sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Air France - tragédias não acontecem apenas no ar!


Foto retirada de: conexaoparis.blogspot.com

Fui e voltei. De Air France. Sabendo do meu medo de voar por essa companhia, o marido retirou minha passagem em classe executiva, para que eu pudesse aproveitar melhor o tempo de voo e desestressar um pouco. Ele fez o que estava ao alcance. Tinha milhas, queria que eu o encontrasse na Espanha, resolveu tirar férias ao ser avisado que ficaria mais tempo pela Espanha do que o previsto. Tudo estava organizado para irmos, inicialmente, para o Egito. Iríamos juntos, voltaríamos juntos. De repente, a surpresa de ficar mais uns dias na Espanha e precisar adiar a ida ao Egito. E o que deveria ter sido férias adiadas, virou mesmo férias antecipadas... e lá fui eu para a viagem de todos os medos: atravessar o oceano sem ele, de Air France, fazer conexão num país de idioma que não domino, achar o portão de embarque num aeroporto com mais de 8 terminais, enfrentar imigração na zona do Tratado de Schengen sozinha (sendo mulher - há tantos relatos esquisitos...). Na ida, tudo certo. Um barulho, para mim estranho, na turbina me tirou o sono e a paciência, fazendo-me ouvir Norah Jones no repeat pra me sentir mais perto das coisas de casa (novela do Maneco, pen drive com as músicas do nosso carro, conversas com o marido). Cheguei com cara de cansada, mas o coração sossegado e um certo ar de vitória por ter dado conta do recado.  Viagem maravilhosa, lugares incríveis, a melhor companhia que a vida me deu, muitas histórias pra contar... e a volta! Ahhhh, a volta! Totalmente relaxada, consegui aproveitar tudo o que a classe executiva me ofereceu. Desde os mimos de canapés e champagne, sorvete Häagen-Dazs a toda hora, água Perrier até o excelente Bordeaux nas refeições elaboradas pelo chef Joël Robuchon (com direito a vieiras, foie gras, medalhões de vitela, camarões, manteiga Président). Viajar de executiva é realmente uma experiência a mais, além da viagem. Faz a diferença! Isso que não chegaremos, mesmo com todas as milhas que ele junta, a nos atrever a uma primeira classe: seria ou ele ou eu! E o gostoso é que viajem os dois! Dizem - eu nunca vi - que na Emirates (isso sim é uma companhia aérea de respeito) tem até cama de casal na classe top! Mas, eu estava bem servida com a cadeira da executiva, que até massagem faz!
Eis que a Air France mostrou porque há um livro chamado La face cachée d'Air France, escrito por um jornalista do Le Figaro, Fabrice Amédéo, que relata trágicos casos nos bastidores da companhia, inclusive sobre questões de segurança das aeronaves (para saber mais, clique aqui). E a Air France não me deixou saída, a não ser concordar com tudo o que ouço sobre ela: na minha volta, não apenas tive a mala extraviada, mas quando ela chegou até mim, 3 dias depois (e eu ainda tive que fazer a retirada no balcão do aeroporto, porque me pediram um prazo de 48 horas, após ela chegar na minha cidade, para trazê-la à minha casa), estava violada, com o zíper arrebentado, o extensor inutilizado porque foi amassado e ainda amarrada com uma fita adesiva e um plástico branco da KLM, outra cia (parceira da Air France). Quando conferi os itens, para minha surpresa, o maior prejuízo foi mesmo a mala, pois quem a abriu, tirou apenas produtos comestíveis (como uma lata de páprica doce que o marido havia escolhido com tanto cuidado, alguns produtos industrializados como anchovas em lata e amêndoas comestíveis), além de um protetor solar facial que já estava em uso. As roupas vieram na mesma ordem que eu as havia guardado (o que significa que a mala não foi aberta por um incidente, pois esses produtos estavam no fundo da bagagem, envoltos em uma sacola de plástico... a sacola permaneceu na mala, com outros produtos dentro dela, tudo na mesma ordem em que eu deixei - foi má fé mesmo). Há agora um processo aberto para que a empresa nos indenize principalmente sobre o valor da mala que, diga-se de passagem, era nova e foi comprada exclusivamente para a viagem, e ainda que se retrate formalmente pelo inconveniente causado.
Bem, mesmo com todo esse quiproquó, terminamos o ano por aqui, esperando que os produtos levados da nossa bagagem possam fazer o Natal de alguém mais feliz, desejando sempre o bem - porque a gente só dá aquilo que a gente tem, em qualquer ocasião... algumas vezes a gente também dá o que a gente recebe dos outros e, mais uma vez temos muita sorte em receber mais coisas boas que ruins, receber mais gente do bem do que os que nos querem mal... e mesmo aos que nos querem mal, deixamos aqui nossos desejos de que a luz do Natal possa iluminar seus corações, a fim de torná-los sempre melhores, porque o que a gente deseja de ruim, volta a galope! E quando alguém aponta um dedo na direção do outro para julgá-lo, aponta mais 3 dedos em sua própria direção.
Queremos agradecer também pelo blog estar crescendo em número de acessos, pela fidelidade dos amigos queridos que sempre deixam seus recadinhos por aqui e vamos avisando que 2012 estará cheio de novos sabores e aromas. E eu espero mesmo poder ainda dar conta esse ano de escrever mais um bocadinho por aqui.

A todos, bon appétit!

Um comentário:

Ezilda Melo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.