terça-feira, 31 de maio de 2011

Quentão (ou, antes: Vestida e armada com as roupas de Jorge)


Hoje eu fiz quentão! A semana começou gelada e as promessas nos telejornais são de que os próximos dias tendam a esfriar mais um pouquinho. Eu gosto do frio. Principalmente porque nessa época, a cozinha fica mais quente, o fogão está sempre aceso e a casa fica muito mais confortável, com tapetes e cobertores espalhados por todos os cômodos. A gente costuma dormir mais juntinho no inverno, sem o incômodo do calor... os cachorros deixam se aninhar mais próximos a nós nesses dias e os filhos estão sempre buscando um colinho. O inverno é carinhoso para quem tem o agasalho da família. É a época para as paisagens a que não estamos acostumados nos trópicos, época das viagens de carro para o extremo sul, das meias coloridas e pantufas... e época de festa junina! Quentão sempre me lembrou festa junina. Eu trabalhei em um lugar onde as festas juninas eram celebradas com quentão sem álcool, que também é uma delícia. Curiosamente, quentão (mesmo com álcool) também me lembra aquele tempo. E como há histórias engraçadas sobre aquele tempo... eu não costumo falar muito sobre a minha vida particular no trabalho nem acho que esse seja um costume saudável. Há algumas regras para o ambiente profissional, principalmente se você trabalha em empresas, que devem ser respeitadas. Uma delas é a discrição. Pessoas indiscretas, fofoqueiras e brincalhonas demais destroem um grupo harmonioso. Muitas vezes eu fui mal interpretada por não aceitar brincadeiras fora de hora... sobretudo as de duplo sentido - que nunca são apenas brincadeiras, porque vêm envenenadas com o amargo da ironia. E tentar me manter isolada às vezes causou em alguns uma curiosidade desnecessária sobre mim. Tanto que um dia eu soube que havia uma colega de trabalho falando por aí que eu era "macumbeira". Não que a palavra me ofenda, até porque eu tenho, além do respeito profundo a toda e qualquer manifestação de ordem religiosa, um certo estudo sobre a diversidade do tema no meu país, mas é um tanto ridículo você descobrir que foi chamada de "macumbeira" porque mantinha na descrição de seu perfil de uma rede social, a letra de uma das canções (que é também uma oração) mais lindas da Música Popular Brasileira, composta por um dos maiores cantores populares nascido em solo nacional e que fala de um... santo! Então, em homenagem à ex-colega curiosa e precipitada, aqui vai a receita do quentão (com álcool), para brindar os velhos tempos, cheios de mistérios sobre mim: esta grande macumbeira que vos escreve, vestida com as roupas e as armas de Jorge, para que meus inimigos tenham olhos... e não me vejam!

Para 1 litro de vinho tinto seco, você vai precisar de:

2 copos de suco de laranja puro;
2 copos de cachaça;
1 copo de açúcar;
canela em pau;
cravos-da-índia;
pedaços de gengibre.

Coloque tudo em um caldeirão (bem ao estilo das macumbeiras) e mexa até ferver. Deixe assim por mais 10 minutos. Jogue mais um pouco de cachaça e toque fogo para flambar. Sirva quente, em canecas, com uma rodela de laranja para enfeitar. Para acompanhar, cozinhe pinhão.

A todos, bon appétit!

sábado, 28 de maio de 2011

Bolo integral


E foi só eu falar que não faço muito doce aqui em casa pra passar uma semana só testando receita doce!!!! Depois do pudim de dia desses, fui convencida a tentar fazer novamente um quindim! O fato é o seguinte: as receitas que achei nos blogs por aí não funcionam! A que funcionou foi a do "santo de casa": a receita de quindim da sogra fez sucesso, mas na hora que fui desenformar, quebrou-se tudo e não pude fotografar. Mas vou repetir pra postar aqui, porque aquela ali vale a pena!
Daí que hoje a filha vai a uma festa aqui no condomínio e convidou as amigas para se arrumarem aqui em casa (essa fase é linda e acho que minha filha sabe aproveitá-la muito mais do que eu aproveitei. Eu era muito tímida para ir a festas. E ela sabe que aqui em casa, a coisa funciona assim: notas boas e bom comportamento social geram a recompensa da confiança. Então, os finais de semana dela sempre têm minha aprovação para reuniõezinhas sociais e recepção de amigos, que é uma forma saudável de se viver). E essa coisa das amigas virem se arrumar aqui está se tornando algo profissional. Semana passada, ela me pediu pra comprar um curso de maquiagem num desses sites de compras coletivas e eu indaguei a necessidade disso. Ela me convenceu quando disse que é tão boa nisso, que é sempre a escolhida para arrumar os cabelos e fazer a make up das amigas. Então, aproveitei que a casa vai estar cheia logo mais e fui testar uma receitinha saudável pras garotas comerem antes de ir à festinha: o bolo integral da Geisa!
A Geisa é minha vizinha e síndica do prédio. Dia desses, ela tocou aqui na porta pra deixar um pedaço de bolo que tinha acabado de sair do forno! O cheiro logo tomou conta da casa e fomos obrigados a largar tudo o que estávamos fazendo e preparar um chá pra acompanhar imediatamente aquela gostosura! Lógico que pedi a receita! E a autorização para postá-la aqui... lá vai:

Bolo integral:

Untar a forma.
Numa bacia grande, juntar:

2 xíc. de trigo integral (do mais fino)
1xíc. de gérmen de trigo ou farelo de trigo
1 xíc. de aveia grossa
1 xíc. de açúcar mascavo
1 colher fermento químico
1 colher de chocolate em pó (ou cacau) - Ela u
sa cacau
1 colher de linhaça

Mexer tudo muito bem até que se misture.

Colocar aos poucos óleo de girassol e ir mexendo até fazer uma farofa úmida, mexer bem esta farofa pra ir absorvendo o óleo e assim não precisar colocar muito. (aqui uma dica: a receita original é 1xíc., mas ela coloca sempre menos).

Pronta a farofa, reserve.

Recheio de banana: picar 6 bananas em rodelas espremer em cima delas, num prato, meio limão (evita que elas oxidem) e canela.

Recheio de maçã e passas, o mesmo procedimento. 2 maçãs em cubo já é o suficiente. (Eu fiz recheio de maçã e passas).

Montagem:

Na forma untada, despejar metade da farofa, depois o recheio de leve, sem socar, despejar o restante da farofa.

Por último, bater um ovo com uma xícara de leite e pingar algumas gotinhas de baunilha, ou salpicar açúcar de baunilha e despejar por cima do bolo devagar, com ajuda de uma colher, certificando-se de que toda a massa absorveu o líquido. Dar uma batidinha com a forma na pia só pro conteúdo se ajeitar, 40 a 50 minutos d
e forno a 180°.

Por cima de tudo, antes de ir ao forno, colocar gergelim ou aveia grossa pra ficar com aparência legal.

É só fazer um chá pra acompanhar... e nas tardes frias que prometem fazer por aqui nesse inverno, esse bolo vai ser uma excelente pedida!

A todos, bon appétit!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Pudim de leite



O sucesso do pudim de leite condensado é inquestionável. Aqui em casa, como todo mundo já sabe, doce é última alternativa. Muito embora frutas sejam sempre bem-vindas por aqui, uma ou outra vez eu arrisco e faço algum prato doce pra variar. Mas prefiro escolher as ocasiões em que vamos receber visita, porque assim eu sei que não corro o perigo de desperdiçar ingredientes. A única sobremesa, no entanto, em que me arrisco a fazer quando estamos só nós três em casa é o pudim de leite condensado. Todo mundo gosta e dia desses eu descobri um segredinho que faz toda a diferença. A receita que vou postar é a da Jô, empregada doméstica dos meus pais. Ela está há alguns anos com eles e é uma companhia para minha mãe - agora uma senhora aposentada - quando meu pai está no trabalho. Também é ela que entende e sabe lidar com as peraltices do meu sobrinho e quando minha irmã fica sem babá (quase sempre) na casa dela, é a Jô que corre pra apagar o incêndio. Quando fui visitá-los, há dois meses, experimentei o pudim dela e depois a fiz repetir a receita pra eu aprender direitinho.

Os ingredientes são os mesmos: 1 lata de leite condensado de boa qualidade; a mesma medida de leite de vaca integral; 4 ovos - mas aqui vai o primeiro truque: usa-se apenas as gemas! Bate no liquidificador. Em uma forma própria para pudim, derrete o açúcar com a água, até fazer aquela calda clássica. Despeja o líquido batido e leva ao forno em banho-maria por 45 minutos. Segundo segredinho: cubra a forma com papel alumínio, para que o pudim não fique com aqueles furinhos. Desligue o forno, espere esfriar, desenforme e leve à geladeira para servir gelado.

A todos, bon appétit!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Moqueca de Linguado


A receita de hoje é tão fácil de fazer e fica pronta tão rapidinho que, se você eu fosse, corria pra comprar um peixinho e fazer pro jantar (ainda dá tempo). Saudável e nutritiva, a ideia da moqueca de Linguado surgiu quando encontramos postas desse peixe de quase 1 kg cada uma hoje pela manhã, no Mercado Público. Fizemos pro almoço, delícia!

Você vai precisar de:

1 kg de postas de Linguado frescas;
5 ou 6 tomates maduros picados em cubinhos;
1 cebola grande cortada em cubinhos;
1 pimentão vermelho em cubinhos;
1 talo de alho-poró cortado em rodelas finas;
3 dentes de alho picadinhos;
azeite de oliva;
pimenta-do-reino;
1 folha de louro;
1 maço de coentro picado;
açafrão-da-terra;
colorau;
1/2 limão;
sal.


Em uma panela de barro, com o fogo desligado, coloque o azeite, uma camada dos vegetais, deite o peixe temperado com o limão, a pimenta-do-reino e o sal sobre essa "cama" e forre-o com o restante dos vegetais. Ligue o fogo baixo e deixe cozinhar com a panela aberta até abrir fervura. Em seguida, tampe a panela e desligue o fogo. Sirva com arroz branco e farofa de dendê.

A todos, bon appétit!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A lenda de Montmartre e Midnight in Paris


Bal du Moulin de la Galette, Montmartre. Renoir, 1876.

Quando nós acordamos naquela manhã em Paris, J. sabia exatamente aonde me levaria. Eu também sabia, porque ele havia me dito na véspera. O que ele não me disse, mas eu li nos olhos marotos de quem está querendo me pregar uma peça, era que Montmartre seria meu lugar preferido na Cidade-Luz. E ele já sabia disso quando planejou tudo para aquela manhã. Conhecido como o mais boêmio bairro da capital francesa, Montmartre desde sempre foi frequentado por artistas de todas as gerações e guardou essa magia de ruas que viraram quadros famosos, lugares onde aconteceram inesquecíveis espetáculos, moinhos onde se vendiam bolos, pães e leite para pacatos criados que serviriam a mesa de seus senhores. A colina de Montmartre abriga a Basílica do Sacre Coeur, que recebeu esse nome porque, segundo a lenda, lá teria sido o lugar de martírio do primeiro bispo de Paris, no século III. Também foi lá que a Companhia de Jesus foi fundada, por Santo Inácio de Loyola.
Naquela manhã, descemos na estação de metrô e optamos por não embarcar no funiculaire até o alto do morro, porque J. também sabia o quão prazerosa seria para ambos aquela subida pelos degraus da Sacre Coeur. E ainda naquelas ruas, cheias de cafés, até chegar à frente dos degraus, meus olhos já pareciam duas crianças querendo soltar a mão do pai e sair correndo e pulando, pulando e dançando a dança maluca das crianças felizes! Cada pintura, cada rabisco, cada arte de rua pra mim, ali, era o mais perfeito quadro francês! As gravuras, que tanto amo, pareciam querer vir todas pra minha bolsa, me chamavam, cantando La vie en rose enquanto eu flutava pelas calçadas. Daí eu vi o carrossel!!!! E eu tive novamente 13 anos de idade! Meu coração saltava e eu queria gritar "você é lindo como uma história da carochinha" pro meu marido, parafraseando o poeta moderno! Mas eu só conseguia sentir meu coração saltar em trotes largos dentro do peito! E subir os degraus foi fácil, porque eu estava tão empolgada que poderia ter subido num fôlego só! Lá de cima, na frente da catedral, admirei Paris com o estômago (dizem que quando uma emoção é muito forte, você a sente com o estômago. Sabe no dia do casamento, que você não consegue comer nada? Ou enquanto você espera o resultado de uma prova de que você gostou muito e é tão importante pra você? Aquela pontada no estômago que te faz suar frio e a sensação de prazer que vem junto com o final... as pernas bambas, o nó na garganta... emoções fortes são estomacais). Depois ele me abraçou, no frio daquela manhã, me apontando pacientemente em meio àquela paisagem onde estavam a Torre Eiffel, a Notre Dame, o rio Sena, então caminhamos feito adolescentes, que vão fazer alguma coisa juntos pela primeira vez, até a praça central... os artistas, as lojinhas, as vitrines mágicas, tudo era motivo de felicidade! E tinha um mendigo tocando flauta e tinha um senhor com seu realejo e mais um outro com relógios-cuco e tinha aquela loja de doces colorida e o oriental fazendo tartiflette num grande tacho de ferro (esperamos 40 minutos pra comer a iguaria em pé, numa esquina, com talheres descartáveis... e foi a refeição mais prazerosa daqueles dias em Paris... ainda posso sentir o cheiro do reblochon com pimenta-do-reino) e tínhamos nós dois e todo o Montmartre. De repente, caíram uns floquinhos discretos de neve... e eu só não chorei porque alguns brasileiros, tão envaidecidos quanto eu, começaram a gritar e quebraram todo o encanto de um momento que devia ser só nosso! E eu quase voltei à realidade... se ele não tivesse me puxado pra perto do peito e me beijado pra dizer que sim, aquele ainda era o meu conto de fadas! No outro dia, bem... depois de sairmos tontos de um museu, adivinhem onde pensamos em jantar um autêntico moules-frites? Em Montmartre (dessa vez, subimos de funiculaire)... e caminhar novamente sobre aquelas calçadas não me pareceu familiar! Era tudo mágico e único novamente! Era a primeira vez, de novo!
Agora vem o Woody Allen com esse filme sobre a noite em Paris... que eu mal posso esperar pra assistir! Que segredo Montmartre ainda me revelará? O que mais de mim aquele bairro ainda tem pra contar?

A todos, à bientôt!

sábado, 14 de maio de 2011

Quibe de forno recheado

E, para quem acha que carne vermelha é veneno, aqui vai uma receitinha muito prática e saudável com ela que, em alguns casos, é a grande vilã da alimentação! A propósito, por falar em vilão, eu preciso desabafar sobre o Globo Repórter de ontem e, antes da receita, abrirei enormes parênteses aqui para um assunto que considero importante! Concordo com muitos ensinamentos do programa sobre os alimentos (cheiros, texturas e a importância do tato na língua e do olfato na alimentação). Mas eu preciso expor minha opinião sobre o aleitamento materno. Vejam bem: é a minha opinião, a minha experiência. Aquilo que eu tenho de mais particular na minha vida! Não quero discordar do programa e das campanhas promovidas a favor do ato de amamentar que eu acho, sim, muito importante (para mãe e filho). Mas o programa de ontem disse que as crianças desenvolvem melhor suas capacidades gustativas a partir da amamentação. Eu sei que isso é baseado em pesquisas e quem sou eu pra ir contra a Ciência, não é? Mas a minha experiência pessoal deixa controvérsias sobre o assunto. Ou eu sou uma pessoa abençoada pela filha que Deus me deu (e sou mesmo) ou há aí uma certa necessidade de manipulação que eu não posso apenas ouvir. Por isso, relato para vocês que tive muitos problemas durante a amamentação da minha filha. Tantos que nem gosto de lembrar e não suporto a ideia de passar por tudo novamente. Mesmo seguindo todas as instruções de alimentação, cuidados e posições para colocar o bebê no seio (de pediatras, pai, mãe e bancos de leite), minha filha simplesmente não aceitava mamar o quanto ela precisava. Eu tirava quantidades fenomenais de leite do peito (não era falta de leite e nunca foi), mas ela não mamava nem um terço do que precisava. O fato é que, com 2 meses de vida, ela já tomava leite em pó (Nan) e todos diziam que eu não devia ter desistido "tão rápido". Mas o que fazer quando um filho não quer o leite do peito? Deixar morrer de fome? Bem, a reportagem dizia que filhos que são amamentados desenvolvem um paladar aguçado. Ora, por favor! Dia desses, J. fez um patê cor-de-rosa que nenhum amigo sabia do que era e ela, ao entrar na cozinha, olhou pro patê, perguntou do que era e ele disse: "experimente", ao que ela prontamente passou uma quantidade generosa num pedaço de pão e respondeu: "Hummmm! Ovas de salmão". Gente, ovas de SALMÃO! Sem contar aquelas caras de "vcs colocaram salsa nesse caldo verde?" que ela faz, ou as frases repentinas como "mamãe, você não vai gostar dessa pizza. Colocaram muito cominho no estrogonofe"... bem, para uma menina de 14 anos, isso é um desenvolvimento e tanto do paladar! Ela reconhece de longe cheiro de maxixe no feijão ou melancia na cozinha... mesmo que a gente esconda a melancia quando chega da feira, ela sabe que entrou melancia em casa! Coisa mais difícil é ela pegar um resfriado. Nunca teve uma cárie, até hoje (e eu não dou açúcar refinado a ela desde que nasceu - antigamente, era só mascavo. Hoje em dia, é orgânico - mas ela também nunca foi proibida de comer doces como bala ou chiclete - J., inclusive, vem de bolsos cheios do free shop a cada viagem). Então eu preciso relatar isso, porque tenho plena consciência de que cada um é cada um e essa história de generalizar crianças, pra mim, não está com nada! Não é peito ou mamadeira que vai desenvolver isso ou aquilo no seu filho! É o bem-estar da criança ao lado da mãe no horário das refeições! Se a mãe sabe conduzir a vida alimentar do seu filho desde o primeiro ano, ele não tem como não gostar de laranja ou alface! Agir com naturalidade, sem forçar situações, e oferecer à criança coisas saudáveis é sempre o melhor caminho para desenvolver a aptidão alimentar do seu filho. Se você conseguir amamentar sem sofrimento o seu filho, faça-o com afinco! Se não, você não é super-heroína de coisa alguma e ele precisa saber disso desde cedo! Ponto.

Vamos à receita, que foi pedido da filha pro almoço:

Quibe de forno recheado:

500g de carne moída para quibe (pode ser patinho, peça "para quibe" no supermercado ou açougue onde você costuma comprar carne, que certamente virá sem gordura alguma);
250g de trigo hidratado (enquanto estiver hidratando, acrescente algumas sementes de cardamomo para aromatizar);
150g de queijo mussarela;
uma pitada de sumac (aquele tempero oriental, responsável por dar acidez e um avermelhado saudável à carne do quibe ou quebab - J. traz da Arábia Saudita. Quem tiver interesse em experimentar, ele fará mais uma ou duas viagens pra lá, ainda dá tempo pedir);
uma pitada de canela em pó;
pimenta-do-reino;
pimenta síria;
um maço de hortelã;
1 cebola cortada em fatias;
azeite ;
sal.

Pegue a carne moída, junte com o trigo hidratado e os temperos. Misture bem. Reserve a cebola e o queijo.

Monte o prato da seguinte forma:

Em um refratário, fie azeite no fundo e faça uma camada com a carne já temperada e misturada.

A próxima camada será com as fatias de cebola e a seguinte, o queijo. Cubra com o restante da carne (sempre fiando azeite em cada camada - cuidado para não exagerar).

Leve ao forno pré-aquecido a 180°, por 30 minutos.

Sirva com aquela deliciosa salada de pepino e iogurte!

A todos, bon appétit!

terça-feira, 10 de maio de 2011

La Vende: uma visita mágica

Faz tempo que estou devendo este post. Era uma dívida comigo mesma desde que conheci a Polônia e convivi um pouco com as pessoas de lá. Para entender esse país, talvez seja necessário saber um pouco da história dele. Quando os primeiros raios tenebrosos do Nazismo começaram a assolar a Europa, a Polônia era considerada a escória do Velho Mundo, com uma população pobre, formada em sua maioria por operários que trabalhavam em grandes fábricas, muitas vezes pertecentes a judeus; e foi esse um dos motivos que fizeram com que Hitler ordenasse a seus homens a tomada de Varsóvia, iniciando a II Guerra Mundial. O ódio desse homem era tão grande que ele planejou a total destruição da capital polonesa (uma das cidades mais lindas que eu já tive o prazer de conhecer) e instalaria o centro do governo nazista em Cracóvia, talvez no afã de exibir o país como seu troféu. Por isso é que Varsóvia foi completamente destruída e Cracóvia, preservada. Ali, o asno iria humilhar toda a Polônia, instalando-se definitivamente no final da guerra. Felizmente, isso não aconteceu!
Mas, as cicatrizes desses anos de terror estão por toda parte, principalmente no comportamento dos poloneses. São extremamente desconfiados, não fazem questão de agradar o turista nem aceitam bem qualquer tipo de agrado. A língua polonesa - difícil e falada apenas lá - também ajuda a manter essa barreira entre vistante e visitado. Agora, com tanto sofrimento nas costas, com a história pintada nas paredes, ainda em pé, dos campos de concentração, com as fotos de tantos poloneses mortos pelo Nazismo (muitos ou a maioria nem judeus eram), como não entendê-los? Se seus antepassados tivessem sido levados a um campo de concentração, forçados a realizar trabalhos pesados de forma escrava, se tivessem sido torturados, massacrados, fuzilados ou amontoados em câmaras de gás, tudo isso por ordem de um estranho que não falasse a sua língua e não se importasse com seu país, que motivos você teria para confiar novamente em estrangeiros? Principalmente se, até hoje, seu país ainda não tivesse uma moeda forte o suficiente para garantir aos seus cidadãos uma posição de destaque no cenário econômico europeu e se, geograficamente, o clima não favorecesse relações mais calorosas entre as pessoas... pois essa é a Polônia: um país gelado, de pessoas inóspitas! Mas, antes de tudo isso, é um país que aprendeu a tirar proveito do frio! Na Polônia, meus caros, come-se avantajadamente! Os sanduíches são enormes, as batatas são acompanhamento principal de qualquer prato, nas porções de carne vêm meio boi, a cerveja é cobrada em litro por pessoa e os restaurantes vivem lotados! Na cidade de Łódź (conhecida também como a capital do cinema polonês), a pouco mais de 1h de Varsóvia, encontram-se os restaurantes mais bem decorados que já vi. Um exemplo disso é o La Vende, cujo nome faz uma brincadeira com a essência aromática e a tradução francesa de "a venda" - o uso de um nome francês também já indica o tipo de cozinha que você irá encontrar.
Totalmente em estilo provençal, o restaurante busca resgatar o clima romântico e pessoal daquela região da França, fazendo muitas vezes com que a gente esqueça que está em um estabelecimento comercial. Vasinhos de ervas estão por toda a parte, deixando o ambiente naturalmente aromático, além dos móveis em branco envelhecido. As garçonetes, vestidas à moda, completam o cenário! E, como elas sempre demoram pra te atender, você ainda tem mais tempo pra desfrutar de tudo isso! Mas a comida, ahhhh! A comida vale qualquer espera!


De entrada: consommés
Pratos bem apresentados, delicadamente temperados, feitos com produtos fresquinhos, preparados em uma cozinha transparente (o chef trabalha - enquanto você, da sua mesa, pode acompanhar o cuidado que ele está tendo com o seu prato)! O forte da casa são as sopas (ou, em bom polonês, zup), mas se você quer um prato tipicamente local, vá de pierogi, aquela massa que lembra um pastelzinho recheado, hummmm! Pato e porco também são excelentes pedidas do menu. Depois do jantar, não esqueça de pedir um café (nem pelo fato de lá eles prepararem mais de 24 tipos dele, mas pelo charme com que ele vai ser servido):


Espresso servido com a charmosa colher tortinha

Ah, e não esqueça de deixar a gorjeta (lá, é falta de educação não contribuir com os serviços do garçom). Encantador, nostálgico, idílico! Não lembro de outras palavras que possam definir tão bem o La Vende! Ah, contrastante! Sim, porque não há, em toda a gélida Polônia, um lugar tão aconchegante para jantar na companhia de quem você ama!

Para melhores fotos, visite: http://www.lavende.eu

sábado, 7 de maio de 2011

Batatas al murro

Dizem que as batatas al murro nasceram na culinária portuguesa, o que deve ser verdade, já que portugueses e batatas têm tudo a ver!
A primeira vez que comi as papas al murro, no entanto, foi num restaurante maravilhoso de Buenos Aires, o Olsen (já falei dele aqui, em algum lugar).
Hoje eu testei duas receitas dessas batatas e vou passar aqui pra vocês. A primeira delas foi enviada pela cunhada e é um tanto diferente da que eu conhecia. Aqui vão os dois modos de fazer, como uma dica pra um jantar naqueles dias que você mal comeu qualquer coisa (é rápido e prático, com ingredientes que estão sempre à mão):

1. Receita da cunhada

Cozinhe 5 batatas grandes (a maior que tiver) na água com sal, retire a casca e aguarde esfriar um pouco. Em seguida, amasse levemente com a mão, como se tivesse dado um murro. Cuidado pro murro não ser muito forte. A ideia é rachá-la levemente. Coloque por cima de cada uma: 1 colher de sobremesa de requeijão, bacon em cubinhos, 1 pouquinho de manteiga, 1 colher de creme de leite e queijo parmesão ralado na hora. Asse no forno baixo por 15 minutos e salpique salsa. Sirva em seguida.


2. Como eu conhecia

O procedimento é o mesmo (alguns não tiram a casca). Então, numa forma, coloca-se as batatas, pincela com manteiga e salpica alecrim. Cobre a forma com papel alumínio e leva ao forno alto por 20 minutos. Em seguida, retira e rega com azeite. Aqui, você encontra um vídeo bem educativo para ajudá-lo!

A todos, bon appétit!

Cardápio mineiro


Foto retirada de www.ecoviagem.uol.com.br

Dia desses, o marido estava com desejo de costelinha de porco à mineira... e eu, que nunca tinha me metido a preparar um autêntico cardápio mineirinho, enfrentei o desafio. Coisa de terça-feira, hora do almoço, pra quebrar a rotina! Não é que deu certo? Basicamente, um arroz branco com alho, tutu de feijão e as esperadas costelinhas serviram bem a mesa aqui de casa. A salada de rúcula com maçã não foi nem mexida (mas se eu não tivesse feito, todos teriam reclamado, podem apostar), mas como não tinha couve mineira pra fazer a clássica couve refogadinha, foi o que tinha na geladeira.
Então, vamos lá:

Para as costelinhas à mineira:
  • 1 kg de costelinhas de porco
  • 3 dentes de alho picados
  • 1 cebola picada
  • sal
  • 1/2 xícara de chá de cachaça
  • 2 colheres de sopa de suco de limão
  • açafrão da terra
  • 1 colher de chá de louro
  • 2 colheres de sopa de salsa picada
  • 1/2 xícara de chá de azeite
  • 1 xícara de água quente
  • salsinha e cebolinha picadas
  • sálvia e alecrim

Modo de preparo:

  1. Corte as costelinhas, lave e deixe marinando no limão por, mais ou menos, uma hora; coloque em uma panela (se tiver panela de barro, excelente).
  2. Junte às costelinhas o azeite, a cebola e o alho; deixe dourar.
  3. Adicione os demais temperos (menos a salsinha e a cebolinha), deixe refogar, coloque a água, tampe a panela e cozinhe por aproximadamente 40 minutos ou até a carne amaciar sem desmanchar.
  4. Termine o cozimento com a panela destampada até secar. Por último, jogue por cima salsinha e cebolinha picadas.




Para o Tutu de feijão:


No meu caso, foi assim: tinha mais ou menos 500g de feijão preto, já pronto, congelado. Descongelei, passei no liquidificador, no modo "quick pic". Em uma frigideira, torrei cubos de bacon (o que o meu fogão ajuda bastante - dia desses descobri que consigo fazer a pururuca perfeita nele) fritei cebola, alho e linguiça calabresa separadamente, joguei o feijão processado na frigideira da linguiça, acrescentei farinha de mandioca, aos poucos, até engrossar e, por último, o bacon e cheiro verde. Ficou assim:






A todos, bon appétit!

Em tempo: como falar em comida mineira e esquecer o acompanhamento principal? É lógico que antes de tanta costelinha, tanta linguicinha, vai bem uma cachacinha, não é? Pois bem... a indicação nem é cachaça mineira, porque não sou do tipo traidora e, verdade seja dita: se tem uma coisa que a Paraíba sabe fazer é cachaça! Os alambiques dos engenhos paraibanos são reconhecidamente especiais e, então, não posso deixar de mencionar a deliciosa aguardente Volúpia, ganhadora de vários prêmios por aí afora. Segundo o marido, uma das melhores que ele já tomou (e olha que ele tem sangue mineiro)!

Sempre que vou à terrinha, é obrigação deixar lugar na mala para algumas garrafinhas, que eu sempre compro lá na Casa do Sertão, pertinho do mercado de artesanatos, em João Pessoa. Quando formos novamente pras bandas de lá, J. já avisou que uma visita ao engenho da Volúpia, em Alagoa Grande, será obrigatória. Aqui no Sul é difícil achar pra comprar, mas alguns sites vendem e entregam aqui. É só pesquisar...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Bolinhos de bacalhau



Olha, já testamos várias receitas de bolinhos de bacalhau e tínhamos uma frustração muito grande de não conseguir acertar que ele ficasse igualzinho ao mais gostoso de todos os bolinhos de bacalhau que eu, pelo menos, já experimentei: o bolinho do Hocca, lá no mercado público de São Paulo (aliás, quem nunca foi ao mercadão, não sentiu o cheiro daquelas frutas, não provou algum tempero exótico vendido apenas lá, não visitou os boxes de peixe e não comeu o bolinho de bacalhau e o sanduíche de mortadela do Hocca, tá passando pela vida e não tá vivendo! Não é apenas isso, é muito mais: os vitrais coloridos do lugar, o entra e sai de estivadores, chefs, empregados, curiosos, a proximidade com o Brás... é São Paulo acontecendo, é cotidiano, é o ponto de encontro de um Brasil muito do brasileiro).
Pois que de tanto pesquisar e testar, chegamos à bendita receita, que não leva batata coisa alguma! O que dava errado nas receitas que eu testava era a batata, gente! Inclusive tem uma senhora que ensinou a fazer um bolinho, na tv, que era uma quantidade de bacalhau para a mesma quantidade de batata. E só! Isso não dá certo. Pode tentar com todo o bacalhau do mundo que nunca vai dar certo! Quando você coloca essa massa em óleo quente, vira papa! A receita do Hocca vai só bacalhau temperado e desfiado. O segredo é uma pitada de amido antes de fritar. Ponto.



Ingredientes:

- 500 g de bacalhau do porto desfiado
- salsinha picada
- cebola picada
- 2 ovos
- 100 g de amido de milho (a gente colocou apenas 50g e deu mais que certo - só precisa de um pouquinho mesmo).
- 100 ml de azeite extravirgem
- alho picado.

Modo de Preparo:
Cozinhe o bacalhau desfiado até ferver. Em seguida, misture bem os ingredientes. Quando a massa estiver homogênea, faça o formato do bolinho usando as mãos ou, se preferir, duas colheres. Frite e sirva.
A dica é fazer em casa e depois ir até o mercado público de São Paulo para experimentar o bolinho de bacalhau do Hocca, com bastante azeite e uma cerveja gelada... vai ver se não fica igualzinho!
A todos, bon appétit!

P.S.: aproveitamos a oportunidade para tomar um Docetto d'Alba que, em tempo, prefiro muito mais a sonoridade do nome ao vinho em si!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Degustação de vinhos brancos


Ontem, a confraria de J. se reuniu novamente (acho que depois da última reunião, eles resolveram que nós, as esposas, também poderíamos participar de algumas das degustações e então, com o número de participantes dobrado, o evento aconteceu no salão de festas aqui do prédio). Foi uma noite muito descontraída e mais uma excelente oportunidade para aprender sobre o mundo dos vinhos em um ambiente agradável, na companhia de pessoas muito legais!
O objetivo da degustação era harmonizar 3 vinhos brancos franceses (um, do Vale do Loire continental - Sancerre -, um do Vale do Loire atlântico - Muscadet-Sèvre et Maine - e um Chablis) com 3 pratos de ostras. A brincadeira consistia em descobrir qual receita de ostra ficaria melhor para cada tipo de vinho degustado.
J. fez então uma seleção das melhores ostras para que elas fossem degustadas in natura (apenas com umas gotinhas de limão) - o que, aliás, é a harmonização mais clássica para brancos do Loire.



Em seguida, J. preparou um tartare de ostras (muito simples: ostras in natura retiradas da casca e picadas, misturadas a cebola e tomate picados e temperadas com azeite e limão. Em seguida, retira-se a pele e a semente de tomatinhos-cereja, com cuidado para não abri-los, e recheia com o tartare).


Por último, J. preparou suas famosas (e deliciosas) ostras gratinadas (simples assim: cozinha as ostras no vapor, para abrir a casca. Enquanto isso, prepara o creme: frita cebola na manteiga, junto com o alho-poró, sem deixar escurecer. Mistura farinha de trigo na manteiga, mexendo rápido até dissolver completamente, adiciona um cálice de vinho branco, leite e creme de leite fresco em partes iguais. Mexe até engrossar - até que ele forme uma camada fina sobre a colher de pau - tempere com noz moscada, pimenta branca e raspas de limão-siciliano. Para finalizar, uma colherzinha de manteiga, depois que desligar o fogo. Jogue por cima das ostras na parte mais funda da casca, polvilhe parmesão ralado na hora e leve ao forno para gratinar ).

Para o resultado do nosso joguinho: apesar do Sancerre ter feito diferença nessa harmonização, o Muscadet-Sèvre et Maine e o Chablis brincaram muito bem com todos os tipos de ostras. Sendo que o Muscadet se mostrou mais leve e harmonizou melhor (como já sabíamos que aconteceria) com a ostra ao natural. O Chablis, em plena juventude, com sua acidez mais vibrante, limpava melhor a manteiga da ostra gratinada. O Sancerre, apesar de ter sido o vinho mais surpreendente da noite, tinha um perfil aromático mais expressivo, que pedia pratos mais elaborados.