domingo, 24 de julho de 2011

Surpresa de abacaxi


Quer um doce bem doce? Então faça esta receita completa!

Surpresa de abacaxi:

Primeira camada:
1 abacaxi sem casca e sem talo, cortado em cubinhos pequenos;
1 xíc (chá) de açúcar;
1 xíc (chá) de água.

Leve ao fogo e mexa até que engrosse a calda.

Segunda camada:
1 lata de leite condensado;
2 gemas;
1 colher (sopa) de manteiga sem sal;
1 copo de leite;
1 colher (chá) de farinha de trigo.

Misture bem a manteiga, as gemas e o leite condensado numa panela. Leve ao fogo com a farinha de trigo e o leite, até que forme um creme consistente.

Cobertura:

Bata as duas claras em neve e acrescente, aos poucos, 10 colheres de açúcar, sempre batendo,a té que a clara forme picos firmes na batedeira (este é o ponto ideal do suspiro, segundo quem sabe fazê-lo).

Em uma travessa ou cumbucas individuais, monte as camadas pela ordem acima. Com um maçarico de cozinha, doure o suspiro e leve à geladeira. Se você preferir uma sobremesa menos doce, troque o suspiro por chantilly (eu recomendo).

A todos, bon appétit!

Puchero crioulo: uma noite de malbecs


Enquanto não chega o dia da nossa viagem à Argentina (aguardem surpresas!), a gente vai adiantando o cardápio da casa e dividindo o vinho nosso de casa dia com pessoas especiais, por quem temos um carinho enorme e a quem temos a honra de classificar como grandes amigos. Tem coisa melhor do que compartilhar gargalhadas, beijos, abraços e mesa? Tem coisa melhor do que saber que quem somos de verdade só um amigo pode descrever? Pois ontem resolvemos fazer uma noite de música, comida e bebida com um casal que sabe nos descrever verdadeiramente! Eu e a Jana moramos juntas antes de nos casarmos e ontem ela descreveu nossa amizade com uma palavra muito forte: entre nós há respeito! Somos dois titãs em gênio, impulsividade, amor e solidão. Nós nunca nos desrespeitamos, pelo contrário: sempre tivemos uma profunda admiração uma pela outra! E é exatamente isso que une as pessoas.
Bem, e a noite ontem era regada a Malbec. O Antônio e a Jana trouxeram uma garrafa da viagem que acabaram de fazer pelas vinícolas argentinas e J. também estava guardando um Malbec especial para a ocasião. Então, ficamos assim: para regar as gargalhadas, uma garrafa do La Azul reserva 2005, frutado intenso - parecia que a gente estava num bosque de aromas! E, para regar o puchero crioulo - prato da noite, que dividiu a atenção com uma salada de agrião, melão, parma e parmesão - um Monteagrelo 2005, casamento perfeito entre intensidade da malbec e um prato tão complexo como o puchero. Aqui vai a receita:

1/2kg de coxão duro em cubos
2 colheres de sopa de azeite
3 dentes de alho
2 cebolas cortadas em 4
2 paios em rodelas
1 linguiça defumada em rodelas
1 peito de frango em pedaços
2 coxas com sobrecoxas de frango
4 tomates sem pele e sementes cortados em 4
1 xícara de chá de ervilha torta
200g de vagem manteiga cortadas ao meio
2 batatas picadas grande
1 batata-doce cortada em quatro
2 cenouras em rodelas grandes
1 espiga de milho cortado em 4
1/2 nabo em rodelas grossas
Sal e Pimenta-do-reino
1 1/2 litro de água
1/2 copo de vinho branco seco
1 xícara de chá de abóbora picada grande
1 xícara de chá de repolho picado grande
Para fazer:
Doure a carne no azeite com o alho e a cebola. Junte o paio, a linguiça e o frango. Adicione o tomate, a ervilha, a vagem, a batata, a batata-doce,a cenoura, o extrato, o sal, a pimenta, a água e o vinho. Ferver durante 60 minutos aproximadamente. Coloque a abóbora e o repolho, deixe cozinhar por mais uns 15 minutos.Veja que tudo esteja bem macio e o caldo bem apurado. Sirva quente. Acompanhe com um bom vinho. Dica: e
m uma panela, separadamente, toste os vegetais sem óleo antes de misturá-los às carnes.

Para sobremesa, um doce demais pra matar o álcool: surpresa de abacaxi que, ao meu paladar, passaria bem sem a cobertura de suspiro (que fica lindaaaa, mas tudo tem açúcar nessa sobremesa e ela realmente deve ficar para noites como a de ontem: quando a bebida é a estrela do espetáculo) - a receita da sobremesa, na sequência!

A todos, bon appétit e vida longa às grandes companhias!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nêga maluca


Esse bolo é pros dias em que você está morrendo de vontade de virar formiguinha, do tipo que comeria brigadeiro na panela, de pijama e meia pela casa depois do almoço. De preferência, tardes de chuva e nada de novo na tv, nada de livro pra ler, nenhuma novidade acontecendo no planeta! Peguei a receita do Cozinha da Nina, enquanto fuçava no Google atrás de um doce bem doce pra hora do chá.
Tomem nota:

Para a massa:
-2 ovos;
-1 xícara de açúcar;
-2/3 xícara de óleo;
-1 xícara de achocolatado;
-2 xícaras de trigo;
-1 xícara de leite fervente;
-1 colher (sopa) de fermento em pó químico;


Primeiro, bate por cinco minutos, na batedeira, os ovos e o açúcar. Acrescenta o óleo e o achocolatado e bate mais três minutos. Coloca o trigo, o fermento e mexe. Acrescenta o leite e bate novamente, o suficiente para homogeneizar. Vai para a assadeira untada e segue para o forno pré-aquecido a 180ºC por 40 minutos. Use o truque da faca limpa para ver se está no ponto. Enquanto assa, que tal ouvir um pouquinho da Nêga Maluca de verdade?

Para a cobertura crocante:
-1 xícara de açúcar;
-1 colher de manteiga;
-3 colheres de leite;
-3 colheres de achocolatado.
Derrete tudo no fogo brando, espera ferver e joga por cima do bolo.

Agora, enquanto come, que tal ouvir um pouquinho da Nêga Maluca de verdade? "Tome que o filho é teu/ Guarde o que Deus lhe deu"... ê, vida de samba!!!!

A todos, bon appétit!

sábado, 16 de julho de 2011

É canja de galinha!



Lembro-me de algumas coisas que sempre faziam parte do meu cardápio, quando eu era criança. Eu não dei trabalho para comer, se é o que pensam. Mas, para minha mãe, eu era uma criança que não comia! Porque as mães têm mania de achar que os filhos estão magros demais, precisando sempre de comida... e não é bem assim. Há o outro lado também: aquelas que exageram tanto no menu, que nem percebem que os filhos comem além do necessário... e o pior é que os que comem, gostam disso! Mas a minha mãe não era desse último tipo. Ela levantava a bandeira do "essa menina não come nada". Lá em casa nunca houve excesso de comida gordurosa, biscoito recheado, carne vermelha... minha mãe sempre se preocupou em preparar um cardápio variado para a semana. Então tinha o dia do bife, do peixe, do frango, do fígado, da massa. Acontece que nem sempre eu tinha apetite para o feijão com arroz semanal. E foi assim que cresci entre litros de Biotônico Fontoura e Emulsão Scott. E essa história me veio à tona desde ontem, quando conversei com uma amiga que me contou sobre a tirania do suco durante a infância... e me revelou que até hoje não suporta suco de cenoura! Porque, é lógico, tudo demais é veneno e toda forçação de barra é feitiço contra o feiticeiro. Os pais não podem querer transformar os filhos em robôs de suas vontades. Dizer que "meu filho vai crescer do jeito que eu quero que ele seja" é um erro gravíssimo que a maioria de nós, mães e pais, comete o tempo inteiro. Há que se aceitar o limite do filho e não fazer dele um gênio da lâmpada maravilhosa, que vai realizar todos os seus desejos, é o primeiro passo. Não dar Emulsão Scott é o segundo hehehehehe! Mas, brincadeiras à parte, tinha uma refeição que eu fazia bem: o jantar! E aí minha mãe achava que era efeito do Biotônico da tarde... mas não era. À noite, invariavelmente até hoje, na casa dos meus pais tem sopa - um hábito saudável e divertido (porque preparar sopa é muito bom... picar, misturar, incrementar, provar, hummm). É sopa de feijão, de legumes, de carne, de queijo, de abóbora... e a famosa canjinha de galinha. Eu simplesmente adoro caldos. De todos os tipos. Então, à noite eu me alimentava melhor. É por isso que eu sempre digo que não há uma receita única ou absolutamente certa para a educação alimentar da criança. O negócio é tratar com naturalidade, tendo a consciência de que os pais sim, é que têm a obrigação de comer de tudo para ensinar os filhos o caminho das pedras... e quando eu falo comer de tudo, estou me referindo a pratos coloridos, com muito verde, amarelo e vermelho. Aos poucos, sem serem forçados a nada, eles vão aprendendo que comer bem é comer de tudo um pouco.
E, em homenagem aos litros de Biotônico da minha infância, hoje eu passo a receita da canja de galinha, já avisando que não existe uma única receita para ela. Cada um tem a sua e todas podem adquirir uma cara própria. É só variar nos ingredientes e deixar o prato bem colorido (há quem diga - e saiu até no Fantástico ou Globo Repórter, não lembro direito, mas tinha o Dráuzio Varella na história, então deve ser o primeiro - que canja de galinha cura resfriados. Mas, sabem por quê? Porque a carne do frango possui um aminoácido com grande efeito anti-inflamatório e, por consequência, essa propriedade benéfica está presente na inocente canjinha).

Ingredientes:
1/2 kg de frango (coxa e sobrecoxa);
cheiro verde;
1 cebola grande picada;
1 dente de alho picado;
2 tomates picados;
alho-poró;
sálvia;
azeite;
1 xíc (chá) de arroz branco;
2 cenouras picadas;
1 batata picada;
1/2 chuchu picado;
vagem a gosto.



Primeiro, cozinhe o frango com a cebola e o alho até que ele desfie, com bastante água. Coloque os vegetais e os tomates e deixe cozinhar mais uns 15 minutos. Acrescente o arroz e, quando estiver pronto, tudo o que for verde. Deixe por mais uns cinco minutos e desligue. Sirva quente.
Lembre-se: a maior quantidade de gordura prejudicial do frango está na pele. Antes de cozinhá-lo, portanto, retire toda a pele dele.

A todos, bon appétit!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Creme do Popeye



Há muitos anos (mas nem tantos assim), Marília e eu nos aprofundamos nos estudos das histórias em quadrinhos (HQs), nosso objeto de análise para a conclusão do curso de Letras. Foi uma época bem divertida... e assustadora! Mas que nos rendeu recordações como as de hoje!
Enquanto líamos toda aquela literatura de cartoon para nosso trabalho, nos divertindo entre Chico Bento, Mafalda, Tio Patinhas e esquisitices outras, lembro-me de ter descoberto que o marinheiro Popeye era um velhote da idade da minha avó, pois havia surgido em tirinhas ainda em 1925!!!! Existia uma lenda sobre o marinheiro de que ele comia espinafre nas historinhas para incentivar as crianças americanas a se alimentarem do vegetal, o que mais tarde foi desmentido pelo próprio criador do personagem, que assumiu ser o Popeye uma homenagem a um homem que ele conheceu quando criança que lhe aconselhava a comer espinafre para crescer forte e não perder nenhuma briga.
E eu lembrei de toda essa história enquanto cozinhava solitária hoje entre as minhas panelas, porque teve para o jantar um delicioso (pasmem!!!) creme de espinafre, que eu carinhosamente batizei para o blog de Creme do Popeye!

Vamos aos ingredientes:
1 maço de espinafre;
500ml de leite integral;
cubinhos de queijo provolone (a gosto);
um tablete de caldo de legumes;
creme de leite (opcional);
1 colher (sopa) de farinha de trigo;
1 cebola picadinha;
1 dente de alho amassado;
1 colher de manteiga;
azeite o quanto baste;
sal (se necessário).

Em uma panela, doure a cebola e o alho no azeite e na manteiga. Em seguida, acrescente o maço de espinafre picado grosseiramente. Deixe refogar por uns dois minutos. No liquidificador, coloque o leite, a farinha de trigo e acrescente o espinafre já refogado. Bata bem. Devolva à panela. Quando ferver e engrossar, coloque o caldo de legumes e, se for necessário, o sal.
Para finalizar, jogue os cubos de provolone. Sirva com croutons e, se desejar, coloque uma colher de creme de leite no prato.

A todos, bon appétit (e nada de cara feia na hora de comer espinafre! Lembrem-se da força do Popeye, Pi-Piiiiiiiiii)!

sábado, 9 de julho de 2011

Hoje tem bolinho de siri!!!!!



A receita é fácil e se o dia estiver de sol, como aqui, enchendo a casa de alegria, corra pro fogão pra fazer esse pestiquinho da hora! Com cerveja, vinho branco ou suco de limão, o bolinho de siri com empanado oriental foi o prato do dia aqui em casa!

Anote:

1 batata grande cozida com casca;
500g de carne de siri;
cheiro verde;
2 tomates sem pele cortados em cubinhos;
1 cebola grande picadinha;
2 dentes de alho;
2 xícaras (chá) de farinha de trigo;
2 colheres (sopa) de amido de milho;
300ml de cerveja;
1 colher (sopa) de fermento em pó químico;
azeite, sal e pimenta-do-reino a gosto;
óleo para fritar.

Coloque a cebola para dourar com um pouco de azeite e, em seguida, os dentes de alho. Mistura a carne de siri e, quando estiver frita, os tomates, pimenta-do-reino, sal e o cheiro verde. Em seguida, a batata cozida (que você retirou a casca e amassou) e, aos poucos, 1 xícara de farinha de trigo e o amido. Quando cozinhar, desligue o fogo e deixe esfriar.

Numa tigela, bata a cerveja com a outra xícara de farinha de trigo e o fermento químico (sabe aqueles camarões empanados que você come em restaurantes orientais? Pois bem, essa é a massa que eles usam). Deixe descansar por meia hora, pelo menos.

Quando a massa do siri estiver fria, faça bolinhas não muito pequenas e passe-as na massa de cerveja, jogando-as dentro do óleo quente, para fritar. Voilá!



A todos, bon appétit!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Clericot - a bebida uruguaia


Quando visitamos Punta del Este, num desses verões, várias coisas nos surpreenderam (para quebrar minha pouca expectativa em conhecer o balneário frequentado pelos argentinos que não ficaram pobres depois da crise). Além das lindas paisagens, dos excelentes restaurantes, das galerias de arte e do famoso Conrad Casino, tem (mais) uma coisa que os uruguaios apreciam como ninguém: a bebida do verão por lá chama-se clericot e não é apenas refrescante: é viciante! É um drink à base de vinho branco (use um bom sauvignon blanc uruguaio no preparo) e frutas diversas. Lá, eles servem em todos os bares e restaurantes, em grandes jarras de vidro e é uma ótima diversão para os fins de tarde a dois - a gente brincava de pescar os pedaços de fruta dentro da jarra e até guerreava com os palitos pela uva mais bonita!
Ao retornar, fiz algumas vezes para as amigas aqui em casa (a Jana virou fã de carteirinha) e, não se enganem: apesar de parecer bebida de mulherzinha, os homens também adoram!
Para fazer, você vai precisar de:
1 garrafa de vinho branco muito gelado;
frutas diversas, entre elas algumas bem doces e outras bem cítricas (uso sempre pêssegos, morangos, rodelas de laranja e limão siciliano, uvas, manga e maçã);
1 ramo de hortelã;
1 jarra bem bonita de vidro ou cristal;
corte as frutas em cubos ou fatias (vai da sua criatividade) e deixe o ramo de hortelã inteiro, despeje o vinho. Marine tudo na geladeira por quinze ou vinte minutos antes de servir!

A todos, bon appétit!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Bolo de cenoura - enfim, a receita certa!




Há variações para o clássico bolo de cenoura... mas hoje eu descobri a receita que tanto procurava. Tudo começou com a cor das cenouras que trouxemos da feirinha... daí que elas também fazem aquele tipinho crocante e suculenta quando a gente morde! E fiquei tentada a fazer (mais uma vez) o tal bolinho. Sempre que eu tentava, ou não ficava da cor que eu queria, ou ficava muito molhado ou muito ressecado. Hoje deu certo! E o segredo foi a quantidade (pra mais) de farinha de trigo! Aproveitei que não precisei fazer almoço - com o ritmo de estudo que peguei essa semana, só tenho parado para fazer o almoço e, ocasionalmente, responder um ou outro e-mail urgente (como respondo todos que me chegam e odeio quando as pessoas não fazem o mesmo - falta de consideração! - tenho verificado a caixa poucas vezes ao dia) - usei meu tempo do almoço hoje para fazer a receitinha que agora divido com vocês. Aproveitem a tarde fria (aqui pelo Sul) ou quente (aí pelo resto do Brasil - que invejinha!) e mão na massa!

Ingredientes e modo de preparo:

3 ovos inteiros;
3 cenouras grandes, descascadas e cortadas grosseiramente;
1 xíc (chá) de óleo de canola;
bata esses ingredientes no liquidificador por, mais um menos, 8 minutos (quanto mais bater, mais cremoso vai ficar);
numa tigela: 2 xíc(chá) de açúcar; 3 xíc (chá) de farinha de trigo e 1 colher (sopa) de fermento em pó químico. Misture tudo com o auxílio de um fouet, bem devagar. Em seguida, despeje a massa numa forma funda previamente untada e leve ao forno pré-aquecido a 180°C por 35 minutos.
A calda: 3 colheres (sopa) de chocolate em pó; 2 colheres (sopa) de açúcar; 1 colher (sopa) de manteiga; 1 colher (sopa) de leite integral. Leva ao fogo e mexe até engrossar.
Para companhar, me servi de um chá turco!

A todos, bon appétit!

sábado, 2 de julho de 2011

Mozza: uma experiência na medida certa!


(Marina Bay Sands Hotel - a construção mais cara do mundo: complexo com suítes, restaurantes, compras e entretenimento de Cingapura)

Faz tempo que estou para escrever este texto. Mas eu estava esperando um dia como hoje: nem tanto ao céu, nem tanto ao mar! No ponto certo. Não chove, o frio ainda não está intenso como promete a meteorologia para amanhã e a casa dorme na quietude das manhãs de sábado. Na tv, episódios mil vezes repetidos de Friends, o que me dá a certeza de que alcançamos a medida certa dos pequenos prazeres da vida aqui em casa... no momento, preparo um café para acompanhar esse texto: escolhi o Latte, porque vou contar uma história de tradição... e nada é mais tradicional do que o casamento do café com leite. Então, enquanto começo meu desjejum com a grossa camada de espuma dessa longilínea xícara, conto para vocês como foi nossa experiência no Mozza, osteria do famoso Mario Batali. Para quem não conhece, Batali é chef americano, especialista em história e cultura da cozinha italiana. Seus restaurantes (entre pizzarias, osterias e a famosa Scuola di Pizza) ficam em Los Angeles e Cingapura. E foi lá que nós tivemos o prazer de conhecer a Osteria Mozza, que fica no complexo do Marina Bay Sands Hotel (um lugar que não dá para descrever, pela suntuosidade exagerada - e aqui cabe o pleonasmo - lá, vimos a diferença entre ter e não ter dinheiro de verdade - indianos da mais alta casta desfilavam seus Rolex de ouro puro pelos corredores do complexo, até a entrada do cassino, acompanhados das esposas enfeitadas dos pés à cabeça com imensas bolas de esmeraldas e sacolas da Cartier nas mãos, às 18h de um dia insuportavelmente quente de verão... e isso é só um exemplo). Já estávamos nas vésperas de voltar ao Brasil e J. sugeriu que aquele fosse um jantar especial. Escolhemos o Mozza para provar o cardápio do Batali, resumindo. Há grandes restaurantes de chefs orientais no complexo, mas essa era nossa oportunidade de experimentar a comida do iron chef, cujo restaurante ganhou duas vezes o prêmio do melhor do mundo, pelo The New York Times e em 2002 ele próprio foi eleito o melhor chef da cidade de New York, ganhando desde então destaque no Guia Michelin. Para apreciadores como nós, nem precisava de tanto para despertar a curiosidade!
E lá fomos nós! Esperamos um pouco por uma mesa e ganhamos uma bem romântica: pequena, com duas cadeiras, aconchegante e estrategicamente localizada numa janela, que dava para a entrada dos demais restaurantes - o que meus olhos curiosos adoraram! De entrada, fomos na sugestão do maître: pedi uma ribollita da Delfina, que é um prato muito típico da região de Toscana, à base de legumes e azeite; J. escolheu o prato que se chamava Bufala Mozzarella with iceberg, salame, pepperoncino & green olive tapanade. Um delícia e não exige grandes explicações. Além da óbvia beleza das entradas, o que me impressionou foram os aromas delicadamente (bem) casados. Não havia um manjericão mais forte ou uma azeitona mais intensa ou prato nadando no azeite. Tudo estava na medida certa, sem exagero ou excesso. As entradas serviam bem cada pessoa e confesso que fiquei um tanto preocupada com a quantidade de comida que seria servida no prato principal - contrariando o que pensam algumas pessoas sobre "comer bem", eu não gosto de me sentir cheia depois das refeições e nem acho que restaurante caro tem que servir muita comida. O prazer da degustação está exatamente em comer na medida certa, satisfazer-se, como indica a própria origem latina da palavra. Eis que, para minha surpresa, o prato principal italiano fugiu à regra do país de origem e, parciominoso, veio para fazer a gente se sentir satisfeito:
Eis meu Tagliatelle with oxtail ragú (em bom português, é tagliatelle com ragú de rabada mesmo):





E aqui, o estupendo Pappardelle Verde with lamb ragú, olive Taggiasche & mint pedido por J.:



Mas, sem dúvida alguma, a melhor história dessa aventura gastronômica no O
riente vem agora: ao escolher o vinho em um restaurante, J. é sempre muito criterioso, não apenas por conhecer o valor das garrafas em suas adegas de origem e saber quando o restaurante está abusando dos preços no cardápio, mas sobretudo por conhecer a qualidade das adegas. Então, invariavelmente nos servimos de ótimos vinhos e não pagamos absurdos por isso. Entretanto, nessa noite, ocorreu um grande equívoco (não nosso, mas do garçom): ao examinar a carta de vinhos, J. escolheu uma garrafa do Sangiovese Tua Rita Rosso di Notri, mas o garçom nos serviu uma garrafa do Tua Rita que não constava as especificações da carta. J. então passou metade do jantar muito tenso, pois o outro vinho daquela adega que constava na carta era mais de três vezes o valor da garrafa que havíamos pedido - e a nossa escolha já havia sido um tanto salgada (a contar que aquela era uma noite especial)!!!! Pois bem, quando a conta chegou, a garrafa cobrada foi a que pedimos realmente, mas mais tarde, na página da bodega na Internet, J. observou que o rótulo do vinho que bebemos não era o mesmo que estava no site... era o da garrafa mais cara - Tua Rita Giusto di Notri (cuja especificação não constava na carta e por isso gerou nele a dúvida). Por uma única palavra da descrição do vinho, descoberta apenas pela Internet, nós quase tivemos que lavar a louça do Mozza!!!!! Só esperamos, honestamente, que não tenha sobrado pro garçom, pois um equívoco desses pode gerar um problema gigantesco... nós, que conhecemos vinho, só percebemos tempos depois! Imaginem quantos devem beber "lebre por gato" por aí?! E enquanto a corda não arrebentar para nenhum dos lados, Baco vai jogando os dados!
Para encerrar a história, com ou sem equívocos do garçom, não deixem de experimentar as delícias do Batali - na América ou na Ásia, onde a oportunidade chegar primeiro! Nós indicamos!

Para mais informações: