sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sopão do Goás, uai!




Hoje arrisquei um dos pratos mais deliciosos que J. sabe fazer: o famoso caldinho de galinha goiano! E, especialmente hoje, eu cozinhei me lembrando muito de Tita, a personagem de Como água para chocolate, romance de Laura Esquivel (que virou filme e febre quando foi lançado, ainda na década de 80 - ganhei do marido, na lua-de-mel, o último disponível na Livraria El Ateneo, da edição comemorativa dos 15 anos de lançamento do clássico e é um dos meus livros xodós, que não empresto pra ninguém ). Mas eu tive um motivo especial para lembrar desse livro. No romance, Tita vive um amor proibido pelo mexicano Pedro e a única forma que encontra para se comunicar com ele é através da comida. Por vinte anos, Tita exprime seus sentimentos pelo amado através de massas, caldos, assados, chillis... que ele come e sente exatamente o que ela gostaria que ele sentisse, ao misturar seus temperos: ora está louco de ciúmes de Tita, tomado por violenta paixão e possessão de um prato apimentado, afogando suas mágoas no vinho, ora quer ter aquela mulher para sempre em sua vida, com toda a ternura dos doces amores, ganhando vida num copo de chocolate quente. É a mágica do tempero... e eu só queria me sentir um pouco menos incomodada com os olhos de quem olha, mas não vê. Porque nada me deixa mais enlouquecida e mortalmente indisposta do que saber que estamos sendo observados, saber que há olhos rondando o que estamos fazendo e línguas dando conta da nossa vida e palpitando sobre o que devíamos fazer ou deixar de fazer aqui em casa. Como não sou de barraco, mas também não faço a linha blasé, resolvo meu problema na cozinha, ocupando a mente e o coração. Depois escrevo aqui pra vocês, desabafando através de poucas, mas consistentes palavras. E eu sou bem sincera: não é da família, não participa da minha rotina, não paga minhas contas? Então cuide da sua vida! Porque fofoca pra mim é indício de insatisfação pessoal. Quem não está feliz, se sente sozinho, não queria aquela vida que tem, começa a ficar de janela olhando a vida dos outros. E a fofoca tem aquele negócio, né? Faz mal pra quem escuta e é feio pra quem faz! Então, meu povo, vamos se ocupar, né não? Pode começar tomando nota dos ingredientes!

Sopão de Goiás:
1 kg de coxa e sobrecoxa de frango (de preferência, caipira) cozido na pressão com bastante caldo, por mais ou menos 50 min e temperado com tudo o que tem direito: cebola, alho, tomate, cheiro verde, sálvia, alecrim...;
600g de milho verde;
3 colheres (sopa) de farinha de milho (fubá);
1 copo de leite integral;
cheiro verde;
pimenta de sua preferência.


O frango deve cozinhar até desfiar na pressão. Em uma panela separadamente, pré-cozinhe o milho e separe em duas partes iguais. Metade do milho pré-cozido, você levará para o liquidificador, junto com o leite e o fubá. A outra metade, já mistura ao frango que continuou cozinhando no brando. Bata até que fique uma massa uniforme. Quando estiver nesse ponto, você junta ao frango e mexe sem parar, em fogo brando, até engrossar (se você parar de mexer, vai grudar no fundo da panela, tem que ter um pouco de paciência). Ao engrossar, junte ao caldo a pimenta picadinha de sua preferência e o cheiro verde. Corrija o sal, se necessário, servindo em seguida. Como acompanhamento, pães.

A todos, bon appétit!




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