terça-feira, 10 de maio de 2011

La Vende: uma visita mágica

Faz tempo que estou devendo este post. Era uma dívida comigo mesma desde que conheci a Polônia e convivi um pouco com as pessoas de lá. Para entender esse país, talvez seja necessário saber um pouco da história dele. Quando os primeiros raios tenebrosos do Nazismo começaram a assolar a Europa, a Polônia era considerada a escória do Velho Mundo, com uma população pobre, formada em sua maioria por operários que trabalhavam em grandes fábricas, muitas vezes pertecentes a judeus; e foi esse um dos motivos que fizeram com que Hitler ordenasse a seus homens a tomada de Varsóvia, iniciando a II Guerra Mundial. O ódio desse homem era tão grande que ele planejou a total destruição da capital polonesa (uma das cidades mais lindas que eu já tive o prazer de conhecer) e instalaria o centro do governo nazista em Cracóvia, talvez no afã de exibir o país como seu troféu. Por isso é que Varsóvia foi completamente destruída e Cracóvia, preservada. Ali, o asno iria humilhar toda a Polônia, instalando-se definitivamente no final da guerra. Felizmente, isso não aconteceu!
Mas, as cicatrizes desses anos de terror estão por toda parte, principalmente no comportamento dos poloneses. São extremamente desconfiados, não fazem questão de agradar o turista nem aceitam bem qualquer tipo de agrado. A língua polonesa - difícil e falada apenas lá - também ajuda a manter essa barreira entre vistante e visitado. Agora, com tanto sofrimento nas costas, com a história pintada nas paredes, ainda em pé, dos campos de concentração, com as fotos de tantos poloneses mortos pelo Nazismo (muitos ou a maioria nem judeus eram), como não entendê-los? Se seus antepassados tivessem sido levados a um campo de concentração, forçados a realizar trabalhos pesados de forma escrava, se tivessem sido torturados, massacrados, fuzilados ou amontoados em câmaras de gás, tudo isso por ordem de um estranho que não falasse a sua língua e não se importasse com seu país, que motivos você teria para confiar novamente em estrangeiros? Principalmente se, até hoje, seu país ainda não tivesse uma moeda forte o suficiente para garantir aos seus cidadãos uma posição de destaque no cenário econômico europeu e se, geograficamente, o clima não favorecesse relações mais calorosas entre as pessoas... pois essa é a Polônia: um país gelado, de pessoas inóspitas! Mas, antes de tudo isso, é um país que aprendeu a tirar proveito do frio! Na Polônia, meus caros, come-se avantajadamente! Os sanduíches são enormes, as batatas são acompanhamento principal de qualquer prato, nas porções de carne vêm meio boi, a cerveja é cobrada em litro por pessoa e os restaurantes vivem lotados! Na cidade de Łódź (conhecida também como a capital do cinema polonês), a pouco mais de 1h de Varsóvia, encontram-se os restaurantes mais bem decorados que já vi. Um exemplo disso é o La Vende, cujo nome faz uma brincadeira com a essência aromática e a tradução francesa de "a venda" - o uso de um nome francês também já indica o tipo de cozinha que você irá encontrar.
Totalmente em estilo provençal, o restaurante busca resgatar o clima romântico e pessoal daquela região da França, fazendo muitas vezes com que a gente esqueça que está em um estabelecimento comercial. Vasinhos de ervas estão por toda a parte, deixando o ambiente naturalmente aromático, além dos móveis em branco envelhecido. As garçonetes, vestidas à moda, completam o cenário! E, como elas sempre demoram pra te atender, você ainda tem mais tempo pra desfrutar de tudo isso! Mas a comida, ahhhh! A comida vale qualquer espera!


De entrada: consommés
Pratos bem apresentados, delicadamente temperados, feitos com produtos fresquinhos, preparados em uma cozinha transparente (o chef trabalha - enquanto você, da sua mesa, pode acompanhar o cuidado que ele está tendo com o seu prato)! O forte da casa são as sopas (ou, em bom polonês, zup), mas se você quer um prato tipicamente local, vá de pierogi, aquela massa que lembra um pastelzinho recheado, hummmm! Pato e porco também são excelentes pedidas do menu. Depois do jantar, não esqueça de pedir um café (nem pelo fato de lá eles prepararem mais de 24 tipos dele, mas pelo charme com que ele vai ser servido):


Espresso servido com a charmosa colher tortinha

Ah, e não esqueça de deixar a gorjeta (lá, é falta de educação não contribuir com os serviços do garçom). Encantador, nostálgico, idílico! Não lembro de outras palavras que possam definir tão bem o La Vende! Ah, contrastante! Sim, porque não há, em toda a gélida Polônia, um lugar tão aconchegante para jantar na companhia de quem você ama!

Para melhores fotos, visite: http://www.lavende.eu

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