sábado, 31 de dezembro de 2011

Barcelona de Babel

Parque Güell (1900-1914)

Sem dúvida alguma, Barcelona está entre as cidades mais cosmopolitas do Planeta. Pessoas de diferentes lugares do mundo procuram pelas ruas catalãs diversas formas de se entregar às paixões dessa cidade: há uma Barcelona para cada visitante. Cada um tem a oportunidade de descobrir algo novo e ou desfrutar de um pedaço dessa fruta. Cheia de bares que funcionam praticamente todo o dia, Barcelona é ideal para os amantes do copo. Mas é também um excelente lugar para fazer compras, para comer, para emocionar-se às margens do Mediterrâneo e, lógico, para renovar a arte nas veias. Engraçado como as pessoas se entendem em meio àquela loucura toda: a língua do lugar, estranhíssima (o catalão é uma mistura, não sei até que ponto proposital, de espanhol, francês e algumas palavras ainda muito parecidas com o português - talvez por ter sido outra língua a se originar do latim vulgar) convive em harmonia com diversos sotaques e diferentes nacionalidades o dia inteiro. Barcelona não para.
Como toda grande cidade, tem grandes problemas. Nós, que estávamos de carro, sofremos para estacionar (isso, aliás, é um problema em quase toda a Europa), mas no dia em que deixamos o carro no hotel para "enfiar o pé na jaca", quase fomos surpreendidos por um metrô que encerra suas atividades muito cedo. E, não fosse por eu estar muito cansada, teríamos perdido o último trem ainda cedo demais (sem saber, pegamos o último... e só descobrimos ao desembarcar na nossa plataforma: havíamos usado o último metrô do dia).
Tínhamos pouco tempo para descobrir tudo sobre Barcelona, então resolvemos eleger a nossa: J. optou pela Barcelona dos grandes chefs (isso é tema do próximo texto). Eu queria conhecer a Barcelona de Gaudí. E assim dividimos nossos dias, entre pratos requintados e arquitetura fantástica. 
Gaudí está para a arquitetura assim como Jorge Luís Borges está para a literatura. Em seu conto Tlön, Uqbar, Orbis Tertius, Borges imagina uma sociedade secreta que forja uma enciclopédia por gerações, com a finalidade de inventar um planeta paralelo, com novo idioma, nova política, nova ciência, nova cultura consequentemente. Esse conceito fantástico de "novo" já havia sido inaugurado na arquitetura de Gaudí,  no final do século XIX, com suas construções que causavam perplexidade e incômodo dentro de uma sociedade que não estava preparada para a revolução que ele traria à concepção plástica. Obviamente, não vou me atrever a falar das inspirações de Gaudí por aqui (alguns dizem que ele traz muita influência gótica na sua obra, mas isso é só a ponta do iceberg), porque falo sempre das minhas impressões... e traçar esse paralelo entre Gaudí e Borges seja talvez o ponto mais importante para despertar a curiosidade das pessoas que entendem do que estou falando: a obra de arte alcançando seu objetivo através do espanto produtivo de quem a admira. Não apenas o ato de admirar. Mas fazer da obra um diálogo construtivo com outras formas de arte. E, como na literatura fantástica, o que à primeira vista realça em Gaudí o tom do grotesco, vai se moldando de forma tal a nos surpreender num segundo olhar por algo absolutamente visionário, como se estivéssemos num universo de sonhos, de pequenos fragmentos do inacabado de dentro de nós. 


Casa Batlló (1905-1907)
Casa Milà (1905-1907)














E, se você acha que isso tudo era novo demais para a época em que viveu Gaudí, visite o Museu do Prado e procure uma pintura tríptica chamada de Jardim das delícias terrenas, de Hieromynus Bosch (El Bosco, como ficou conhecido). Ela é datada de 1510-1515 e eu só vou dizer isso sobre ela por aqui...
Por fim, se você já foi a Barcelona, aposto que concordou em muitos aspectos com as minhas impressões. Se não foi, vá! Vá ao menos uma vez na vida, não importa quando. Porque a Barcelona da sua idade estará lá, esperando por você. Ela vai surpreender você, vai conquistar você e você nem vai imaginar o quanto ela ainda pode oferecer... há sempre uma Barcelona para ser conhecida e explorada pelo viajante. Eleja a sua... e não tenha pretensões de conhecê-la por inteiro!

K.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Feliz 2012!!!!

E, se ainda não fez, dá tempo!!!!


Porque o que importa é ser feliz com as pessoas que te cercam e te amam de verdade!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Air France - tragédias não acontecem apenas no ar!


Foto retirada de: conexaoparis.blogspot.com

Fui e voltei. De Air France. Sabendo do meu medo de voar por essa companhia, o marido retirou minha passagem em classe executiva, para que eu pudesse aproveitar melhor o tempo de voo e desestressar um pouco. Ele fez o que estava ao alcance. Tinha milhas, queria que eu o encontrasse na Espanha, resolveu tirar férias ao ser avisado que ficaria mais tempo pela Espanha do que o previsto. Tudo estava organizado para irmos, inicialmente, para o Egito. Iríamos juntos, voltaríamos juntos. De repente, a surpresa de ficar mais uns dias na Espanha e precisar adiar a ida ao Egito. E o que deveria ter sido férias adiadas, virou mesmo férias antecipadas... e lá fui eu para a viagem de todos os medos: atravessar o oceano sem ele, de Air France, fazer conexão num país de idioma que não domino, achar o portão de embarque num aeroporto com mais de 8 terminais, enfrentar imigração na zona do Tratado de Schengen sozinha (sendo mulher - há tantos relatos esquisitos...). Na ida, tudo certo. Um barulho, para mim estranho, na turbina me tirou o sono e a paciência, fazendo-me ouvir Norah Jones no repeat pra me sentir mais perto das coisas de casa (novela do Maneco, pen drive com as músicas do nosso carro, conversas com o marido). Cheguei com cara de cansada, mas o coração sossegado e um certo ar de vitória por ter dado conta do recado.  Viagem maravilhosa, lugares incríveis, a melhor companhia que a vida me deu, muitas histórias pra contar... e a volta! Ahhhh, a volta! Totalmente relaxada, consegui aproveitar tudo o que a classe executiva me ofereceu. Desde os mimos de canapés e champagne, sorvete Häagen-Dazs a toda hora, água Perrier até o excelente Bordeaux nas refeições elaboradas pelo chef Joël Robuchon (com direito a vieiras, foie gras, medalhões de vitela, camarões, manteiga Président). Viajar de executiva é realmente uma experiência a mais, além da viagem. Faz a diferença! Isso que não chegaremos, mesmo com todas as milhas que ele junta, a nos atrever a uma primeira classe: seria ou ele ou eu! E o gostoso é que viajem os dois! Dizem - eu nunca vi - que na Emirates (isso sim é uma companhia aérea de respeito) tem até cama de casal na classe top! Mas, eu estava bem servida com a cadeira da executiva, que até massagem faz!
Eis que a Air France mostrou porque há um livro chamado La face cachée d'Air France, escrito por um jornalista do Le Figaro, Fabrice Amédéo, que relata trágicos casos nos bastidores da companhia, inclusive sobre questões de segurança das aeronaves (para saber mais, clique aqui). E a Air France não me deixou saída, a não ser concordar com tudo o que ouço sobre ela: na minha volta, não apenas tive a mala extraviada, mas quando ela chegou até mim, 3 dias depois (e eu ainda tive que fazer a retirada no balcão do aeroporto, porque me pediram um prazo de 48 horas, após ela chegar na minha cidade, para trazê-la à minha casa), estava violada, com o zíper arrebentado, o extensor inutilizado porque foi amassado e ainda amarrada com uma fita adesiva e um plástico branco da KLM, outra cia (parceira da Air France). Quando conferi os itens, para minha surpresa, o maior prejuízo foi mesmo a mala, pois quem a abriu, tirou apenas produtos comestíveis (como uma lata de páprica doce que o marido havia escolhido com tanto cuidado, alguns produtos industrializados como anchovas em lata e amêndoas comestíveis), além de um protetor solar facial que já estava em uso. As roupas vieram na mesma ordem que eu as havia guardado (o que significa que a mala não foi aberta por um incidente, pois esses produtos estavam no fundo da bagagem, envoltos em uma sacola de plástico... a sacola permaneceu na mala, com outros produtos dentro dela, tudo na mesma ordem em que eu deixei - foi má fé mesmo). Há agora um processo aberto para que a empresa nos indenize principalmente sobre o valor da mala que, diga-se de passagem, era nova e foi comprada exclusivamente para a viagem, e ainda que se retrate formalmente pelo inconveniente causado.
Bem, mesmo com todo esse quiproquó, terminamos o ano por aqui, esperando que os produtos levados da nossa bagagem possam fazer o Natal de alguém mais feliz, desejando sempre o bem - porque a gente só dá aquilo que a gente tem, em qualquer ocasião... algumas vezes a gente também dá o que a gente recebe dos outros e, mais uma vez temos muita sorte em receber mais coisas boas que ruins, receber mais gente do bem do que os que nos querem mal... e mesmo aos que nos querem mal, deixamos aqui nossos desejos de que a luz do Natal possa iluminar seus corações, a fim de torná-los sempre melhores, porque o que a gente deseja de ruim, volta a galope! E quando alguém aponta um dedo na direção do outro para julgá-lo, aponta mais 3 dedos em sua própria direção.
Queremos agradecer também pelo blog estar crescendo em número de acessos, pela fidelidade dos amigos queridos que sempre deixam seus recadinhos por aqui e vamos avisando que 2012 estará cheio de novos sabores e aromas. E eu espero mesmo poder ainda dar conta esse ano de escrever mais um bocadinho por aqui.

A todos, bon appétit!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Féééérias!!!!

Amigos queridos, vou ficar uns dias fora do ar (ou, dependendo do ponto de vista, "nas nuvens" hehehehe) e volto logo, tá? Prometo muitas resenhas legais de restaurantes e lugares! Aqui, sublinhado em azul, nosso roteiro de férias (os pontos verde são onde vamos nos hospedar). Em tempo, não deixem de passar por aqui, prometo atualizar. Beijos e beijos!


sábado, 12 de novembro de 2011

Vi na tv...

Olha, eu acho originalidade o prato principal de qualquer refeição. Há uma diferença entre você servir uma galinhada, por exemplo, em uma panela no meio da mesa e servi-la em duas colheradas num prato fundo, salteada de cheiro verde picadinho e um pedaço de pimenta vermelha! Apresentar a comida é importante, porque come-se primeiro com os olhos, como dizem! Já que eu estou sempre preparando os quitutes, como primeiro com o cheiro mesmo... mas gosto que as pessoas elogiem uma mesa bem posta, sobretudo aqui em casa.


Essa semana vi na tv, naquele programa da loura e do papagaio, umas dicas bem legais para a mesa de café da manhã e daí reproduzi aqui em casa, para esperar o marido que ia chegar para o petit déjeneur. A mesa completa ficou assim:
Pãezinhos de queijo, cenoura e batata para acompanhar o patê de frango (feito por mim, sem maionese) e o cream cheese. Suco de laranja (indispensável num café da manhã de respeito). Mel. Mini-sanduíches de patê de frango e de peito de peru defumado. Frutas preferidas de todos aqui em casa: pera e ameixa.

Os detalhes que fizeram a diferença foram: ao invés de colocar o pão de forma na cestinha para fazer o sanduíche no prato, serve-se mini-sanduíches enroladinhos (feitos com patê e o pão de forma. E aí vai da criatividade, dá pra colocar também finíssimas fatias de queijo e presunto e servir os enroladinhos de misto-quente. Para colar a pontinha do pão, neste caso, usa-se manteiga). 




Para servir os patês, nada de potes ou petisqueiras. Aqui, o charme são as barquinhas de lombo canadense (que podem ser substituídas por outro embutido, mas cuidado: você deve escolher embutidos que não sejam de rodelas muito grandes, para não deixar deselegante):



Para quem não tem muita prática, as primeiras tentativas podem frustrar um pouco. Mas a perseverança é o primeiro nome da prática. Só consegue quem pratica, não é mesmo? Por isso, deixo aqui o vídeo do programa para seguirem corretamente o modo de fazer. Enjoy!

A todos, bon appétit!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Nhami, nhami, nh...oque!!!!!!!

Na sexta-feira a gente recebeu um casal muito especial para o jantar e resolvemos testar mais uma receita do Atala: o nhoque de batata com ragú de rabada. E eu não vou enganar ninguém por aqui: a elaboração desse prato demanda tempo, disposição e conhecimento do ponto de preparo de todos os ingredientes. Mas vale cada minuto dispensado à (árdua) tarefa.


Aqui, a receita de dar água na boca (uma sugestão é reservar ao menos 5 horas para o preparo da iguaria)!


Para a massa:
1,1kg de batatas
220g de farinha de trigo
20g de manteiga
40g de queijo parmesão ralado
1 ovo
2 gemas
sal
pimenta-do-reino

Para a rabada desfiada:
2,5kg de rabo de boi
100g de cebola
100g de cenoura
50g de salsão
50g de alho-poró
5 ramos de tomilho
5 ramos de alecrim
300ml de vinho branco

Para o molho de tomate:

250ml de caldo de rabada
180ml de molho de tomate
10ml de azeite de ervas
70ml de rôti
100g de tomate
50g de cebola
5g de ciboulette
pimenta-do-reino
sal
Tabasco

Preparo:
1. Cozinhe as batatas com casca por 20 minutos. Depois, leve ao forno a 200ºC, por 20 minutos, para que sequem. Descasque-as e passe-as no passador de legumes ainda quente. Espalhe a batata em um refratário e resfrie. Rale o quejio parmesão. Acrescente a farinha de trigo, reservando um pouco para polvilhar na massa, e os outros ingredientes até obter uma mistura macia e homogênea. Polvilhe a superfície de trabalho com farinha de trigo, divida a massa formando rolos com mais ou menos 1cm de espessura. Corte os nhoques (no nosso caso, temos uma maquininha para cortá-los, o que facilitou o trabalho por um lado, mas dificultou por outro: tivemos que guardar os nhoques na geladeira até o momento do cozimento e então eles grudaram um pouco. A dica é cortá-los no momento em que for cozinhar a massa). Cozinhe-os em água fervente até que subam à superfície, retire e resfrie em água com gelo. Reserve.



2. Corte o rabo do boi em pedaços de 5cm. Retire o excesso de gordura. Tempere-o com sal, pimenta-do-reino, alecrim e tomilho e leve ao forno por 40 minutos a 180ºC.  Descasque e corte os legumes em brunoise. Em uma panela, refogue os legumes até que fiquem dourados e, por último, acrescente o tomate. Adicione o rabo, coloque o vinho e deixe evaporar até a metade. Cubra com água e deixe cozinhar em fogo lento. Com uma escumadeira, vá retirando as impurezas.
Deixe cozinhar por 4h. Desfie e reserve.
Finalização: 
Faça um molho com metade da cebola em azeite, acrescente a rabada. Cozinhe até começar a grudar no fundo da panela, acrescente o azeite de ervas e deglaceie com o rôti. Acrescente o caldo de rabada e o molho de tomate, cozinhe em fogo baixo por 10 minutos Descasque os tomates e corte em concassé. Reserve. Descasque a cebola e pique-a bem fino. Reserve. Acrescente a cebola, os tomates e a ciboulette, tempere com sal, pimenta e finalize com o tabasco (opcional).
Junte o nhoque ao molho e sirva, acompanhado de fatias de pão, à italiana.

Como entrada na noite de sexta-feira, fizemos mini-bruschettas de três sabores: de tomate, cogumelos frescos e abobrinha com raiz de erva-doce. Aqui, como elas focaram apetitosas:

 Mini-bruschettas de cogumelos e limão siciliano

Mini-bruschettas de abobrinha e raiz de erva-doce 

Mini-bruschettas de tomate e manjericão
A todos, bon appétit!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Risoto de alcachofra - um "pedacinho do céu"





Então, no final de semana resolvemos testar uma das receitas do livro do Alex Atala e, em primeira mão, passo para vocês com muito prazer o que já é um dos meus pratos favoritos feitos pelo maridinho! A filha o descreveu como um "pedacinho do céu" e espero realmente que possamos servir com pompas aos nossos amigos, aproveitando que a unidade da alcachofra está baratinha esse mês. Por favor, tentem fazer em casa!

Risoto de alcachofra:


Para a alcachofra



Ingredientes

4 alcachofras grandes
50 ml de vinagre de vinho branco
5 l de água
20 g de sal

Preparo
1. Cozinhe as alcachofras na água com sal e vinagre.
2. Retire as pétalas do centro e descarte-as (o suficiente para poder abrir e tirar as fibras).
3. Resfrie em banho-maria de gelo e reserve.
4. Coe o líquido do cozimento e reserve.

Para o risoto

Ingredientes
20 g de manteiga
20 g de cebola picada
200 g de arroz arbóreo
200 ml de vinho branco seco
200 ml de caldo de legumes
500 ml do líquido do cozimento de alcachofras
100 g de coração de alcachofras em conserva picadas
100 g de manteiga sem sal
100 g de parmesão
sal
pimenta-do-reino
azeite de alcachofra (aqui, nossa dica: deixe os corações de alcachofra marinando algumas horas antes do preparo em um pouco de azeite. Escorra-os antes de iniciar a elaboração do prato e então, utilize esse azeite “aromatizado”).

Preparo
1. Em uma panela, derreta a manteiga.
2. Salteie a cebola em fogo baixo até ficar transparente.
3. Adicione o arroz e salteie por três minutos.
4. Coloque o vinho e deixe evaporar.
5. Adicione o caldo de legumes previamente aquecido. Cozinhe em fogo baixo, mexendo sempre.
6. Quando quase todo o líquido tiver sido absorvido, adicione mais. Repita o processo até o arroz estar al dente.
7. Junte as alcachofras em conserva.
8. Desligue o fogo e ponha a manteiga e o parmesão. Mexa bem.
9. Tempere com sal, pimenta e azeite de alcachofra.

Finalização
Esquente as alcachofras no restante do próprio líquido. Escorra bem. Coloque em um prato. Recheie com o risoto e sirva com bastante azeite de oliva.

A todos, bon appétit!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Chicken Biryani


Biryani é um termo persa que, se traduzido para nosso idioma, caberia algo próximo a "frito". Originário da Índia, ganhou também as mesas dos orientais de uma forma geral, sobretudo os árabes, que deram seu toque ao prato. Carnes, aves, frutos do mar ou legumes são algumas das variações do biryani e todas elas são feitas a partir da fritura do arroz basmati e de uma pasta à base de açafrão e iogurte. Tudo isso em uma mesma panela, lacrada com um pano limpo e em lento processo de cocção.
Aqui, a nossa receita de Chicken Biryani:

Ingredientes:
10 pedaços pequenos de frango (cerca de 800 gramas)
2 1/2 xícara(s) de arroz tipo longo (basmati)
3 xícaras de água
2 xícara(s) de iogurte natural
1 colher(es) de chá de cada de pimenta vermelha em pó
1 colher(es) de chá cúrcuma em pó
2 colher(es) de sopa de garam masala p/ frango
3 dentes de alho grandes
2 colher(es) de sopa gengibre picado
sal a gosto
1 cebola pequena picada finamente
1 cebola média cortada em pétalas
Sementes de cardamomo
Cravo-da-índia
folhas de coentro.

Com a ajuda de um mortar, faça uma pasta com o alho, gengibre e os demais temperos.
Faça cortes nos pedaços de frango. Em uma tigela, combine o iogurte, a pasta de temperos, a cebola picadinha e sal. Esfregue esta pasta sobre os pedaços de frango e deixe marinar por duas horas.



Aqueça um pouco de óleo de girassol em uma panela tipo wok. Acrescente a cebola em pétalas e frite por alguns segundos. Adicione o frango e sele-o levemente em fogo alto por cerca de 3 minutos.
Adicione o arroz aos poucos por cima do frango, coloque a água já aquecida e um pouco sal a gosto. Durante este processo, espalhe algumas sementes de cardamomo e cravo-da-índia. 


Cubra a panela com um pano limpo e tampe bem. Cozinhe em fogo bem baixo por 40 minutos.









Antes de servir, revire o conteúdo da panela, deixando os pedaços de frango por cima. Cubra com raminhos inteiros de coentro. Como acompanhamento, sirva o cacik (aquele molho de iogurte).

A todos, bon appétit!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Cozinha peruana de alta qualidade


Aquela velha história da matéria-prima! A cozinha, meus caros, não tem segredo. É a combinação certa de ingredientes de qualidade. 
Num charmoso hotel de Palermo [ calle Uriarte, 1648 - Palermo Soho], funciona um restaurante que sabe bem do que eu falo por aqui. Sipan, é o nome do lugar. É também o nome de um antigo governante peruano, que reinou entre os séculos II e III no Peru, cuja tumba só foi descoberta em 1987 (corrijam-me os amigos peruanos, se alguma informação estiver equivocada).
Sipan, o restaurante, já pelo nome revela o tipo de cozinha que apresenta ao cliente: guarda um pedaço precioso do Peru, entre esculturas decorativas e pratos típicos. Dizem que todos os objetos de decoração foram mesmo trazidos do país homenageado. Além disso, o toque da pop art, que traduz a proposta entre história e originalidade, não fica apenas nos cardápios coloridos, mas ainda em recantos de paredes e painéis. Um lugar agradavelmente diferente!
A comida traz não apenas a tradição peruana, mas um toque mais cosmopolita, ao integrar ao cardápio alguns elementos da comida japonesa, numa interessante combinação que deu certo!
Olha, e se tem uma coisa que me agrada são as cozinhas abertas. Ou seja, você está na mesa e está vendo como a equipe do restaurante trabalha os pratos (com que agilidade, com que cuidado, com que organização - isso é maravilhoso).
Quando você escolhe a mesa, o garçom já vem com aquelas porções de milho peruano tostadinho (cancha ou maíz chulpe, como dizem), que são o que há de mais típico quando pensamos em Peru. De entrada, niguiris de camarões com molho de maracujá. Uma delícia. Obviamente, o carro-chefe do restaurante são os ceviches. Escolhemos dois: o tradicional, feito com corvina, e o de frutos do mar (com polvo e camarões). Foi difícil escolhermos o melhor entre eles, então vou recomendar ambos! Para harmonizar, pedimos um Linda Flor chardonnay 2009. A carta de vinhos é restrita, mas os rótulos disponíveis são ótimos e têm preços muito justos. Aliás, se formos falar no conjunto de tudo isso, a brincadeira não é cara, principalmente porque na hora de pagar a conta, não há como não se sentir recompensado e agradecido - por ser bem tratado, bem servido e saber que a qualidade é o segundo nome desse lugar!

sábado, 29 de outubro de 2011

A quem interessar possa...

‎"Quando um tipo vai além de todas as medidas e de fato me ofende, já com ele não me aborreço, não fico enojado ou furioso, não brigo, não corto relações, não lhe nego o cumprimento. Enterro-o na vala comum de meu cemitério — nele não existem jazigos de família, túmulos individuais, os mortos jazem em cova rasa, na promiscuidade da salafrarice, do maucaráter.
Para mim o fulano morreu, foi enterrado, faça o que faça já não pode me magoar. Raros enterros — ainda bem! — de um pérfido, de um perjuro, de um desleal, de alguém que faltou à amizade, traiu o amor, foi por demais interesseiro, falso, hipócrita, arrogante — a impostura e a presunção me ofendem fácil. No pequeno e feio cemitério, sem flores, sem lágrimas, sem um pingo de saudade, apodrecem uns tantos sujeitos, umas poucas mulheres, uns e outras varri da memória, retirei da vida." (Jorge Amado. Navegação de Cabotagem)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

La Brigada - a melhor parrilla, indiscutivelmente!





Dessa vez foi mesmo para tirar a prova: não perca tempo nem dinheiro e vá direto ao La Brigada [Calle Estados Unidos, 465, San Telmo], quando quiser comer uma verdadeira e saborosa parrilla em Buenos Aires. É porque assim, ó: existem os famosos pega-turistas, os cantinhos da moda, os lugares baratos e os que preferem a qualidade. O La Brigada está neste último. Simples assim.
Para quem não conhece, a parrilla é um prato dos pampas (o famoso churrasco, aqui no Sul). Na Argentina e sobretudo no Uruguai, há um cuidado especial na escolha e preparação da carne a ser assada (sempre horizontalmente). Carnes como as de cordeiro, porco e boi são as mais utilizadas em uma boa parrilla, mas lembre-se que você pode pedir qualquer parte desses animais para seu assado, inclusive vísceras e glândulas (em Montevidéu, experimentei glândulas de vaca e, acreditem, são deliciosas! Uma carne branca, de sabor suave). É bom lembrar que, para o paladar brasileiro, as parrillas precisarão sempre de um pouco mais de sal, mas isso não compromete o valor do prato: as carnes são muito macias e lembrar de pedir que venha ao "ponto do assador" é o ideal para quem vai experimentar pela primeira vez e por outras mais.
Eu sempre digo aqui que valorizo muito os lugares frequentados pelos nativos das cidades onde visito. E sempre digo o porquê. Só se conhece bem um lugar, vivendo da forma como vivem os que o habitam. Não adianta viajar milhas para comer em um fast food da vida (nada contra fast food e até acho que no aperto, é o que nos salva... mas vamos evitar a apelação). Há que se sentar em parques e comer os sanduíches de carrinhos, tomar sucos de frutas da região, procurar ir a restaurantes frequentados pelos moradores, comer o que se come naquela cidade (desde que você não tenha alergia, no mais não há justificativa para achar o costume de alguém algo nojento ou sem sabor, só porque não é o seu feijão com arroz).
A primeira vez que ouvimos falar no La Brigada, eu confesso que imaginei um lugar bem diferente, mas depois de me aprofundar um pouco mais na cultura argentina, tudo ficou esclarecido: os argentinos são fanáticos por futebol (talvez até mais que nós - e eles têm bons motivos, o que anda nos faltando por aqui). A pitoresca decoração, então, pode não agradar a todos, mas é sem dúvida o que há de mais naturalmente argentino - há bandeiras e faixas de times de futebol do mundo inteiro e, eles prometem: se seu time não estiver nas paredes do La Brigada, leve seu símbolo e eles o pendurarão! Uma outra parede, branca, exibe autógrafos de personalidades, entre técnicos de futebol, jogadores e renomados chefs de cozinha, todos dando os bravos a Hugo, o proprietário! Apesar da frequente fila na porta, o atendimento é rápido e os garçons são ágeis. Explicam o que é necessário o cliente saber de cada prato e saem correndo, porque o movimento é grande e eles não têm tempo a perder. De qualquer forma, parece que têm olhos nas costas, pois mesmo antes da taça esvaziar, já estão ali pra garanti-la sempre cheia.
Mas o espetáculo do La Brigada é, sem dúvida alguma, a carne. Você escolhe seu pedaço da parrilla e o acompanhamento (é bom pedir alguma entrada, como um prato de jamón crudo ou una picada de quesos. Pedimos uma empanada de carne para a filha e uma porção de jamón con melón para nós). No nosso caso, fomos de salada da casa, papas fritas e, no churrasco, escolhemos las entrañas e o tradicional bife de chorizo (contrafilé). De qualquer forma, vale a pena também provar o asado de tiras (costela) ou o ojo de bife. A carne, meus queridos, é cortada de colher!!!!! Isso mesmo, colher! É tão macia que o garçom não usa faca para cortá-la! Ele vem com duas colheres e vai separando aquela "manteiga" para você e ainda explica, quando vê que seus olhos estão boquiabertos: "sí, és una cuchara"! 
Falando bem francamente: já tivemos a oportunidade de ir a conceituados restaurantes de parrilla, como o La Cabrera (que serve as melhores papas fritas que comemos em Buenos Aires, podem ir lá só pra comprovar. Aproveitem que é o da moda), o Siga la Vaca (esse me lembrou muito as churrascarias daqui), Cabaña las Lilas, enfim. Todos são bons, mas nenhum serve a carne do La Brigada, ponto. Quer motivo maior para sempre retornar?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Buenos Aires sem milagres



Acabamos de retornar de mais uma passagem por Buenos Aires e, como sempre, nem mesmo o vulcão chileno foi capaz de estragar os dias especialíssimos com que aquela cidade sempre nos brinda. Um ou outro contratempo, como remarcação de passagens, procura inesperada por hotel para mais dias do que os planejados, mas tudo naquele clima de "ok, pelo menos estamos em Bs As". 
Daí que hoje eu começo nossas resenhas sobre algumas indicações de restaurantes para conhecer, para retornar e para nunca mais voltar! Vamos começar por onde nunca mais voltar, pra acabar logo com isso, então!
Seguimos a dica da revista Viagem que estava nas bancas na semana em que íamos pegar o beco e resolvemos atracar no tal El Almacén de los milagros [Av. Quintana, 210, Recoleta]. A sugestão era um almoço rápido na Recoleta, como prometia a revista. Mas a coisa foi além... de rápido, nossa hora sagrada tornou-se mesmo um tumultuado e atrapalhado encontro com uma comida sem milagre algum! Primeiro que nos colocaram numa mesa sem toalha, porque não tínhamos feito reserva (oi?). Depois, não serviram o couvert de J. ,apenas o meu e o da filha - muito chato ficar esperando um terceiro prato que não vem nunca pra mesa! No fim, nem petiscamos direito porque J. estava sem o prato dele... que indelicadeza! Além disso, a desorganização da cozinha incomodou e os garçons estavam visivelmente despreparados para atender a demanda do dia... até para algo que deveria ser praxe numa cidade como Bs As - servir o vinho - foi desastroso! Vinho este que, aliás, valeu a conta: um Amalaya Gran Corte, 2009 - espetáculo com todos os bravos.
Pontos positivos do restaurante (que talvez justifiquem o nome dele nas indicações de viagem da revista): localização, mobiliário e decoração dignos de um verdadeiro armazém (com aquelas balanças vermelhas antigas e latas de biscoitos da época da vovó), proposta de almoço rápido e descontraído (o que já desobrigaria uma reserva), cardápio enxuto, que oferece ao cliente ótimas opções para entradas e pratos principais, da Itália à Argentina, e uma carta de vinhos que faz jus ao país. 
Por que não voltar? Se você está em Buenos Aires, uma cidade que tem um dos melhores serviços de mesa que eu conheço, isso deve ser merecidamente respeitado pelo turista. Comida boa não é diferencial para restaurante. É obrigação. E há duas coisas que eu não tolero, quando estamos falando desse assunto: primeiro de tudo, ingrediente ruim em prato caro (o que faz uma boa comida é a escolha criteriosa dos ingredientes, desde os básicos, como o azeite ou a manteiga da preparação. Isso tem que ser regra). Segundo, serviço de péssima qualidade. E pagamos por essas duas coisas no Almacén. Motivos para não voltar, não faltaram... os milagres, sim!


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A falta de pan, tortilla!!!!

O cardápio mexicano é prato cheio para quem gosta de brincar com condimentos. Além do desbunde da pimenta, a cozinha de los chicos não dispensa combinações inusitadas e um tanto ousadas.
Hoje eu darei duas receitas de pratos mexicanos, adaptados ao paladar brasileiro, simples e que certamente farão sucesso em um almoço de domingo, com a filharada reunida. O mais legal dessa culinária é a possibilidade do almoço não acabar durante toda a tarde, porque a brincadeira é comer despojadamente esses pratos coloridos e deliciosos!
Aqui em casa, a filha não dispensa o famoso guacamole, que é um purê de abacate temperado, servido com tortillas (os famosos pães em forma de disco, feitos a partir de farinha de milho). Pelos supermercados do Sul, já é possível encontrar tortillas prontas para o consumo. No entanto, vale salientar que elas possuem uma quantidade considerável de gorduras saturadas e, pelo preço, vale mais a pena colocar a mão na massa. Como estávamos apenas eu e a filha no final de semana, copiei a ideia do Café Saint Germain, lá na Lagoa da Conceição, e fiz a substituição da tortilla industrializada pelo famoso pão sírio (ou pita). Vou ensinar como faz. Primeiro, abra o pão sírio pela metade. 

Em seguida, corte-o em triângulos e leve ao forno pré-aquecido por uns 3 minutos. Ele vai ficar crocante, como aqueles snacks de saquinho, que você compra no supermercado.




Para o guacamole, você vai precisar de:
1 abacate meio maduro;
1 cebola picada em cubinhos;
1 tomate picado em cubinhos (sem semente);
suco de 1 limão;
200ml de leite integral;
coentro em folha (não me venham com coentro em grãos, por favor! Vamos aprender a usar a cozinha em benefício próprio);
pimenta (opcional, SÓ aqui no Sul do Brasil);
sal e pimenta-do-reino.


Primeiro, você vai amassar o abacate, até que fique um purê. Em seguida, misture aos poucos os ingredientes e vá provando e acrescentando mais tempero, se for o caso. Sugiro que, se não quiser colocar a pimenta diretamente no guaca, leve-a à mesa, pois muitos convidados experimentarão o prato e sentirão falta de um certo picante, que dará charme à iguaria, vá por mim. Depois, monte uma mesa bem linda, em cores de México e deixe o pessoal se divertir:

Para quem quer ainda mais opções, vou ensinar mais uma maneira de utilizar as tortillas: vamos montar as famosas Fajitas mexicanas, que são uma espécie de panqueca. Elas surgiram porque os trabalhadores mexicanos do Texas levavam seu feijão e carne prontos e, para facilitar na hora de comer, colocavam dentro das tortillas. Para isso, cozinhe normalmente uma porção de carne moída temperada (como você faz no dia a dia em sua casa). Em uma panela, cozinhe outra quantidade de feijão carioca, mas não coloque na pressão, pois ele precisa ficar cozido, mas consistente. Depois, junte em uma frigideira a carne moída e os grãos de feijão, regando com o caldo do cozimento para não grudar. Em seguida, coloque um pouco de polpa de tomate na frigideira e, se gostar, acrescente bastante pimenta (o chilli mexicano), além dos temperos verdes que você geralmente tem em casa.


Para montar, fatie pimentões coloridos, pique alface, mais uma fatia de queijo mozzarella e enrole tudo nas tortillas. Vai ficar assim:


A todos, bon appétit!
P.S.: o título deste post é um dito popular mexicano, que aqui no Brasil funcionaria mais ou menos como: "quem não tem cão, caça como gato" (é "como" gato mesmo, tá pessoal! A gente é que costuma dizer errado e utiliza a preposição "com" - mas gato é um bicho que caça solitário e por isso quem não tem cão caça COMO gato). Ou seja, cada um se vira como pode nessa vida!!!!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Porque os filhos crescem



O título deste texto não é uma pergunta. É uma resposta. Ao apego exagerado dos pais às suas crias. Muitos dirão que este texto é duro, que é pessimista, que é um tanto cruel. Não é nada disso, relaxem. Relaxem mais sobre seus filhos ao longo da vida. Relaxem mais sobre vocês mesmos, como pais e mães. Como educadores, como protetores. Porque os filhos crescem. A vocês, só restarão as lembranças. As doces lembranças, as doloridas lembranças, as amargas lembranças, as eternas lembranças. Lembranças que – tenham certeza – vocês farão de tudo para não se apagarem. Mas elas serão as únicas coisas que vocês poderão guardar. Guardem os primeiros pares de meias dos seus bebês, envoltos em sachês de lavanda. Guardem as caixinhas coloridas com os trabalhos escolares de seus filhos pequeninos. Guardem as fotos de momentos mágicos em família. Guardem o dia em que começaram a andar, a primeira palavrinha pronunciada, o primeiro choro de fome, de dor, de pedido de ajuda. Guardem o primeiro sorriso, a primeira tristeza. Guardem as primeiras confidências, o primeiro namorado, o primeiro pedido de colo, a primeira alegria, a primeira briga. Aliás, guardem todas as brigas, porque elas ensinarão a vocês dois muito sobre ambos. Guardem todas as vezes em que os olhares confidentes de seus filhos procurarão os seus olhos compreensivos. Todas as vezes em que eles lhes chamarão no meio da noite e todas as vezes em que eles pedirão para vocês não incomodarem. Guardem as vitórias na escola, as decepções com os amigos, as rejeições dos grupos, as notas baixas. Mas não queiram guardar seus filhos em gavetinhas para tirá-los de lá antes das refeições e sentá-los à mesa, todos os dias. Ensinem a eles o caminho para voltarem sempre que quiserem ou que precisarem. Não emoldurem os filhos em cimentos de proteção. Emoldurem o que acharem que seus filhos mereçam nas paredes da casa que serão sempre dos pais deles. Porque a casa dos pais não será para sempre a casa dos filhos. Nem os filhos esperam por isso. Eles anseiam pelo mundo, pelo próprio espaço, desde que saíram de suas mães. Não tenham ilusões de volta. A volta será a mesma que vocês fizeram à casa de seus pais: uma breve visita. Um almoço de domingo. Um telefonema durante a semana. Porque os filhos crescem. Porque eles precisam viver suas vidas, porque eles querem viver suas vidas. Aos pais, às mães, as lembranças. Mas, ao contrário do que muitas vezes acontece, tentem não se magoar com as escolhas de seus filhos. Não sintam ciúmes das vidas que eles construírem. Aplaudam as conquistas e aceitem de bom coração o lugar que foi reservado a vocês: o lugar da saudade. Um lindo lugar, por sinal, se vocês pensarem que só sentimos saudade do que valeu a pena. Porque os filhos crescem... numa velocidade assustadora. E eles vão precisar de seus conselhos, de seu apoio, de seu sorriso. Eles não precisam é de suas lágrimas, de seu sofrimento, de sua incompreensão, como corvos observando com olhos vazios a despedida. Eles não querem pais tristes e deprimidos. Eles querem ter a chance de reencontrá-los como seus velhos amigos. Aqueles que dividiram uma parte preciosa da vida: a infância e uma pouca parcela da juventude. Os pais precisam entender que os filhos crescem. Simplesmente porque é a lei natural da vida.

(Em homenagem a mim, que procuro entender todos os dias, há 15 anos, que a minha "bebê" está crescendo, independente da minha vontade... e quero ser sempre uma pessoa feliz por ela, para que a cada reencontro, nós possamos nos sentar como grandes amigas de uma vida inteira... quando eu estiver com 78 anos, terei uma filha de 60 e isso é o maior presente que a vida me deu – a oportunidade de envelhecermos juntas, vendo este século acontecer, amém)!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

É primavera!!!!


Para comemorar a chegada dessa estação que faz a diferença pras bandas de cá do mapa, sigo postando as fotos da nossa hortinha, a que nos dedicamos ao longo do inverno para que chegasse tão verdinha à primavera (aproveito para avisar que há muitos textos legais a serem publicados durante esses dias - inclusive uma foto de que muitos vão adorar por aqui. Mas, depois da visita corrida do pai e da mãe para o aniversário de 15 aninhos da filha e ainda uma mala extraviada do marido para ser localizada - achamos! - e deixar toda a roupa lavada e passada em menos de uma semana para mais uma viagem, preciso respirar um pouco e só então retomo nossa deliciosa rotina por aqui, ok?):

Então, em homenagem à primavera de 2011, eis que ele desponta com flores, o NOSSO PÉ DE MANJERICÃO!



Aqui, uma visão mais geral da hortinha, na nossa sacada (um pé de pimenta dedo-de-moça, uma pimenta malagueta, nosso orégano verdinho e, lá ao fundo, a sálvia e a salsinha (que está precisando ser colhida):




A hortelã, cultivada nesse vasinho desde 2007

Nossa schoenoprasum (cebolinha da folha fina hehehehe)

Orégano

Sálvia

Salsinha lisa

E, pra não dizer que não falei das flores, quem lembra da Sofia? Tá despontando linda para a primavera, depois de ameaçar morrer nesse inverno - ficou absolutamente murcha com tanta água (já tem 4 botões)

Essa é a orquídea que ganhamos da Gê e do Rapha, não para de dar flor desde que chegou, um desbunde!!!!
A todos, o colorido da primavera! Amém!

sábado, 10 de setembro de 2011

Sobre crianças e restaurantes

Desde domingo passado, com a publicação no suplemento Donna DC da matéria sobre a proibição de crianças em determinados estabelecimentos públicos da capital catarinense, criou-se uma discussão acalorada na cidade que, a meu ver, é pouco frutífera. E explico: uma sociedade civilmente organizada é aquela onde consegue-se achar solução para apaziguar todo o tipo de conflito, no afã de que os membros todos possam viver em harmonia (é o que Kant chamava, em bom alemão, de Bürgerliche Gesellschaft, ou "a Sociedade Civil", que no estudo do Direito nada mais é do que o ordenamento que vai garantir o relacionamento dialético entre macro e micro-comunidade - o Estado e a família). Assim, só há necessidade de uma lei se há uma desorganização social que esteja atingindo a boa convivência entre as pessoas.
Faz alguns anos, nós fomos a um restaurante chiquérrimo com uma vista deslumbrante para a Lagoa da Conceição. O lugar tinha poucas e confortáveis mesas, uma carta de vinhos de fazer inveja aos bons apreciadores e um preço considerável por tudo isso. A música romântica apontava para um almoço que terminaria quase ao pôr-do-sol, de tão maravilhoso que estava sendo! Eis que entrou um casal com duas crianças de seus 3 e 4 aninhos, acompanhadas de uma babá. E, em não mais que meia hora, estávamos loucos para terminar o vinho e deixamos até a sobremesa de lado, tamanha era a algazarra dentro do bistrô. Uma gritaria, brincadeiras inconvenientes para um lugar tão pequeno e inapropriado para receber crianças. Não havia um parque, não havia cadeiras adequadas para os pequenos. Havia apenas uma babá desnorteada, uma mãe cansada e um pai com cara de poucos amigos. O resultado, para nós, foi uma conta caríssima para um aproveitamento restrito! Também não são raras as vezes em que J. chega de uma de suas longas viagens de trabalho e quando eu pergunto se ele conseguiu descansar durante o percurso, a resposta é: "Não. Tinha um bebê no voo e ele não parava de chorar". Escândalo em supermercado também é constrangedor: crianças que gritam, se jogam, ameaçam bater nos pais porque querem o iogurte do Solzinho ou o biscoito que vem com os personagens da Toy Story... por que não deixar os filhos em casa quando for ao supermercado? Se não para evitar esse tipo de cena (muitas crianças são bem educadas em lugares públicos, vamos deixar isso claro), ao menos pela sujeira do lugar (colocar crianças em carrinhos de supermercado é o mesmo que deixá-las sentar num vaso sanitário público). Eu apoio bravamente a criação de espaços infantis, como cinemas, brinquedotecas, dia dos contadores de história nas livrarias, playgrounds, parquinhos ao ar livre, assim como apoio hotéis e restaurantes com infra-estrutura para receber crianças. Mais ainda: eu apoio as crianças! J. vai além e queria que fosse proibido viagem internacional para os muito pequenos. Eu acho que para tudo tem uma solução: as empresas aéreas teriam menos aborrecimento se disponibilizassem voos semanais em que, no ato da compra da passagem, já estivesse discriminado que é permitida a presença infantil naquela aeronave. Um voo semanal. Pronto. Quem não quisesse se incomodar com as crianças, compraria passagem para outro dia. Ninguém ficaria sem direito de viajar. Porque eu acredito que são medidas como estas que vão tornar a criança mais tarde um cidadão responsável, acostumado aos padrões sociais, à vida em comunidade, às regras e também são medidas como estas que vão educar os pais, deseducados pela nova psicologia infantil. Se não há regra, vira casa de Noca, uma expressão que, na minha terra, quer dizer "Casa da Mãe Joana, lugar onde ninguém manda, onde tudo é permitido". A lei vem exatamente para que pais, como aquele casal do tal bistrô, não invadam o espaço de outros cidadãos. Há necessidade de lei quando há desorganização social. E não vejo maior desorganização social hoje em dia do que essa história de pai baixar cabeça pra filho porque vai ferir os direitos humanos da criança. Um "não" hoje em dia tem que trazer toda a retórica para conseguir sustentar um poder que é inerente à condição de pai ou mãe. Na minha época, pai disse "não", era não. Não tinha que explicar o porquê. Ninguém ficou traumatizado com um não sem argumento explícito (porque, sim! Todo pai tem seus motivos - e bons motivos - para negar alguma coisa ao filho). Conheço grandes personalidades da minha idade que receberam muito não dos pais e nunca discutiram com eles. Hoje em dia, a gente vai a um restaurante e as crianças ficam brincando embaixo da mesa, mexendo nos talheres das mesas vizinhas, correndo entre os garçons, quase derrubando as bandejas que eles, verdadeiros malabares, conseguem segurar para que não haja um incidente mais grave (para a própria criança, inclusive). Antigamente, quando íamos com nossos pais aos restaurantes ou a qualquer outro lugar público (inclusive festas infantis), bastava um olhar para que entendêssemos que aquele não era ambiente para determinados comportamentos. Hoje, é assim: "filhinho, vem cá, meu amor! Senta aqui, olha no meu olho, deixa eu explicar porque você não pode correr aqui dentro", enquanto a criança puxa a toalha da mesa pra enfiar no nariz e quase derruba os copos! Então, fiat lux, né pessoal! Alguém tem que colocar ordem na casa! Vão reclamar de quê?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Notícias da chuva em SC

(Centro de Floripa, retirado de http://noticias.terra.com.br)

Amigos queridos e seguidores fiéis do blog, oi!
Quero agradecer o carinho e as mensagens preocupadas sobre a situação da chuva em SC. Então, venho informá-los sobre a real situação. Conosco, tudo bem. Só aquela chuvinha chata e insistente dos últimos meses, com previsão de parar no final de semana, que já está chegando. Mas em Floripa, nenhuma tragédia, nenhuma emergência, nenhum susto (está tudo da ponte pra lá)! Por aqui, a água vai correndo para o mar... e a vida vai seguindo no balanço da jangada.
Entretanto, deixo aqui meu pesar aos amigos que estão no Vale do Itajaí, onde infelizmente a situação parece bem diferente daqui. Ficamos na torcida para um final feliz e menos traumatizante que aquele 2008... deixamos aqui também nossa solidariedade e apoio para o que precisarem!
Alláh'u'abhá!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Promessa é dívida!



Um amigo, algum tempo atrás, cobrou-me aqui no blog uma dívida antiga que eu tinha com ele: falou sobre o dia em que fiz coxinha de macaxeira (ou mandioca ou aipim, como queiram) lá em casa. A gente tinha um grupo de estudo na época do 2º grau (hoje, Ensino Médio) e toda semana nos reuníamos para resolver exercícios e trocar conhecimento. Eram encontros saudáveis na copa lá de casa, que duravam a tarde inteira e muitas vezes alcançavam o chegar da noite... assim, garantíamos boas notas e podíamos ajudar os amigos que estavam em dificuldade em alguma matéria (e muitas vezes eu era a socorrida em Matemática ou Física hehehehe). Então, para a tarde passar mais gostosa, a gente sempre comia alguma coisa e não eram raras as ocasiões em que abríamos aqueles sacos horrendos de salgadinho, que até hoje a gente chama de "pipoca de isopor", quando falamos sobre aqueles encontros! Pois bem, num desses dias, eu inventei de fazer a tal coxinha de macaxeira... e lembro bem que foi uma tarde em que não estudamos. Primeiro, porque deu muuuuito trabalho! Depois, porque os que estavam presentes gostaram tanto que, cada vez que acabava a rodada de coxinha frita, eles queriam enrolar mais massa e voltar pro fogão! Naquela tarde, esse meu amigo não esteve presente, por algum motivo que jamais lembraríamos agora... e até hoje estou devendo as benditas coxinhas pra ele! Então, Erick, meu amigo hoje cientista da Computação, morador de Brasília e casado com uma linda pernambucana (é isso?), aí vai a receita das famosas coxinhas. Enjoy!

Coxinhas de macaxeira

Ingredientes:
1 kg de macaxeira;
1 kg de charque (ou carne de sol/ frescal);
400g de farinha de trigo;
cheiro verde;
1 cebola picada;
sal a gosto;
um fio de azeite;
1/2 kg de farinha de rosca;
óleo para fritar;
toalhinhas de papel.

Modo de fazer:
Primeiramente, você irá cozinhar a macaxeira com sal em panela de pressão até ela desmanchar. Em seguida, espere esfriar um pouco e bata no liquidificador junto com um pouco da água do cozimento, para ajudar a bater. Vá acrescentando a farinha de trigo aos poucos com o liquidificador ligado, até que fique uma massa muito pesada - com certeza sobrará farinha de trigo nessa etapa. Tempere com o cheiro verde; leve ao fogo brando, e mexa sem parar. Vá acrescentando aos poucos a farinha de trigo que sobrou, até que fique muito pesado para você mexer, então a massa irá desgrudar do fundo da panela (como um brigadeiro). É hora de desligar. Deixe esfriar totalmente.

Enquanto isso, vamos preparar o recheio. Corte a carne de charque em cubos grandes e afervente-a 3 vezes para retirar o sal (o procedimento será o mesmo para a carne de sol ou frescal). Em seguida, processe-a no liquidificador para desfiá-la e leve a uma frigideira com cebola, o fio de azeite e, quando ela estiver frita, tempere com cheiro verde de sua preferência.

Agora, é hora de fazer as coxinhas: primeiro, faça uma bolinha com um pouco da massa e fure-a bem no meio, onde irá colocar o recheio (cuidado para não fazer bolinhas muito grandes, pois a ideia é que seja um aperitivo. Logo, as coxinhas devem ser muito delicadas). Depois, modele-a no formato de uma coxinha. Quando todas estiverem prontas, passea-as em água gelada e, em seguida, na farinha de rosca.


Coloque o óleo para esquentar e apenas quando ele estiver bem quente, comece a fritá-las, colocando-as em seguida em toalhinhas de papel para absorver o excesso de óleo.

Sirva como petiscos, acompanhados de molho de pimenta, catchup ou molho tártaro.

OBS: há variações para a receita. Por exemplo, acrescentar à carne desfiada um pote de requeijão e misturar bem antes de rechear as coxinhas. Ou ainda trocar a carne de charque ou sol por peito de frango. Neste caso, cozinha-se o peito com bastante tempero e depois desfia bastante.

A todos, bon appétit!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Casquinha de laranja


Para comemorar a cara nova do blog - vermelho cor de carne - vou postar a receitinha básica de casca de laranja cristalizada para você servir à hora do café. O legal dessa receita é que ela reaproveita o que a gente costuma jogar no lixo: as cascas! Além de ser um doce reconhecidamente fino e sofisticado.

Daí você precisa de:

20 laranjas (pode ser a laranja pêra mesmo, mas se você quiser uma cor intensa da casca, utilize o tipo bahia);
1/2 kg de açúcar refinado;
1/2 l de água;
cravos-da-índia a gosto;
açúcar de confeiteiro para finalizar.


Descasque as laranjas tomando cuidado para tirar a menor quantidade possível da parte branca do interior dela. Em seguida, fatie as casquinhas no comprimento. Coloque de molho na água por três dias (conserve na geladeira). Troque a água todo dia. Isso irá retirar o amargo do sumo da casca. Após esse período, coe as cascas e reserve. Em uma panela, coloque o açúcar e a água, mexa até que o açúcar derreta completamente. Acrescente as casquinhas e leve ao fogo brando para engrossar a calda.
Depois, retire as casquinhas da calda e coloque-as para secar por mais três dias. Finalize com o açúcar de confeiteiro e conserve-as em um pote fechado com alguns cravos-da-índia.


Na hora de servir seu espresso para a visita ou mesmo para você, coloque uma casquinha de laranja no pires para degustá-la ao final do café. Além de elegante, fica uma delícia!

A todos, bon appétit!