sábado, 14 de maio de 2011

Quibe de forno recheado

E, para quem acha que carne vermelha é veneno, aqui vai uma receitinha muito prática e saudável com ela que, em alguns casos, é a grande vilã da alimentação! A propósito, por falar em vilão, eu preciso desabafar sobre o Globo Repórter de ontem e, antes da receita, abrirei enormes parênteses aqui para um assunto que considero importante! Concordo com muitos ensinamentos do programa sobre os alimentos (cheiros, texturas e a importância do tato na língua e do olfato na alimentação). Mas eu preciso expor minha opinião sobre o aleitamento materno. Vejam bem: é a minha opinião, a minha experiência. Aquilo que eu tenho de mais particular na minha vida! Não quero discordar do programa e das campanhas promovidas a favor do ato de amamentar que eu acho, sim, muito importante (para mãe e filho). Mas o programa de ontem disse que as crianças desenvolvem melhor suas capacidades gustativas a partir da amamentação. Eu sei que isso é baseado em pesquisas e quem sou eu pra ir contra a Ciência, não é? Mas a minha experiência pessoal deixa controvérsias sobre o assunto. Ou eu sou uma pessoa abençoada pela filha que Deus me deu (e sou mesmo) ou há aí uma certa necessidade de manipulação que eu não posso apenas ouvir. Por isso, relato para vocês que tive muitos problemas durante a amamentação da minha filha. Tantos que nem gosto de lembrar e não suporto a ideia de passar por tudo novamente. Mesmo seguindo todas as instruções de alimentação, cuidados e posições para colocar o bebê no seio (de pediatras, pai, mãe e bancos de leite), minha filha simplesmente não aceitava mamar o quanto ela precisava. Eu tirava quantidades fenomenais de leite do peito (não era falta de leite e nunca foi), mas ela não mamava nem um terço do que precisava. O fato é que, com 2 meses de vida, ela já tomava leite em pó (Nan) e todos diziam que eu não devia ter desistido "tão rápido". Mas o que fazer quando um filho não quer o leite do peito? Deixar morrer de fome? Bem, a reportagem dizia que filhos que são amamentados desenvolvem um paladar aguçado. Ora, por favor! Dia desses, J. fez um patê cor-de-rosa que nenhum amigo sabia do que era e ela, ao entrar na cozinha, olhou pro patê, perguntou do que era e ele disse: "experimente", ao que ela prontamente passou uma quantidade generosa num pedaço de pão e respondeu: "Hummmm! Ovas de salmão". Gente, ovas de SALMÃO! Sem contar aquelas caras de "vcs colocaram salsa nesse caldo verde?" que ela faz, ou as frases repentinas como "mamãe, você não vai gostar dessa pizza. Colocaram muito cominho no estrogonofe"... bem, para uma menina de 14 anos, isso é um desenvolvimento e tanto do paladar! Ela reconhece de longe cheiro de maxixe no feijão ou melancia na cozinha... mesmo que a gente esconda a melancia quando chega da feira, ela sabe que entrou melancia em casa! Coisa mais difícil é ela pegar um resfriado. Nunca teve uma cárie, até hoje (e eu não dou açúcar refinado a ela desde que nasceu - antigamente, era só mascavo. Hoje em dia, é orgânico - mas ela também nunca foi proibida de comer doces como bala ou chiclete - J., inclusive, vem de bolsos cheios do free shop a cada viagem). Então eu preciso relatar isso, porque tenho plena consciência de que cada um é cada um e essa história de generalizar crianças, pra mim, não está com nada! Não é peito ou mamadeira que vai desenvolver isso ou aquilo no seu filho! É o bem-estar da criança ao lado da mãe no horário das refeições! Se a mãe sabe conduzir a vida alimentar do seu filho desde o primeiro ano, ele não tem como não gostar de laranja ou alface! Agir com naturalidade, sem forçar situações, e oferecer à criança coisas saudáveis é sempre o melhor caminho para desenvolver a aptidão alimentar do seu filho. Se você conseguir amamentar sem sofrimento o seu filho, faça-o com afinco! Se não, você não é super-heroína de coisa alguma e ele precisa saber disso desde cedo! Ponto.

Vamos à receita, que foi pedido da filha pro almoço:

Quibe de forno recheado:

500g de carne moída para quibe (pode ser patinho, peça "para quibe" no supermercado ou açougue onde você costuma comprar carne, que certamente virá sem gordura alguma);
250g de trigo hidratado (enquanto estiver hidratando, acrescente algumas sementes de cardamomo para aromatizar);
150g de queijo mussarela;
uma pitada de sumac (aquele tempero oriental, responsável por dar acidez e um avermelhado saudável à carne do quibe ou quebab - J. traz da Arábia Saudita. Quem tiver interesse em experimentar, ele fará mais uma ou duas viagens pra lá, ainda dá tempo pedir);
uma pitada de canela em pó;
pimenta-do-reino;
pimenta síria;
um maço de hortelã;
1 cebola cortada em fatias;
azeite ;
sal.

Pegue a carne moída, junte com o trigo hidratado e os temperos. Misture bem. Reserve a cebola e o queijo.

Monte o prato da seguinte forma:

Em um refratário, fie azeite no fundo e faça uma camada com a carne já temperada e misturada.

A próxima camada será com as fatias de cebola e a seguinte, o queijo. Cubra com o restante da carne (sempre fiando azeite em cada camada - cuidado para não exagerar).

Leve ao forno pré-aquecido a 180°, por 30 minutos.

Sirva com aquela deliciosa salada de pepino e iogurte!

A todos, bon appétit!

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