terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O decadente Ataliba (ou "como espantar o cliente em uma lição")



Hoje eu quero contar nossa última experiência num lugar aqui da Ilha, que diz manter em sua essência "o excelente atendimento e a qualidade de seus produtos". Não sei o que eles querem dizer com excelência e qualidade, mas essas foram duas palavrinhas que passaram longe da porta da tal Churrascaria Ataliba na noite de segunda-feira em que estivemos lá.
A historinha narrada aqui é cheia de equívocos gerenciais e vai servir de exemplo sempre que nós quisermos nos lembrar de como não se deve tratar um cliente num estabelecimento gastronômico!
Mas, antes de continuar o relato desta lamentável experiência, devo advertir: não falo sobre a rede de churrascarias que atende pelo nome e pela gravatinha, mas unicamente daquela situada em Florianópolis, na Avenida Beira Mar Norte.
Bem, o esquema lá é como o de qualquer outra churrascaria do Brasil: rodízio de carnes (a maioria, no espeto) e buffet de saladas. A grande diferença está no $! A churrascaria da gravatinha cobra nada menos que R$62,00 no rodízio, além de taxa de serviço e bebidas à parte! Ficamos no chope, que pelo menos era Schornstein. A primeira impressão desagradável foi do local em si: a recente reforma atingiu apenas as paredes de fora! Mesas de buffet velhas, mal cuidadas, lembrando um salão de hotel decadente dos anos 50. Cadeiras afrouxadas pelo tempo, que não dão ao cliente a segurança de estar sentado num objeto resistente. Um ambiente escuro cujos ruídos dos talheres lembravam qualquer restaurante de centro de cidade na hora do almoço. Definitivamente, nada poderia ser pior. Até que veio a fatídica constatação: qualquer restaurante que opte por abrir suas portas às segundas-feiras, deve ter em mente que sua qualidade precisa ser a mesma de qualquer outro dia da semana. O que nós vimos foi um festival de alfaces murchas, queijos ressecados, coração de alcachofra com cheiro de geladeira e a carne, meus amigos, parecia que tinha ficado o dia inteiro na churrasqueira. Só o que nós pedimos mal passado parecia estar realmente fresco, sem aspecto de carne ressequida! Muito sal no carneiro, muito fogo na picanha, pouquíssima variedade de carne para justificar o valor cobrado! E, pra terminar, aquele show de sobremesas: cremes e pavês, todos com emulsificantes artificiais, dando impressão de desleixo e falta de tempo para se preparar algo mais aprimorado e saboroso. Lamentável, imperdoável, impagável!
Todos que lêem esse blog sabem que o que nós não nos preocupamos é em pagar bem pela comida de qualidade (na dúvida, é só ler posts antigos)! No entanto, precisamos lembrar que o maior prazer (e o mais primitivo) do ser humano é comer... e alguns de nós sabem valorizar a gastronomia de ponta. Então fazemos questão de registrar aqui nossas melhores e nossas piores experiências gastronômicas, com o único intuito de que empresas que se disponibilizem a abrir suas portas para receber clientes à mesa, possam aprimorar sua qualidade e ter a consciência de que o bem servir é uma arte e ele deve valer o que se cobra! Para os que querem melhorar com as críticas, fica uma dica de leitura, na foto deste post. Porque até para manter o sucesso há que se ter conhecimento e curiosidade, sempre!

E temos dito!

Um comentário:

Marília disse...

Pra começo de história, Ataliba, por aqui, é o nome de um pistoleiro famoso nos anos 80. E, esta experiência deve ter sido o mesmo que levar um murro do cabra, no estômago, pois nem quero imaginar por onde o tiro poderia sair.