segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mais da série Gourmandises: queijo com tomate e manjericão





Bem , o petisco de hoje guarda uma curiosidade: ele é feito com queijo de coalho, um queijo tipicamente nordestino, que de uns tempos pra cá pode ser encontrado nas prateleiras de supermercado de todo o País, pronto para ir à grelha. Na verdade, quando essa especiaria nordestina passou a ser fabricada, ela tinha um motivo: diz a lenda que as cidades do Nordeste demoraram um tanto para se expandirem e a zona rural era sempre muito distante dos centros urbanos. Nesse blablablá todo, os fazendeiros produziam seu queijo para que durassem mais no transporte até a cidade. Assim, utilizavam na fabricação do queijo de coalho, o que restava da coagulação do estômago seco e salgado de pequenos ruminantes. Isso ajudava o queijo a "coalhar" de uma forma que não estragasse tão rápido. Hoje em dia, lógico, as fábricas de produção de queijo no País (mesmo as menores) já utilizam um coagulante de origem microbiana que dá o mesmo efeito ao queijo de coalho.
O melhor desse queijo é que ele, ao ser colocado em contato com superfícies quentes, não apenas derrete, mas forma uma fina crosta amendoada em volta de si, o que garante que ele fique molinho e derretido por dentro, mas crocante por fora. Uma delícia!
Não há novidade no preparo desse prato, a não ser a de ter sido uma receita enviada pela Marília, nossa madrinha de casamento e grande amiga dos tempos de faculdade. Bem, a receita é tão prática quanto a Marília e tão rápida quanto a forma como nos descobrimos amigas:

um dia a gente se conheceu no primeiro ano de Letras (enquanto isso, você pega o queijo de coalho e o deita delicadamente numa travessa - pra facilitar, já comprei o que vem temperado com orégano, mas pode ser feito com o natural, desde que você acrescente umas pitadinhas do condimento), ela era apaixonada por gatos e eu gostava de arrumar um lar para eles
(cubra o queijo com tomates maduros cortados em rodelas).
Foi aí que achamos um lindo bichano perdido pelo campus e eu pedi que Marília o levasse para casa, sob a promessa de pedir ao meu pai autorização para criar o coitadinho lá em casa (sobre os tomates, coloque folhas de manjericão e regue com azeite). Marília então, de moto, colocou o gatinho na mochila e o levou para a casa dela... onde ele (ou ela?) viveu até um tempo desses... descobrimos depois que o gato era da raça Russo Azul, lindo de morrer!!!! E foi nesse episódio que ganhamos a cumplicidade e intimidade que mantemos até hoje (deixe o forno em uma temperatura alta, para que o queijo derreta mais rápido do que sequem as folhas de manjericão).
A todos, bon appétit (e sorte, para levar por toda a vida pessoas especiais no coração)!
K.