sábado, 31 de dezembro de 2011

Barcelona de Babel

Parque Güell (1900-1914)

Sem dúvida alguma, Barcelona está entre as cidades mais cosmopolitas do Planeta. Pessoas de diferentes lugares do mundo procuram pelas ruas catalãs diversas formas de se entregar às paixões dessa cidade: há uma Barcelona para cada visitante. Cada um tem a oportunidade de descobrir algo novo e ou desfrutar de um pedaço dessa fruta. Cheia de bares que funcionam praticamente todo o dia, Barcelona é ideal para os amantes do copo. Mas é também um excelente lugar para fazer compras, para comer, para emocionar-se às margens do Mediterrâneo e, lógico, para renovar a arte nas veias. Engraçado como as pessoas se entendem em meio àquela loucura toda: a língua do lugar, estranhíssima (o catalão é uma mistura, não sei até que ponto proposital, de espanhol, francês e algumas palavras ainda muito parecidas com o português - talvez por ter sido outra língua a se originar do latim vulgar) convive em harmonia com diversos sotaques e diferentes nacionalidades o dia inteiro. Barcelona não para.
Como toda grande cidade, tem grandes problemas. Nós, que estávamos de carro, sofremos para estacionar (isso, aliás, é um problema em quase toda a Europa), mas no dia em que deixamos o carro no hotel para "enfiar o pé na jaca", quase fomos surpreendidos por um metrô que encerra suas atividades muito cedo. E, não fosse por eu estar muito cansada, teríamos perdido o último trem ainda cedo demais (sem saber, pegamos o último... e só descobrimos ao desembarcar na nossa plataforma: havíamos usado o último metrô do dia).
Tínhamos pouco tempo para descobrir tudo sobre Barcelona, então resolvemos eleger a nossa: J. optou pela Barcelona dos grandes chefs (isso é tema do próximo texto). Eu queria conhecer a Barcelona de Gaudí. E assim dividimos nossos dias, entre pratos requintados e arquitetura fantástica. 
Gaudí está para a arquitetura assim como Jorge Luís Borges está para a literatura. Em seu conto Tlön, Uqbar, Orbis Tertius, Borges imagina uma sociedade secreta que forja uma enciclopédia por gerações, com a finalidade de inventar um planeta paralelo, com novo idioma, nova política, nova ciência, nova cultura consequentemente. Esse conceito fantástico de "novo" já havia sido inaugurado na arquitetura de Gaudí,  no final do século XIX, com suas construções que causavam perplexidade e incômodo dentro de uma sociedade que não estava preparada para a revolução que ele traria à concepção plástica. Obviamente, não vou me atrever a falar das inspirações de Gaudí por aqui (alguns dizem que ele traz muita influência gótica na sua obra, mas isso é só a ponta do iceberg), porque falo sempre das minhas impressões... e traçar esse paralelo entre Gaudí e Borges seja talvez o ponto mais importante para despertar a curiosidade das pessoas que entendem do que estou falando: a obra de arte alcançando seu objetivo através do espanto produtivo de quem a admira. Não apenas o ato de admirar. Mas fazer da obra um diálogo construtivo com outras formas de arte. E, como na literatura fantástica, o que à primeira vista realça em Gaudí o tom do grotesco, vai se moldando de forma tal a nos surpreender num segundo olhar por algo absolutamente visionário, como se estivéssemos num universo de sonhos, de pequenos fragmentos do inacabado de dentro de nós. 


Casa Batlló (1905-1907)
Casa Milà (1905-1907)














E, se você acha que isso tudo era novo demais para a época em que viveu Gaudí, visite o Museu do Prado e procure uma pintura tríptica chamada de Jardim das delícias terrenas, de Hieromynus Bosch (El Bosco, como ficou conhecido). Ela é datada de 1510-1515 e eu só vou dizer isso sobre ela por aqui...
Por fim, se você já foi a Barcelona, aposto que concordou em muitos aspectos com as minhas impressões. Se não foi, vá! Vá ao menos uma vez na vida, não importa quando. Porque a Barcelona da sua idade estará lá, esperando por você. Ela vai surpreender você, vai conquistar você e você nem vai imaginar o quanto ela ainda pode oferecer... há sempre uma Barcelona para ser conhecida e explorada pelo viajante. Eleja a sua... e não tenha pretensões de conhecê-la por inteiro!

K.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Feliz 2012!!!!

E, se ainda não fez, dá tempo!!!!


Porque o que importa é ser feliz com as pessoas que te cercam e te amam de verdade!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Air France - tragédias não acontecem apenas no ar!


Foto retirada de: conexaoparis.blogspot.com

Fui e voltei. De Air France. Sabendo do meu medo de voar por essa companhia, o marido retirou minha passagem em classe executiva, para que eu pudesse aproveitar melhor o tempo de voo e desestressar um pouco. Ele fez o que estava ao alcance. Tinha milhas, queria que eu o encontrasse na Espanha, resolveu tirar férias ao ser avisado que ficaria mais tempo pela Espanha do que o previsto. Tudo estava organizado para irmos, inicialmente, para o Egito. Iríamos juntos, voltaríamos juntos. De repente, a surpresa de ficar mais uns dias na Espanha e precisar adiar a ida ao Egito. E o que deveria ter sido férias adiadas, virou mesmo férias antecipadas... e lá fui eu para a viagem de todos os medos: atravessar o oceano sem ele, de Air France, fazer conexão num país de idioma que não domino, achar o portão de embarque num aeroporto com mais de 8 terminais, enfrentar imigração na zona do Tratado de Schengen sozinha (sendo mulher - há tantos relatos esquisitos...). Na ida, tudo certo. Um barulho, para mim estranho, na turbina me tirou o sono e a paciência, fazendo-me ouvir Norah Jones no repeat pra me sentir mais perto das coisas de casa (novela do Maneco, pen drive com as músicas do nosso carro, conversas com o marido). Cheguei com cara de cansada, mas o coração sossegado e um certo ar de vitória por ter dado conta do recado.  Viagem maravilhosa, lugares incríveis, a melhor companhia que a vida me deu, muitas histórias pra contar... e a volta! Ahhhh, a volta! Totalmente relaxada, consegui aproveitar tudo o que a classe executiva me ofereceu. Desde os mimos de canapés e champagne, sorvete Häagen-Dazs a toda hora, água Perrier até o excelente Bordeaux nas refeições elaboradas pelo chef Joël Robuchon (com direito a vieiras, foie gras, medalhões de vitela, camarões, manteiga Président). Viajar de executiva é realmente uma experiência a mais, além da viagem. Faz a diferença! Isso que não chegaremos, mesmo com todas as milhas que ele junta, a nos atrever a uma primeira classe: seria ou ele ou eu! E o gostoso é que viajem os dois! Dizem - eu nunca vi - que na Emirates (isso sim é uma companhia aérea de respeito) tem até cama de casal na classe top! Mas, eu estava bem servida com a cadeira da executiva, que até massagem faz!
Eis que a Air France mostrou porque há um livro chamado La face cachée d'Air France, escrito por um jornalista do Le Figaro, Fabrice Amédéo, que relata trágicos casos nos bastidores da companhia, inclusive sobre questões de segurança das aeronaves (para saber mais, clique aqui). E a Air France não me deixou saída, a não ser concordar com tudo o que ouço sobre ela: na minha volta, não apenas tive a mala extraviada, mas quando ela chegou até mim, 3 dias depois (e eu ainda tive que fazer a retirada no balcão do aeroporto, porque me pediram um prazo de 48 horas, após ela chegar na minha cidade, para trazê-la à minha casa), estava violada, com o zíper arrebentado, o extensor inutilizado porque foi amassado e ainda amarrada com uma fita adesiva e um plástico branco da KLM, outra cia (parceira da Air France). Quando conferi os itens, para minha surpresa, o maior prejuízo foi mesmo a mala, pois quem a abriu, tirou apenas produtos comestíveis (como uma lata de páprica doce que o marido havia escolhido com tanto cuidado, alguns produtos industrializados como anchovas em lata e amêndoas comestíveis), além de um protetor solar facial que já estava em uso. As roupas vieram na mesma ordem que eu as havia guardado (o que significa que a mala não foi aberta por um incidente, pois esses produtos estavam no fundo da bagagem, envoltos em uma sacola de plástico... a sacola permaneceu na mala, com outros produtos dentro dela, tudo na mesma ordem em que eu deixei - foi má fé mesmo). Há agora um processo aberto para que a empresa nos indenize principalmente sobre o valor da mala que, diga-se de passagem, era nova e foi comprada exclusivamente para a viagem, e ainda que se retrate formalmente pelo inconveniente causado.
Bem, mesmo com todo esse quiproquó, terminamos o ano por aqui, esperando que os produtos levados da nossa bagagem possam fazer o Natal de alguém mais feliz, desejando sempre o bem - porque a gente só dá aquilo que a gente tem, em qualquer ocasião... algumas vezes a gente também dá o que a gente recebe dos outros e, mais uma vez temos muita sorte em receber mais coisas boas que ruins, receber mais gente do bem do que os que nos querem mal... e mesmo aos que nos querem mal, deixamos aqui nossos desejos de que a luz do Natal possa iluminar seus corações, a fim de torná-los sempre melhores, porque o que a gente deseja de ruim, volta a galope! E quando alguém aponta um dedo na direção do outro para julgá-lo, aponta mais 3 dedos em sua própria direção.
Queremos agradecer também pelo blog estar crescendo em número de acessos, pela fidelidade dos amigos queridos que sempre deixam seus recadinhos por aqui e vamos avisando que 2012 estará cheio de novos sabores e aromas. E eu espero mesmo poder ainda dar conta esse ano de escrever mais um bocadinho por aqui.

A todos, bon appétit!