segunda-feira, 26 de março de 2012

As pequenas raposinhas...

O Beijo (Gustav Klint, óleo sobre tela, 1907-1908)

"Apanhai-nos as raposas, essas pequenas raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor" (Cântico dos Cânticos). Foi sobre este trecho do Livro Sagrado do Cristianismo que um certo padre começou um discurso sobre o casamento que me chamou muita atenção, ontem, no Fantástico
E o que eu achei interessante, mas tão interessante, que me fez vir até aqui abrir esse parêntese entre as minhas panelas? É que, primeiro ele falou de um dos livros mais lindos do Antigo Testamento, que resume muito bem os corações dos amantes: alegria, conflito, perplexidade, entrega... depois, porque em uma interpretação mais livre do trecho, as raposas são todos os perigos de um casamento, mas todos esses perigos estão reduzidos a um diminutivo plural (pequenas raposinhas), que torna tudo tão pequeno diante da grandiosidade de vinhas em flor - de um sentimento tão verdadeiro e intenso entre os amantes, que está vivo e cada vez mais vivo, pois está dando frutos.
Pessoas, não se enganem: problemas, todos temos. E, quando deixamos que mãos de mais mexam nossas panelas, alguma coisa sai do ponto. Mas, a ninguém é dado o direito de apontar para sua casa e dizer que ali não vive gente feliz, quando quem aponta não vive (nem convive) ali. E que aponte os dedos para sua casa quem vive em perfeita harmonia, longe de todo e qualquer problema, intocável. As raposinhas, se entram em nossa casa, entram porque deixamos as críticas alheias (vindas do ciúme e da inveja) terem livre acesso em nosso lar. E, da mesma forma que entram, devem encontrar também a porta aberta para sair. Não devemos nos fechar em companhia das raposinhas em nossas casas. Porque aquilo que não nos faz bem, que se vá. A grande mágica do casamento é não levar os problemas para o leito, como na pintura de Klint, onde homem e mulher são casal, um só, no singular, completos em seus lençóis. Amém!

A todos, bon appétit!

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