sábado, 30 de abril de 2011

Um porto seguro na Lagoa da Conceição


Foto retirada de http://restaurantevillamaggioni.com.br

Quem visita este blog desde seu surgimento, com certeza já leu alguma coisa sobre a indicação de hoje. Não demos o nome deste post por acaso. Na verdade, o restaurante Villa Maggioni, localizado à beira da Lagoa da Conceição, é muito mais que um bistrô onde você encontra uma excelente comida e não se arrepende pelo que paga. É um lugar pelo qual temos um carinho enorme. Foi onde escolhemos casar e onde vamos, todo ano, comemorar nosso casamento (a vantagem de fazer a cerimônia civil e a religiosa em um restaurante é que, enquanto ele existir, você pode revisitá-lo e viver as recordações daquele dia novamente). Foram vários os motivos que nos fizeram escolher esse jardim gastronômico e o primeiro deles, é claro, foi a comida! De todos os pratos que nos deram para degustar, em todos os lugares onde pensamos em nos casar, apenas o Villa Maggioni não decepcionou em nada (já fui a lindos casamentos em que o arroz servido estava estragado por mau acondicionamento, também já achei cabelo de gente em molho de estrogonofe de buffet e esses eram os menores dos riscos que eu gostaria de correr. A comida sempre foi nosso forte, não poderíamos decepcionar nossos convidados justamente nisso).
Detalhe do nosso menu (foto de Fernando Willadino)
Outro motivo para termos optado por esse lugar é que não há uma vista mais linda daquilo que pode descrever Florianópolis numa manhã de sol. Muitos outros lugares na Ilha possuem lindas paisagens para se fazer um casamento, mas lá foi especial desde a primeira vez em que estivemos naquele jardim.


Decoração, dia do nosso casamento (fotos de Fernando Willadino)
Com poucas mesas, tipicamente preparado para pequenos grupos, o local é visualmente deslumbrante e discreto. O ambiente é decorado com orquídeas e peças antigas, que mais nos lembram objetos trazidos de viagens pelo mundo (um abajur marroquino, uma cortina portuguesa, um vaso oriental). A cozinha mediterrânea guarda os toques cítricos e perfumados, exclusivos do chef Rodolpho Gualtiere, e se você for até lá em um dia comum, entre alguns pratos que não podem deixar de ser experimentados está o carro-chefe do seleto cardápio: a exclusivíssima salada marroquina, feita com coração de alface, água de flor de laranjeira, tâmaras, lâminas de amêndoas tostadas e um toque de canela. O pappardelle al ragu de cordeiro também é um espetáculo à parte, com a massa feita na hora para o cliente! A casa funciona no sistema à la carte e você não vai se arrepender se pedir como entrada os charutinhos de folha de uva com coalhada seca (as folhas são trazidas do Líbano). As sobremesas ficam por conta do pâtissier Mohamad Chahín, que confecciona com primor inesquecíveis charlottes e uma grande variedade de doces árabes. A propósito dos doces, como eles sempre gostam de esclarecer:
"em nenhuma das tortas ou doces se utiliza gorduras hidrogenadas, leite condensado ou qualquer aditivo químico, sendo que o uso de açucar é também parcimonioso"

No cardápio diário, estão sempre presentes o inesquecível tiramisù e cheesecake de goiaba. Mas eu não deixo de pedir, como sobremesa, meu cálice de Adriano Ramos Pinto. A propósito, a oferta de vinhos é satisfatória, com uma seleção de bons rótulos de vários países (incluindo alguns exemplares de SC), divididos em velho e novo mundos. O serviço é exemplar: taças adequadas, vinho na temperatura certa... na nossa visita de hoje, devido à diversidade dos pratos escolhidos, optamos por um rosé da serra catarinense, o Taipa 2010, da Vinícola Pericó. Coloração de intensidade média com reflexos casca de cebola. Muito elegante nos aromas, com morangos silvestres e leve toque floral. Na boca, mostrou ótima refrescância, leve sapidez e bom volume para um rosado. Mais uma boa prova da vocação vinícola de nossas terras, quando bem exploradas.
Depois de tudo isso, é fácil perceber porque o
Villa Maggioni era, até bem pouco tempo atrás, o único do Sul do Brasil com 3 estrelas no Frommer's* (pontuação máxima do referido guia internacional) e recentemente citado no The New York Times como um dos melhores restaurantes de Floripa. A propósito, cada dia melhor...

* O bistrô D'Acâmpora também apareceu, recentemente, com a mesma pontuação, mas lá nós ainda não comemos... já fomos ao falecido Pimenta Limão, do mesmo dono, mas como não existe mais, deixa pra lá...

A todos, bon appétit!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Pasta de tomate seco e futeba na TV

Eu já ensinei como se faz tomate seco, mas se você tem um vidrinho dele aí na sua geladeira completando aniversário, vou passar a receita de uma pasta de tomate seco que fiz agora à tarde, depois que aceitei o convite do marido pra assistir Real Madrid X Barcelona, com comentários do ex-Fenômeno e Heineken gelada!
Basicamente isso, as medidas foram no olho mesmo (para cada bocado de tomate seco que você usar, um terço de cada ingrediente adicional), no processador:
Tomates secos;
azeitonas pretas sem caroço;
alcaparras;
ragu de pão (que é um nome chique pra "miolo de pão molhado");
azeite a gosto.

Bata tudo até virar uma pasta. Sirva com pão, sem deixar a desejar aos melhores (e mais caros) patês dos empórios da sua cidade!

Bon appétit!

Um (quase) antepasto de berinjela


Quando estamos em viagem, não é raro eu enjoar do tempero de carnes por aí. É porque comer fora de casa todo dia exige uma técnica que nem sempre nós estamos preparados para exercitar: a arte de repetir o que deu certo! Mas a gente gosta de variar... e nem sempre o estômago acompanha! Como nossas viagens são relativamente longas, isso exige que a gente selecione muito o que e onde comer, para não passar por imprevistos. Pois foi assim que eu aprendi a trocar a carne por determinados vegetais. Cogumelos e berinjela são excelentes opções para variar o cardápio e ficar bem alimentado. E eu lembrei disso num almoço dessa semana, enquanto estava preparando uma travessa de berinjelas. É simples, quase um antepasto. Os ingredientes:


Pimentões verde e vermelho;
cebola;
berinjelas;
azeite;
pimenta-do-reino;
sal;
louro.

Meia hora antes, corte as berinjelas em barquinhas e coloque sal grosso. Reserve. Isso evitará que elas fiquem amargas.
Enquanto isso, corte os outros vegetais à juliene. Depois, bata o sal das berinjelas e leve-as ao forno a 180°C para secar por meia hora. Corte-as também da mesma forma dos outros vegetais e coloque azeite em uma frigideira para esquentar. Comece pela cebola, em seguida o pimentão verde e, logo depois, o vermelho. Acrescente o louro. Finalize com as berinjelas, sal e pimenta. É bem rápido, para evitar que os vegetais percam a cor. É só servir! Pena que nem todos gostem, porque comer carne todo dia, principalmente fora de casa, é um tanto indigesto... deixo aqui também a lembrança dessa receitinha que eu adoro!

Bon appétit!

Bacalhoada portuguesa


E, pra terminar a trilogia do bacalhau, aqui vai a receita infalível da (outra) cunhada! É bem parecida com a bacalhoada de J., mas nessa aqui vai a banana-da-terra, de dar água na boca! Aliás, já contei aqui sobre a família do meu marido? A primeira vez que fui à casa da sogra, lá em Goiás, não acreditei: eram tios, primos e irmãos, sentados à mesa da cozinha, trocando variações de ingredientes para a mesma receita! Entre homens e mulheres, todos sabiam cozinhar e falavam com grande conhecimento sobre o assunto! Fiquei encantada com aquilo! As duas raízes que formam a família do meu marido é que são responsáveis por essa paixão pela mesa: de um lado, os mineiros... e do outro, os gregos! Tudo explicado! Comer bem estaria no destino de todos eles! Lá em casa, sempre fomos mais curiosos que entendidos das técnicas de cozinha, então aos oito anos eu fiz meu primeiro bolo... depois, minha mãe passou a me ensinar tudo o que sabia e eu comecei a ter paixão por preparar alimentos. Quando vi aquela família, lá em Goiás, praticamente fazendo um campeonato pra mostrar qual receita ficaria mais saborosa, eu sabia que tinha muito o que aprender com eles sobre o que eu mais gostava!

Bacalhoada portuguesa:

Ingredientes para 4 pessoas:
600g de bacalhau sem pele e em pedaços grandes, dessalgado;
4 ou 5 batatas;
1 molho de folhas de couve mineira, inteiras (J. também coloca uma caixinha de couve de Bruxelas, mas é opcional);
4 ou 5 ovos cozidos;
2 cebolas grandes cortadas em rodelas;
4 bananas-da-terra descascadas, cortadas pela metade;
sal;
orégano (J. prefere as folhas frescas do condimento).

Modo de preparo:

Depois de deixar dessalgando de um dia para o outro, cozinhe o bacalhau e reserve. Na água do cozimento, cozinhe as batatas sem a casca. Na mesma água, dê uma rápida aferventada nas folhas de couve (enrole-as em charutinhos antes, para facilitar o manuseio) e nas bananas*. Em uma panela à parte, cozinhe os ovos. Vá montando as camadas no refratário, começando pelo bacalhau, com a couve enroladinha entre os outros ingredientes e fios de azeite. Frite a cebola em rodelas em muito azeite extravirgem, com sal e orégano (se o orégano for fresco, colocar por cima do prato, ao final da montagem). Por último, coloque as azeitonas pretas (a cunhada dá preferência às gregas, que considera as melhores). J. ainda leva por 15 minutos ao forno a 180°C, para esquentar. Pronto!

A todos, bon appétit!


* Segundo J., há duas maneiras para o preparo das bananas: ou cozinha na água do bacalhau, ou frita rapidamente no azeite.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Risoto de bacalhau


Essa receita é mais uma daquelas enviadas pela cunhada (na verdade, é apenas mais uma mesmooo, porque tenho ainda algumas páginas que ela me enviou para colocar aqui hehehe... devagar e sempre, vou testando, adorando e publicando)! Tudo começou quando estávamos procurando uma receita diferente para o bacalhau no feriado. Recebi por e-mail e já fomos tratando de executar. A propósito, adoramos receber boas receitas por e-mail. Depois de testadas, todas elas vêm parar aqui! Assim, sintam-se à vontade para contribuir com a melhoria de nossas "instalações" hehehe!
Risoto, por um bom tempo, me lembrou essas coias que a gente não precisa ouvir, mais por polidez da boa educação do que por não precisar saber! Coisas como "vocês se atrasaram pro meu casamento e paguei multa da igreja" ou "você sabe quanto custou esse meu tapete que você está pisando com seus pés molhados?"... well, well, uma vez servi um risoto num almoço para conhecidos e um deles saiu com uma dessas pérolas da indiscrição e falta de (bom) senso: "vai ter salada? Não como risoto. Não gosto". Diz a etiqueta que você só deve se negar a comer alguma coisa que te oferecem, quando você é visita e conhece pouco os donos da casa, no caso de ser alérgico à comida oferecida. Em outros casos, deixe pra comer o que gosta quando voltar para casa, mas seja gentil e compartilhe a mesa com elegância! Quando eu era pequena, minha mãe costumava sempre me alimentar bem antes de me levar para a casa de alguém conhecido, por dois motivos: para eu não pedir comida na casa de estranhos e, para o caso de oferecerem quiabo (a única coisa que eu não comia quando era pequena e hoje encaro numa boa - qualquer dia coloco aqui a receita do caruru ou franguinho ensopado com quiabo), então ela podia dizer que eu já havia almoçado e não estava com fome. Mas ela sempre me dizia: "Nunca diga ao anfitrião que você não gosta do que ele está lhe oferencedo. Pode ser a única opção que ele tem para servir". Cresci assim e, graças a Deus, minha filha também aprendeu o mesmo... e meu marido não faz desfeita (desde que não seja jaca, ele come absolutamente tudo). Principalmente com os adolescentes que frequentam minha casa hoje em dia, eu vejo o quanto essa simples regrinha é importante! Eles não comem nada... nem por educação! Assim, nem me preocupo mais: se a filha vai trazer amigos da escola pro jantar: tele-pizza. Ainda entrego o cardápio para eles escolherem o sabor, porque uma não come molho de tomate, outra não come cebola, aquele cabeludo não come orégano e o outro não come bláááááá... ninguém aprendeu a comer quando era criança? Quando vão embora, a filha sempre me fala: "o que vocês comeram? Sobrou pra mim?". Essa é minha garota!
Hoje então eu volto ao risoto, que adoro, para compartilhar a minha mesa com aqueles que querem provar uma excelente comida.Para o risoto de bacalhau da cunhada, você vai precisar de:
300 GR DE ARROZ ITALIANO, TIPO ARBORIO
400 GR DE BACALHAU DESFIADO
4 COLHERES DE MANTEIGA
4 COLHERES DE AZEITE EXTRAVIRGEM
1 CEBOLA
1 COPO DE VINHO BRANCO
1 FOLHA DE LOURO
1 LITRO DE CALDO DE PEIXE
3 TOMATES SEM PELE* E SEM SEMENTES
100 GR DE QUEIJO PARMESÃO RALADO NA HORA
SALSINHA PICADA
SAL A GOSTO.

MODO DE FAZER

REFOGUE O BACALHAU COM AZEITE, A CEBOLA E, POR ÚLTIMO, OS TOMATES E A SALSA. UTILIZE, SE QUISER, PIMENTA DE SUA PREFERÊNCIA. RESERVE.

AQUEÇA A METADE DA MANTEIGA E O AZEITE. REFOGUE O ARROZ COM A CEBOLA, A FOLHA DE LOURO E O VINHO BRANCO.

VÁ ACRESCENTANDO AOS POUCOS O CALDO DE PEIXE E MEXENDO SEMPRE, COMO DEVE SER O PREPARO DE QUALQUER RISOTO.

QUANDO O ARROZ ESTIVER AL DENTE, ADICIONE O BACALHAU REFOGADO E DEIXE POUCOS MINUTOS. DESLIGUE O FOGO, JUNTE O RESTANTE DA MANTEIGA E O QUEIJO RALADO E SIRVA IMEDIATAMENTE.

A todos, bon appétit!

* Dica: para tirar a pele dos tomates, faça dois cortes superficiais, em forma de cruz na pele deles, traspassando-os; aqueça água e mergulhe os tomates por um minuto. A pele irá se soltar naturalmente. Você só precisará retirá-la de forma delicada.


Punheta de bacalhau, isso mesmo!


Hoje o prato do dia é bacalhau! Uma sequência de três excelentes receitas para vocês testarem sem medo! A primeira delas é a clássica punheta de bacalhau. Calma que eu explico! Acho que todo mundo já ouviu um ou outro nome pitoresco vindo lá das terras do colonizador. Por lá, num português mais culto do que os ouvidos tupiniquins estão acostumados, o que aqui parece palavrão, é dicionarizado e faz parte de um vocabulário extremamente polido. Então, antes de rir ou fazer qualquer tipo de piada, aprendam que "punheta de bacalhau" nada mais é do que um prato confeccionado com bacalhau desfiado e o intenso movimento de desfiar o bicho, fazendo força nos punhos, é o responsável pelo nome do prato (e pelo palavrão, pelas bandas de cá). Por essas e outras é que de vez em quando eu ouço: "você e seus termos"! Sinto informá-los, portanto, que os termos não são meus, amigos! Tampouco o desconhecimento...
Para essa punheta, então, vocês vão precisar de:
1 posta do lombo do bacalhau, dessalgada e desfiada;
1 cebola grande cortada em cubinhos;
azeite;
salsa;
noz moscada;
pimenta-do-reino;
sal a gosto;
pão em fatias.

Em uma frigideira, coloque para aquecer um pouco de azeite e passe rapidamente o bacalhau e a cebola. Retire, regue com bastante azeite extravirgem, tempere com sal a gosto, uma pitada de noz moscada e a pimenta-do-reino. Enfeite com salsa e sirva frio como entrada, junto a fatias de pão.

A todos, bon appétit!

sábado, 23 de abril de 2011

Caldo verde


Hoje eu estava aqui pensando: "como é que a gente nunca postou a receita do caldo verde aqui?". Três anos de blog e esse prato, que pra gente é tão cotidiano, ainda não está entre as nossas receitas virtuais?! Como assim? Na minha época de faculdade, eu era a cozinheira oficial do caldo verde, nas sextas-feiras após a aula, lá em casa. As quatro cabeças que andavam comigo (Marília, Erbênia, Antonio Claudio e Marcílio) seguiam até o Alto Branco (bairro onde até hoje meus pais ainda moram - e tem esse nome porque, em dias de neblina, como o bairro fica no alto da cidade, vê-se apenas uma ou outra torre de edifício despontando nas brumas da Serra da Borborema. A cidade inteira lá embaixo, coberta de névoa, coisa mais linda) e era lá, na casa dos meus pais, que a gente se apossava da cozinha e eu fazia o caldo verde. Meu pai sempre chegava com a cerveja!
Quando vim morar em Floripa e conheci J., descobri que ele também era o fazedor oficial de caldo verde para os padeiros, como é conhecida a turma dos barbudos que andava com ele tocando terror aqui na Ilha! Por que padeiros? Bem, vou deixar pra ele mesmo contar um dia... o fato é que juntamos as receitas. Cada um tinha seu modo de fazer o caldo verde e essa que vos apresento agora é a união que resultou num caldo verde muuuito bom mesmo!
Aí vai o passo-a-passo:

Ingredientes para 4 pessoas:


2 molhos de couve mineira picadinha;
4 batatas cozidas (com casca);
1 linguiça calabresa, cortada em cubinhos;
1 linguiça portuguesa, cortada em cubos um pouco maiores;
1 pedaço de mais ou menos 200g de bacon, cortado em cubinhos;
1/2 pimenta vermelha de sua preferência;
alho a gosto;
2 cebolas médias picadas;
2 folhas de louro;
1 pitada generosa de sementes de erva-doce;
salsinha e cebolinha;
1 cálice de cachaça;
pimenta-do-reino;
azeite;
sal (se precisar).

Modo de fazer:

Em uma panela funda, coloque o azeite e o bacon para fritar. Em seguida, as linguiças e , na sequência, quando já estiverem bem fritas, a cachaça para deglaçar. Depois, junte a cebola e, por último, o alho.

Quando estiverem dourados, coloque as folhas de louro e a erva-doce. Água quente, até cobrir e deixa fazer o caldo.



Enquanto isso, coloque as batatas bem lavadas para cozinhar em água, com casca e tudo. Quando elas estiverem cozidas, coloque em água fria, para interromper o cozimento, descasque-as e reserve uma delas. Amasse as demais e coloque no caldo, para engrossar. Em seguida, pegue a água do cozimento das batatas e, no liquidificador, bata a água com uma parte da couve mineira (isso garante que o caldo vá ficar mais verde e não tenha "verde" apenas no nome).



Quando o caldo engrossar, coloque os ingredientes verdes (salsinha, cebolinha e o restante da couve), a batata que você reservou anteriormente, picada em cubos, e a pimenta vermelha picadinha, sem a semente (lembre-se que o mais ardido das pimentas são as sementes). Desligue em seguida.
Sirva com torradinhas. Aqui em casa, a gente gosta de colocar em canecões e ir pra frente da tv, principalmente no inverno, naqueles dias beeeeem frios, que só dá vontade de ver filme alternativo no Telecine Cult.

A todos, bon appétit!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Truta da Paixão


Eu venho de uma família católica, daquelas que não comem carne na Semana Santa desde a quarta-feira de trevas! Aqui em casa, mesmo por não seguir o Catolicismo, já quebrei a regra faz tempo, mas a sexta da Paixão ainda não me liberou... e nunca consegui comer carne vermelha nesse dia! Fosse por J., se fazia um churrasco. A filha, desligada como só ela, nem ia lembrar... mas eu não esqueço! Coisa de criança. Não acredito em pecado, nem em céu ou inferno depois que morremos. É tudo idílico demais. Céu e inferno a gente vive aqui, com as escolhas que fazemos. Pecado é passar por cima dos próprios princípios. E não é Deus quem julga nossos pecados. É nossa consciência. Aquilo que não nos deixa dormir. Falar mal dos outros, não respeitar o limite dos outros, roubar, matar, trair. Isso é pecado que a consciência julga. Eu não sou falsa e o que eu penso sobre atitudes e pessoas, blá... eu falo! Muitos falam mal de mim por isso. Poucos me admiram por isso. Mas não sei mandar recado nem fazer cara de santa! Não creio em santos. Eu creio em Deus. E Ele não tem dedo apontando pra mim. Ele é doce e leve. Ele é o meu estado de graça quando estou feliz. Eu não costumo pedir a Deus que resolva meus problemas. Eu apenas agradeço a Ele por ter o que tenho e por ser quem eu sou. O resto é força, é coragem, é caminho.


E pra terminar o papo e deixar claro que comer carne vermelha na Semana Santa pode nem ser pecado pra todo mundo, mas é coisa que a consciência nossa julga por questões adversas, vai aqui minha receita de truta salmonada na manteiga, com alcaparras e castanha de caju. A truta, quem me vendeu disse que ela veio da Serra catarinense. Eu só havia comido truta salmonada vinda do Chile... então estou feliz dessa ter sido nacional!

A receita:

1 filé de truta (salmonada ou não);
150 g de castanha de caju;
2 colheres de alcaparras;
1/2 tablete de manteiga cortada em cubos;
pimenta-do-reino;
sal.

Coloque a truta numa forma, pincele azeite, tempere com sal e pimenta-do-reino. Cubra com papel alumínio e leve ao forno pré-aquecido a 180°C por 20 minutos.
Retire do forno, jogue cubinhos de manteiga com as alcaparras e a castanha de caju triturada por cima do filé. Retorne ao forno para gratinar. Retire do forno e salpique coentro e cebolinha picados. Sirva com arroz ou batata sauté.

A todos, bon appétit!

Cucas...


* Do Pequeno Dicionário de Gastronomia, de Maria Lucia Gomensoro:
"A cuca é um bolo de origem alemã, muito usado no Sul do Brasil. É preparado com uma massa fermentada de pão e com cobertura de farofa crocante. Geralmente servido no café da manhã, no chá ou no café colonial".

Olha, mesmo tendo aos montes por aqui, é difícil achar uma cuca realmente saborosa, de massa fina, de cobertura aromática e sem aquele aspecto "ressecado de padaria". Nem a cuca do famoso Café Glória, em Blumenau, corresponde à expectativa. Lá, eu recomendo mesmo, de olhos fechados, as cucas da Dona Hilda, uma confeitaria um pouquinho afastada do centro da cidade, que fabrica (ali sim!) deliciosas cucas. Há uma padaria famosa na cidade também, mas um dia comi a cuca de lá e estava ressecada, azar o meu - e o deles, que nunca mais voltei pra comprar! Aqui em Floripa é ainda mais complicado: nunca comi uma que valesse o dinheiro.
Agora, quer saber onde fica o paraíso das cucas? Serra gaúcha! Gramado e Canela! Hum, cada uma!!!!! Em julho, estamos indo de novo pra lá e mal posso esperar pelo chá com um pedaço de cuca, no final da tarde! Tem também o apfelstrudel, que é um dos doces preferidos de J., mas esse eu, que não sou dada à arte do açúcar, não me meto a fazer de jeito nenhum! Complicaaaaaado! É o típico doce que vale o que cobram pra fazê-lo!
E, quando eu estava procurando a receita da torta de maçãs, a Taís me mandou sua receita de cuca. Pra quem não sabe, a Taís é professora de panificação em Blumenau e me mandou uma receitinha muito boa mesmo de cuca, com uma massa que fica do jeitinho que eu gosto. O mais difícil da receita dela eu já fiz: diminuir a quantidade dos ingredientes, para adaptá-la à produção caseira. A receita dela era para 4 formas de 20 X 25cm. Reduzi para uma forma apenas e aí vai (aqui, você encontra a tabela de equivalência de pesos e medidas, para trocar gramas por xícaras ou colheres, lembrando que cada ovo tem 50 gramas):

Cuca


Massa (para uma forma de 20 X 25cm):
250g de farinha de trigo;
100g de açúcar;
150 ml de água morna;
50 g de ovo;
60 g de manteiga sem sal;
5 g de fermento biológico instantâneo.

Numa tigela, coloque o fermento e a água para dissolver. Adicione aos poucos os demais ingredientes, mexendo sempre (eu bati tudo na batedeira mesmo e pronto, deu certinho). A massa deve ficar com uma consistência mole.


Eu prefiro as cucas com nata, então é assim: depois que você colocar a massa na forma untada, escolha a fruta que vai fazer a próxima camada (pode ser uva, banana, abacaxi... a minha foi maçã). Fatie a fruta, cubra a massa com as fatias e, na batedeira, bata nata com um pouco de açúcar e despeje por cima. Polvilhe com canela a gosto. Leve ao forno por até 25 minutos, a 180°C. Agora, se você gosta de cuca com farofa (a tradicional), aí vai a receitinha da farofa:

100g de açúcar;
80 g de farinha de trigo;
50 g de manteiga sem sal;
canela a gosto.

Misture tudo e jogue por cima da fruta.

A todos, bon appétit!


terça-feira, 19 de abril de 2011

Receita da cunhada: patê de atum


Sabe aqueles dias em que você simplesmente não tem inspiração? A barriga pede comida gostosa, mas você tem aquela latinha de atum no armário te olhando... e você nem gosta tanto assim de atum enlatado! Seus problemas acabaram! Minha cunhadinha mandou essa receita, de um colega dela (que é chef) e lá vou eu contando pra todo mundo aqui! Mas, olha: vale a pena! Parece impossível que atum enlatado não fique marcante num prato, porque até o cheiro é forte, não é? Pois bem, que tal um club sandwich de atum?


Foi convidado pra conhecer o apartamento novo daquele casal de amigos e não queria chegar com as mãos abanando? Passa na padaria, pega um pacote de grissinis e leva o patê de atum! Não precisam nem sujar louça (olha como eu servi):


Você só precisa tirar as sementes do tomate, lavar direitinho e rechear com o patê. Coloca na mesa, junto de uma bandejinha de pães e tá feito! Ah, a base para o tomate ficar em pé é a tampinha dele mesmo, que você cortou para tirar as sementes.


Qual o segredo para o sabor suave do atum? Olha, eu digo que é a quantidade de derivados lácteos misturados a ele... e aquele toquezinho de limão. Vou dar a receita e as minhas modificações (porque adaptei ao que eu tinha em casa):

INGREDIENTES:

1 latinha de atum branco, de boa qualidade, em óleo (usei atum light, aquele que não vem em óleo);
1 pote de cream cheese;
1 colher de maionese de limão (usei aquela maionese feita à base "de leite", sabem qual? Não vou fazer propaganda da marca aqui, porque estamos em busca de patrocínio para o blog hehehe)
½ caixinha de creme de leite (bata antes para deixá-lo mais consistente);
Suco de 1 limão;
Pimenta branca moída na hora; (usei pimenta preta mesmo, porque desavergonhadamente ainda não sei abrir o moedor novo que J. comprou e não pude trocar as pimentas)
Azeite extra virgem a gosto;
Tomatinhos cereja cortados a gosto (utilize os mais maduros: são mais doces). Eu tirei as sementes.

MODO DE FAZER:

Misture todos os ingredientes. De preferência, reserve na geladeira por 4 horas.

Dica 1: ao fazer, sempre vá experimentando e ajustando o sabor de acordo com o seu paladar.
Dica 2: o segredo é deixá-lo com sabor suave, equilibrando todos os ingredientes.
Dica 3: para mais suavidade, o cream cheese ou o creme de leite são os ingredientes que poderão ser adicionados.

RENDIMENTO:

Serve 4 pessoas. Ampliando a receita para rendimento que serve 12 pessoas, aumente apenas as quantidades dos ingredientes abaixo:4 latinhas de atum, 3 ou 4 potes de cream cheese, 2 colheres de maionese de limão, 1 caixinha de creme de leite. Mantenha o suco de apenas 1 limão.

Bem, quando for à casa da minha cunhada, ela pensa que vai escapar! Agora que eu já sei que ela está toda prendada na cozinha, vou ficar só no sofá, vendo tv e pedindo meus petiscos hehehe!

A todos, bon appétit!

Cacik - pagando uma dívida!

Hoje eu quero começar esse post dizendo que fico sempre muito feliz quando recebo comentários aqui no blog! Publico todos, com muito prazer, porque adoro ouvir a opinião de vocês sobre o que escrevo aqui. Alguém já disse certa vez que, quando escrevemos para nós mesmos, alcançamos o outro. E, tenham certeza, quando eu escrevo, procuro lá dentro das minhas palavras aquelas que são mais verdadeiras. Essa é a melhor parte, pra mim, do ato de escrever: quando falamos, nem sempre temos a oportunidade de refletir, mas escrever nos dá essa chance. Não há escrita mentirosa. Obrigada a todos! Mesmo!
Bem, hoje eu vou pagar uma promessa (não que eu acredite nelas): no domingo à noite fiz uma receita do livro que comentei no post anterior. E ficou uma delícia! É bem simples, como eu prometi. Chama-se Cacik (lê-se: jajik). É uma salada turca de pepino e iogurte (hummmmmmmm)! Bem, na verdade é quase um molho, mas é muito mais saudável (e gostosa) que aquela maionese de batatas tão comum aqui no Sul - que também tem seu valor. Prefira dias mais quentes e carnes como carneiro, para acompanhar. Aqui em casa, fiz pro jantar, depois de um dia quente de outono (raridade), pra acompanhar um pedacinho de vitela grelhada que sobrou do almoço. A filha adorou!


Ingredientes:

1 pepino japonês, descascado e cortado em cubos (há quem rale o pepino, é uma opção);
1 copo de iogurte natural;
1 dente de alho amassado (pra ficar igual a uma pasta);
folhas de hortelã cortadas (a gosto);
sal.

Na minha receita, ainda coloquei uma pitada de feno grego (que os turcos não me leiam) e o suco de 1/2 limão galego.

Daí você mistura tudo e serve gelado. Há duas opções para servir: em uma tigela grande, em cima da mesa, para que cada um se sirva à vontade; ou em pequenas cumbucas ou taças individuais (como na foto), para fazer um charminho. Fica lindo!

A todos, bon appétit!

sábado, 16 de abril de 2011

Papel manteiga para embrulhar segredos


Não sei se já falei desse livro aqui, mas na vaga lembrança das coisas que escrevo, só tenho ele registrado num e-mail que mandei, certa vez, a uma amiga por quem tenho um carinho enorme. Estávamos falando sobre as últimas leituras e comentei sobre Papel Manteiga para Embrulhar Segredos, um livro de Cristiane Lisboa*, publicado em 2006 pela Ed. Memória Visual. Especialmente essa semana, quando entrou em vigor a lei que proíbe o uso da burca pelas muçulmanas na França, eu tenho lembrado muito desse livro. Tudo porque é uma história simples, contada a partir das cartas de Antônia, a personagem principal, para sua bisavó. Antônia é filha de uma feminista convicta e resolve fugir de casa para fazer um curso de gastronomia. A cada página, entre os relatos de aprendizados sobre a arte de cozinhar pratos salgados e doces, Antônia também deixa ao leitor uma nova receita (as receitas que estão no livro são da gastrônoma Tatiana Damberg).

Fica aqui um trechinho do livro que explica porque ele é tão bom... e depois, quando eu fizer e fotografar, coloco aqui uma receita bem fácil tirada de lá, para vocês testarem.

Bisa

Já lhe contei que, desde que aprendi a falar, rezo para que mamãe me perdoe pelo que sou? (...) O movimento feminista deixou estrias profundas nela, não é? Mas não acredito que venha apenas daí a ojeriza às chamadas "coisas domésticas": cuidar da casa, cozinhar e matar formigas. O trauma deve ser mais profundo, mais lamacento, mas uma desculpa ideológica é sempre o escudo seguro para o que dói na alma.
O fato é que mamãe nunca me perdoou por aprender a fazer bolo antes de entender o que significava submissão. E me detestou com vontade a partir do momento em que discordei de suas crenças, admitindo que amava o ambiente doméstico e, sobretudo, as cozinhas. Como se isso fosse vergonha, como se para ser uma mulher moderna eu precisasse mentir que não gosto de panos de prato. Entendo que o sexo é político, abomino mutilações como as que acontecem em algumas tribos africanas e, claro, sou a favor de algumas coisas que ela defende, mas Bisa, minha luta é outra. Mulheres não precisam ser masculinizadas para que exista respeito. Em momento algum é preciso fingir que não temos, lá dentro, um sentimento arcaico de servir sabor a quem amamos. (...) Então, quando fui selecionada para este estágio, apenas saí, exausta daqueles anos todos de combate e de luta por uma igualdade na qual não acredito. Porque a opressão depende de quem a recebe. Como quando uma moça libanesa foi indagada sobre o véu e disse que ser obrigada (a usá-lo) era chato sim, mas que ela usava por outro motivo. Porque gostava de se mostrar inteira apenas a quem realmente merecesse. E que tristes mesmo eram as ocidentais, se escondendo o tempo todo, dentro e fora de casa, atrás de maquiagens e plásticas. Ela está errada?
(pág.49-50)

*Além desse livro, a autora possui ainda duas publicações: Pequenos pedaços soltos de histórias de amor às vezes verdadeiras (Ed. Fina Flor, 2002) e Deles e quase o resto (Ed. Fina Flor, 2004). Este último foi adquirido pela grife paulistana Madalena, que aplicou os contos em saias, vestidos e blusas da coleção "literatura inclusa" (eu daria tudo por uma peça dessas)!

K.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Do limão, uma limonada!

Nada justifica não se receber bem uma visita em casa. Absolutamente nada! Brigou com o marido porque ele convidou alguém na hora errada? Aquela amiga de ocasião está sozinha e resolveu te procurar? Você tem prova do concurso da sua vida no domingo e precisa hospedar amigos distantes que vêm resolver pendengas na cidade? É Natal e pessoas estão longe da família e querem partilhar com você? Acredite: receber bem é a maior prova de educação doméstica que alguém pode dar! Mesmo que você não tenha tempo, mesmo que esteja com todos os problemas do mundo, alguém virá a sua casa! E você tem o dever de receber bem essa pessoa. Por quê? Bem, primeiro porque em todo o mundo, um visitante é sempre a pessoa mais especial. Depois, porque indelicadezas serão sempre lembradas pelos que não convivem conosco todos os dias e não têm obrigação de aturar nosso mau-humor. Então, fica uma dica simples e rápida, porque a mesa ainda é o lugar onde podemos demonstrar da melhor forma o carinho pelo visitante.

Mousse de limão (não tem receita: você precisa de um liquidificador, 3 limões - do tipo "galego" ou "cravo" ou apenas 2, do tipo "taiti" - 1 lata de leite condensado; 1 lata de creme de leite. Bata tudo, coloque em copinhos e sirva gelado).

Mas, lembre-se: se não tiver limões, outro azedume não serve... ofereça sorrisos! Porque ser gentil ainda é de graça!


Bon appétit!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Para comemorar o dia do beijo: torta de maçãs



Bom, o preparo foi bem mais fácil que a montagem, mas como esse blog é de verdade, eu tenho que falar que a receita da massa não colaborou na montagem: fica muito quebradiça, mas valeu pela experiência. Ainda falta baixar as fotos da cuca de maçã da Taís, que fácil e saborosa... vou postar aqui depois! A receita dessa torta eu peguei no blog da esposa de um amigo de J. e ela, por sua vez, já fez a receita de outra pessoa, da Stefânia. Então, deixo aqui meu apelo: Stefânia, sua linda, ensina aí o caminho das pedras! Sofriiiiiiiiiiiiii pra montar sua torta e a receita é tãããão boa! Aí vai, pra quem tem o dom da pâtisserie:
Ingredientes para a massa

2 e 1/2 xícara de farinha de trigo
1 colher (chá) de sal
3 colheres (chá) de açúcar
200g de manteiga s/ sal gelada cortada em cubinhos
3 a 4 colheres (sopa) de água gelada

Ingredientes para o recheio

3 maçãs verdes (Granny Smith) descascadas e cortadas em fatias finas (aprox. 1,5cm)
3 maçãs vermelhas (gala) descascadas e cortadas e m fatias finas (aprox. 1,5cm)
1/2 xícara de açúcar mascavo claro
1/4 xícara de açúcar granulado
3/4 colher (chá) de canela
1/4 colher (chá) de sal
1/4 colher (chá) de noz moscada
4 colheres (chá) de amido de milho
1 colher (sopa) de suco de limão

Ingredientes para a montagem
2 colheres (sopa) de manteiga
1 clara de ovo batida com 1 colher (chá) de água - Usei um ovo inteiro, sem água.
2 colheres (chá) de açúcar.

Modo de fazer:

1. Junte todos os ingredientes da massa no processador e bata até que estejam unidos, mas não trabalhe muito a massa, pois a sova deve ser rápida. Divida a massa em duas bolas, enrole-as em papel filme. Leve à geladeira para descansar por duas horas.


2. Enquanto a massa descansa na geladeira, prepare o recheio. Em uma panela, acrescente todos os ingredientes, misture bem e leve ao fogo médio com a panela tampada por aproximadamente 15 minutos. Mexa ocasionalmente. Retire a tampa da panela e deixe cozinhar até que o líquido da panela esteja como um caramelo, mais espesso (não pode ficar líquido). Retire do fogo e deixe esfriar em temperatura ambiente por aproximadamente 1 hora.




3.Pré aqueça o forno a 200 graus. Retire a massa da geladeira e abra dois círculos. Com um dos círculos, forre o fundo e as laterais de uma forma para torta com aproximadamente 23cm de diâmetro. Disponha o recheio sobre a massa e salpique a manteiga em cubinhos (ingredientes para a montagem). Com o restante da massa, faça tiras e vá fazendo um xadrez, até fechar todo o círculo. Pincele com o ovo e salpique o açúcar granulado sobre a cobertura. Acerte as laterais.

4. Leve ao forno pré-aquecido por aproximadamente 45 minutos. Se a massa começar a escurecer rapidamente, cubra a massa com papel alumínio para que a mesma não queime. Sirva morna acompanhada de sorvete de baunilha.




A todos, muitos doces beijos no dia de hoje... e sempre!

Pastel do Mané

Hoje fui ao centro da Ilha. Coisa rara. Mas precisava resolver pendências do dia a dia, então melhor não adiar, embora preferisse evitar a agitação (principalmente do trânsito). É aquela história: morar numa parte da cidade tranquila como a minha, com tudo perto de casa, inclusive o sossego, a gente termina adiando o quanto pode a passagem pelo centro, os ambulantes vendedores de ouro, de pipoca com bacon, de tickets... mas não dá pra ir até lá e não passar pelo Mercado Público! Ali sim, vale a ida!
Foto do Mercado Público de Florianópolis, by Paulo Roberto Witosl, retirada daqui!

Foi assim que esse post começou. Enquanto passeava pelos peixes no mercado, lembrei de um dos petiscos mais pedidos em Floripa e resolvi testar em casa: pastel de berbigão! Vamos começar pelo recheio do pastel, porque ele precisa esfriar, para não amolecer a massa:

Ingredientes para o recheio:


500g de berbigão;
1 cebola grande muito bem picadinha;
2 tomates maduros picados;
2 dentes de alho picados;
coentro a gosto;
alho-poró a gosto;
sal;
pimenta-do-reino;
1 pão picado;
água fervente;
azeite.

Em uma panela, esquente o azeite e coloque os berbigões. Deixe refogar. Junte a cebola e, pouco depois, o alho. Em seguida, os tomates, o alho-poró, o sal e a pimenta-do-reino. Refogue mais. Sempre em fogo brando (berbigões ficam duros muito rápido, então cuidado com o tempo e a altura do fogo, para deixá-los com textura macia). Coloque o pão picado e um pouco de água fervente para amolecer o pão mais rápido. deixe por mais 5 ou 7 minutos e desligue. Jogue o coentro por cima e misture delicadamente. Espere esfriar.
Se você for empolgado como eu, siga a receita da massa. Se não, vá ao supermercado mais próximo e compre aquelas prontas.

Massa do pastel

1kg de farinha de trigo;
75g de manteiga;
2 ovos;
2 colheres (sopa) de cachaça;
300ml de água;Link2 colheres (sopa) de sal;
Coloque tudo no processador e pulse umas 4 ou 5 vezes. Está pronto. Retire do recipiente, veja se não está grudando nas mãos (não é para estar. Se estiver, coloque um pouco de farinha de trigo pela superfície apenas, sem trabalhar mais a massa).
Abra como o rolo de macarrão ou cilindro, numa espessura fina. Coloque numa assadeira polvilhada com farinha de trigo e cubra com papel filme. Leve à geladeira por 2 horas. Depois, corte e recheie, fritando em óleo bem quente e deixando bem sequinho para não ficar enjoativo.

Aliás, eu aprendi a mexer em óleo quente e deixar as frituras sem aquele aspecto gorduroso, com ela! Assistam ao programa dela, no Discovery Travel & Living, é muito bom!

RENDIMENTO: 35 médios ou 50 pequenos.

Daí, dá pra bincar e fazer a mesma receita com camarões ou siri. Fazer pastéis menores (do tamanho "aperitivo") e servir para os amigos do marido numa tarde de cerveja gelada também é uma boa recomendação. Aqui em casa, foi mesmo nosso jantar bem cedo da noite, que a filha tem dormido antes das 21h nessas semanas de maratona de provas e trabalhos na escola...

Em tempo: uma dica para cortar a massa em círculos, se você não tem o cortador (como eu) é usar a tampa de uma panela (a menor que você tiver).

A todos, bon appétit!

domingo, 10 de abril de 2011

Receita de família

Lasanha de frango da minha mãe:

Essa lasanha só me lembra coisas boas: primeiro, os bons tempos da infância. Morávamos no interiorzão do Paraná. Era frio a maior parte do ano. Chegava o domingo, eu levantava e, ainda com alguma camisolinha de flanela, ia pra sala de tv e me esbaldava com desenhos do Mickey e sua turma, Branca de Neve, a Dama e o Vagabundo... até minha mãe me mandar pro chuveiro, de onde eu saía direto pra mesa e comia meu pedaço quentinho e suculento de lasanha de frango com suco de maracujá (a cozinha da minha mãe, na hora do almoço, tem sempre cheiro de maracujá, porque é o suco com maior IBOPE lá em casa), hummmm! A propósito, por que será que pararam de passar esses clássicos no domingo de manhã? Juro que trocaria alguns episódios cansativamente repetitivos do The Big Bang Theory (meu programa de domingo de manhã, atualmente) pelos meus desenhos infantis... bem depois, já adulta, ainda podia sentir a mesma felicidade nas manhãs de domingo, mas agora com minha filha no colo (ela nunca quis usar essas cadeirinhas de refeição infantis - era colocá-la na cadeira, ela desistia de comer), alternando um beijo na bochecha e uma garfada de lasanha, que ela adorava! Pois bem, cresceu e nunca deixou de dar a mesma resposta. Pergunte pra ela qual o prato preferido e ela sempre vai dizer: lasanha!!!! Culpa da minha mãe, que nos viciou nessa receita. Anote:

1 kg de peito de frango, cozido com bastante tempero de um dia pro outro, para adormecer no caldo e apurar o sabor;
2 pães picados;
1 copo de água fervente;
1/2 pacote de massa para lasanha (evite as pré-cozidas. Eu prefiro sempre aquela clássica, da infância, sanfonadinha);
1/2 kg de queijo mussarela;
300 g de presunto cozido sem capa de gordura;
queijo parmesão.

Faça um molho bechamel simples, você pode seguir o passo-a-passo aqui. Deixe descansar. Enquanto isso, retire da geladeira seu frango desfiado do dia anterior, coloque os pães picados sobre ele e a água fervente. Leve ao fogo até que tenha alcançado uma mistura homogênea.

Coloque uma panela com água para ferver e, ao levantar fervura, cozinhe a massa da lasanha al dente. Essa massa tem cozimento rápido, não saia de perto da panela até perceber que já está pronta (uns 6 ou 8 minutos, no máximo).
Hora de montar o prato: pegue um refratário e intercale camadas. Eu sempre gosto de começar pelo frango desfiado, porque fica mais fácil de lavar o refratário depois. Uma camada de frango, uma de massa, a próxima de presunto (aqui em casa, como ninguém é grande fã de presunto cozido, eu pico primeiro o presunto e depois jogo as finas fatias sobre a massa, para evitar que fique muito enjoativo), próxima camada de queijo e assim vai... por último, o molho bechamel e o parmesão ralado.


Forno a 180° para gratinar por 20 minutinhos e o almoço já pode ser servido!

Bon appétit!