sábado, 2 de julho de 2011

Mozza: uma experiência na medida certa!


(Marina Bay Sands Hotel - a construção mais cara do mundo: complexo com suítes, restaurantes, compras e entretenimento de Cingapura)

Faz tempo que estou para escrever este texto. Mas eu estava esperando um dia como hoje: nem tanto ao céu, nem tanto ao mar! No ponto certo. Não chove, o frio ainda não está intenso como promete a meteorologia para amanhã e a casa dorme na quietude das manhãs de sábado. Na tv, episódios mil vezes repetidos de Friends, o que me dá a certeza de que alcançamos a medida certa dos pequenos prazeres da vida aqui em casa... no momento, preparo um café para acompanhar esse texto: escolhi o Latte, porque vou contar uma história de tradição... e nada é mais tradicional do que o casamento do café com leite. Então, enquanto começo meu desjejum com a grossa camada de espuma dessa longilínea xícara, conto para vocês como foi nossa experiência no Mozza, osteria do famoso Mario Batali. Para quem não conhece, Batali é chef americano, especialista em história e cultura da cozinha italiana. Seus restaurantes (entre pizzarias, osterias e a famosa Scuola di Pizza) ficam em Los Angeles e Cingapura. E foi lá que nós tivemos o prazer de conhecer a Osteria Mozza, que fica no complexo do Marina Bay Sands Hotel (um lugar que não dá para descrever, pela suntuosidade exagerada - e aqui cabe o pleonasmo - lá, vimos a diferença entre ter e não ter dinheiro de verdade - indianos da mais alta casta desfilavam seus Rolex de ouro puro pelos corredores do complexo, até a entrada do cassino, acompanhados das esposas enfeitadas dos pés à cabeça com imensas bolas de esmeraldas e sacolas da Cartier nas mãos, às 18h de um dia insuportavelmente quente de verão... e isso é só um exemplo). Já estávamos nas vésperas de voltar ao Brasil e J. sugeriu que aquele fosse um jantar especial. Escolhemos o Mozza para provar o cardápio do Batali, resumindo. Há grandes restaurantes de chefs orientais no complexo, mas essa era nossa oportunidade de experimentar a comida do iron chef, cujo restaurante ganhou duas vezes o prêmio do melhor do mundo, pelo The New York Times e em 2002 ele próprio foi eleito o melhor chef da cidade de New York, ganhando desde então destaque no Guia Michelin. Para apreciadores como nós, nem precisava de tanto para despertar a curiosidade!
E lá fomos nós! Esperamos um pouco por uma mesa e ganhamos uma bem romântica: pequena, com duas cadeiras, aconchegante e estrategicamente localizada numa janela, que dava para a entrada dos demais restaurantes - o que meus olhos curiosos adoraram! De entrada, fomos na sugestão do maître: pedi uma ribollita da Delfina, que é um prato muito típico da região de Toscana, à base de legumes e azeite; J. escolheu o prato que se chamava Bufala Mozzarella with iceberg, salame, pepperoncino & green olive tapanade. Um delícia e não exige grandes explicações. Além da óbvia beleza das entradas, o que me impressionou foram os aromas delicadamente (bem) casados. Não havia um manjericão mais forte ou uma azeitona mais intensa ou prato nadando no azeite. Tudo estava na medida certa, sem exagero ou excesso. As entradas serviam bem cada pessoa e confesso que fiquei um tanto preocupada com a quantidade de comida que seria servida no prato principal - contrariando o que pensam algumas pessoas sobre "comer bem", eu não gosto de me sentir cheia depois das refeições e nem acho que restaurante caro tem que servir muita comida. O prazer da degustação está exatamente em comer na medida certa, satisfazer-se, como indica a própria origem latina da palavra. Eis que, para minha surpresa, o prato principal italiano fugiu à regra do país de origem e, parciominoso, veio para fazer a gente se sentir satisfeito:
Eis meu Tagliatelle with oxtail ragú (em bom português, é tagliatelle com ragú de rabada mesmo):





E aqui, o estupendo Pappardelle Verde with lamb ragú, olive Taggiasche & mint pedido por J.:



Mas, sem dúvida alguma, a melhor história dessa aventura gastronômica no O
riente vem agora: ao escolher o vinho em um restaurante, J. é sempre muito criterioso, não apenas por conhecer o valor das garrafas em suas adegas de origem e saber quando o restaurante está abusando dos preços no cardápio, mas sobretudo por conhecer a qualidade das adegas. Então, invariavelmente nos servimos de ótimos vinhos e não pagamos absurdos por isso. Entretanto, nessa noite, ocorreu um grande equívoco (não nosso, mas do garçom): ao examinar a carta de vinhos, J. escolheu uma garrafa do Sangiovese Tua Rita Rosso di Notri, mas o garçom nos serviu uma garrafa do Tua Rita que não constava as especificações da carta. J. então passou metade do jantar muito tenso, pois o outro vinho daquela adega que constava na carta era mais de três vezes o valor da garrafa que havíamos pedido - e a nossa escolha já havia sido um tanto salgada (a contar que aquela era uma noite especial)!!!! Pois bem, quando a conta chegou, a garrafa cobrada foi a que pedimos realmente, mas mais tarde, na página da bodega na Internet, J. observou que o rótulo do vinho que bebemos não era o mesmo que estava no site... era o da garrafa mais cara - Tua Rita Giusto di Notri (cuja especificação não constava na carta e por isso gerou nele a dúvida). Por uma única palavra da descrição do vinho, descoberta apenas pela Internet, nós quase tivemos que lavar a louça do Mozza!!!!! Só esperamos, honestamente, que não tenha sobrado pro garçom, pois um equívoco desses pode gerar um problema gigantesco... nós, que conhecemos vinho, só percebemos tempos depois! Imaginem quantos devem beber "lebre por gato" por aí?! E enquanto a corda não arrebentar para nenhum dos lados, Baco vai jogando os dados!
Para encerrar a história, com ou sem equívocos do garçom, não deixem de experimentar as delícias do Batali - na América ou na Ásia, onde a oportunidade chegar primeiro! Nós indicamos!

Para mais informações:

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