terça-feira, 31 de maio de 2011

Quentão (ou, antes: Vestida e armada com as roupas de Jorge)


Hoje eu fiz quentão! A semana começou gelada e as promessas nos telejornais são de que os próximos dias tendam a esfriar mais um pouquinho. Eu gosto do frio. Principalmente porque nessa época, a cozinha fica mais quente, o fogão está sempre aceso e a casa fica muito mais confortável, com tapetes e cobertores espalhados por todos os cômodos. A gente costuma dormir mais juntinho no inverno, sem o incômodo do calor... os cachorros deixam se aninhar mais próximos a nós nesses dias e os filhos estão sempre buscando um colinho. O inverno é carinhoso para quem tem o agasalho da família. É a época para as paisagens a que não estamos acostumados nos trópicos, época das viagens de carro para o extremo sul, das meias coloridas e pantufas... e época de festa junina! Quentão sempre me lembrou festa junina. Eu trabalhei em um lugar onde as festas juninas eram celebradas com quentão sem álcool, que também é uma delícia. Curiosamente, quentão (mesmo com álcool) também me lembra aquele tempo. E como há histórias engraçadas sobre aquele tempo... eu não costumo falar muito sobre a minha vida particular no trabalho nem acho que esse seja um costume saudável. Há algumas regras para o ambiente profissional, principalmente se você trabalha em empresas, que devem ser respeitadas. Uma delas é a discrição. Pessoas indiscretas, fofoqueiras e brincalhonas demais destroem um grupo harmonioso. Muitas vezes eu fui mal interpretada por não aceitar brincadeiras fora de hora... sobretudo as de duplo sentido - que nunca são apenas brincadeiras, porque vêm envenenadas com o amargo da ironia. E tentar me manter isolada às vezes causou em alguns uma curiosidade desnecessária sobre mim. Tanto que um dia eu soube que havia uma colega de trabalho falando por aí que eu era "macumbeira". Não que a palavra me ofenda, até porque eu tenho, além do respeito profundo a toda e qualquer manifestação de ordem religiosa, um certo estudo sobre a diversidade do tema no meu país, mas é um tanto ridículo você descobrir que foi chamada de "macumbeira" porque mantinha na descrição de seu perfil de uma rede social, a letra de uma das canções (que é também uma oração) mais lindas da Música Popular Brasileira, composta por um dos maiores cantores populares nascido em solo nacional e que fala de um... santo! Então, em homenagem à ex-colega curiosa e precipitada, aqui vai a receita do quentão (com álcool), para brindar os velhos tempos, cheios de mistérios sobre mim: esta grande macumbeira que vos escreve, vestida com as roupas e as armas de Jorge, para que meus inimigos tenham olhos... e não me vejam!

Para 1 litro de vinho tinto seco, você vai precisar de:

2 copos de suco de laranja puro;
2 copos de cachaça;
1 copo de açúcar;
canela em pau;
cravos-da-índia;
pedaços de gengibre.

Coloque tudo em um caldeirão (bem ao estilo das macumbeiras) e mexa até ferver. Deixe assim por mais 10 minutos. Jogue mais um pouco de cachaça e toque fogo para flambar. Sirva quente, em canecas, com uma rodela de laranja para enfeitar. Para acompanhar, cozinhe pinhão.

A todos, bon appétit!

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