão- 10 minutinhos).

Bata tudo no liquidificador.

Tempere com sal e pimenta-do-reino.

Cozinhe em fogo baixo, sem tampa, até que engrosse.

Adicione o creme de leite fresco, a salsinha e sirva a seguir.



Para acompanhar, aqui em casa usamos pão italiano. Hummmmm!


A todos, bon appétit!