sábado, 16 de julho de 2011

É canja de galinha!



Lembro-me de algumas coisas que sempre faziam parte do meu cardápio, quando eu era criança. Eu não dei trabalho para comer, se é o que pensam. Mas, para minha mãe, eu era uma criança que não comia! Porque as mães têm mania de achar que os filhos estão magros demais, precisando sempre de comida... e não é bem assim. Há o outro lado também: aquelas que exageram tanto no menu, que nem percebem que os filhos comem além do necessário... e o pior é que os que comem, gostam disso! Mas a minha mãe não era desse último tipo. Ela levantava a bandeira do "essa menina não come nada". Lá em casa nunca houve excesso de comida gordurosa, biscoito recheado, carne vermelha... minha mãe sempre se preocupou em preparar um cardápio variado para a semana. Então tinha o dia do bife, do peixe, do frango, do fígado, da massa. Acontece que nem sempre eu tinha apetite para o feijão com arroz semanal. E foi assim que cresci entre litros de Biotônico Fontoura e Emulsão Scott. E essa história me veio à tona desde ontem, quando conversei com uma amiga que me contou sobre a tirania do suco durante a infância... e me revelou que até hoje não suporta suco de cenoura! Porque, é lógico, tudo demais é veneno e toda forçação de barra é feitiço contra o feiticeiro. Os pais não podem querer transformar os filhos em robôs de suas vontades. Dizer que "meu filho vai crescer do jeito que eu quero que ele seja" é um erro gravíssimo que a maioria de nós, mães e pais, comete o tempo inteiro. Há que se aceitar o limite do filho e não fazer dele um gênio da lâmpada maravilhosa, que vai realizar todos os seus desejos, é o primeiro passo. Não dar Emulsão Scott é o segundo hehehehehe! Mas, brincadeiras à parte, tinha uma refeição que eu fazia bem: o jantar! E aí minha mãe achava que era efeito do Biotônico da tarde... mas não era. À noite, invariavelmente até hoje, na casa dos meus pais tem sopa - um hábito saudável e divertido (porque preparar sopa é muito bom... picar, misturar, incrementar, provar, hummm). É sopa de feijão, de legumes, de carne, de queijo, de abóbora... e a famosa canjinha de galinha. Eu simplesmente adoro caldos. De todos os tipos. Então, à noite eu me alimentava melhor. É por isso que eu sempre digo que não há uma receita única ou absolutamente certa para a educação alimentar da criança. O negócio é tratar com naturalidade, tendo a consciência de que os pais sim, é que têm a obrigação de comer de tudo para ensinar os filhos o caminho das pedras... e quando eu falo comer de tudo, estou me referindo a pratos coloridos, com muito verde, amarelo e vermelho. Aos poucos, sem serem forçados a nada, eles vão aprendendo que comer bem é comer de tudo um pouco.
E, em homenagem aos litros de Biotônico da minha infância, hoje eu passo a receita da canja de galinha, já avisando que não existe uma única receita para ela. Cada um tem a sua e todas podem adquirir uma cara própria. É só variar nos ingredientes e deixar o prato bem colorido (há quem diga - e saiu até no Fantástico ou Globo Repórter, não lembro direito, mas tinha o Dráuzio Varella na história, então deve ser o primeiro - que canja de galinha cura resfriados. Mas, sabem por quê? Porque a carne do frango possui um aminoácido com grande efeito anti-inflamatório e, por consequência, essa propriedade benéfica está presente na inocente canjinha).

Ingredientes:
1/2 kg de frango (coxa e sobrecoxa);
cheiro verde;
1 cebola grande picada;
1 dente de alho picado;
2 tomates picados;
alho-poró;
sálvia;
azeite;
1 xíc (chá) de arroz branco;
2 cenouras picadas;
1 batata picada;
1/2 chuchu picado;
vagem a gosto.



Primeiro, cozinhe o frango com a cebola e o alho até que ele desfie, com bastante água. Coloque os vegetais e os tomates e deixe cozinhar mais uns 15 minutos. Acrescente o arroz e, quando estiver pronto, tudo o que for verde. Deixe por mais uns cinco minutos e desligue. Sirva quente.
Lembre-se: a maior quantidade de gordura prejudicial do frango está na pele. Antes de cozinhá-lo, portanto, retire toda a pele dele.

A todos, bon appétit!

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