quarta-feira, 5 de maio de 2010

Da nova série, "gourmandises":

By: Espaço Fotográfico

Essa semana recebi um e-mail da minha cunhadinha recém-casada sobre a fase de receber amigos na casa nova, preparar aperitivos para servir na louça nova, usar os porta-copos do chá-bar, essas coisas deliciosas... daí pensei que essa seria uma ótima oportunidade para postar aqui, em homenagem à Jeanne e ao Marcelo (o concunhado) - e a essa nova fase na vida deles - , algumas receitinhas práticas e fáceis para os muitos momentos que virão de comemoração e recepção. Assim, estou abrindo com este post a série "Goumandises", ou simplesmente "especialidades" em bom português...
A receita que vou dar aqui hoje tem um gosto muito especial na minha vida: é a que uma grande amiga de faculdade fazia todo final de semestre na casa dela, pra gente ter motivo pra se reunir e aproveitar (que a vida é mais curta quando se é jovem demais)! Então, lá íamos nós com nossas cervejas de promoção embaixo do braço e os cds (originais, que naquela época a pirataria de cd ainda era novidade) que tínhamos conseguido comprar durante o semestre, para o famoso Vatapá da Erbênia!!! Tudo acontecia no quintal da casa dela, no centro da cidade. Começava pelas 16h do dia marcado, mas ninguém poderia dizer quando ia terminar (geralmente a reuniãozinha durava dois dias hehehehe). Pela praticidade daquela época, lembro-me que servíamos as mini porções de vatapá em copinhos de café descartáveis (assim não tinha louça pra lavar depois). A cerveja era bebida nas latinhas mesmo, porque copo descartável só mesmo pro vatapá e cada um que segure o seu pra não ficar pegando outro copinho limpo!!!! Ai, velhos tempos!!!!!
Bem, um outro objetivo aqui é também contar um pouco da história de cada petisco, pra coisa ficar mais arrumadinha. Então, minha veia científica entrou em ação e, eis que já caí no primeiro dilema: de onde vem, afinal, o vatapá? Câmara Cascudo foi categórico (como sempre) ao afirmar que o vatapá é prato inventado aqui no Brasil, mais precisamente na Bahia mesmo - e ainda, não dando explicação para o significado do nome, compara a iguaria ao "Tacacá" do Norte. Bem, exceto pela sonoridade do nome, em nada assemelham-se esses pratos exóticos, a meu ver! Já Gilberto Freyre, em seu livro "Açúcar", revela talvez até com mais fundamento que o vatapá foi mais uma herança dos africanos. O preparo deste prato é muito parecido com os típicos muambo de galinha e quitande de peixe preparados pelas negras e servidos aos europeus durante os saraus. Mas, como o bom mesmo é comer, vamos à receita que a panela já ta quente!
Há algumas variações do típico vatapá. Uma delas, ao invés da massa de fubá, usa-se pão picado (esta é a versão que eu prefiro e também a usada pela Erbênia, minha amiga). A outra relata dois sabores diferentes: podemos fazer o vatapá de galinha ou o de peixe. Na Bahia o mais comum é mesmo o de peixe, com bastante camarão seco. Nessa versão, utiliza-se ainda o amendoim e a castanha na massa (essa é a versão preferida da minha mãe e, confesso: não menos saborosa). Mas como eu vou dar a receita da Erbênia e ela é mais comedida na cozinha, vamos ao vatapá de galinha (alguns ingredientes eu acrescentei por minha conta, então eles estarão em vermelho). Esta receita será para 4 pessoas (lembrem-se sempre que a conta para aumentar a receita é sempre a de um pão por pessoa... daí, por essa medida, aumentem os demais ingredientes também).

Vatapá da Erbênia:

Então, para servir bem 4 pessoas, você vai precisar de:

4 pães dormidos;
500 g de peito de frango cozido e desfiado;
500 ml de leite;
250 ml de leite de coco;
1 cebola picada;
1 tomate picado;
1 pimenta dedo de moça (ou pimenta doce) picada;
cheiro verde picado (coentro, cebolinha, sálvia, manjericão);
gengibre ralado;
azeite de dendê a gosto;
sal;
pimenta do reino moída.

Modo de fazer:

1) Em uma travessa, pique o pão e acrescente a cebola, o tomate, a pimenta picada, o cheiro verde, leites, sal e pimenta do reino. Deixe descansar por uma hora ou mais na geladeira.






2) A seguir, passe a mistura no liquidificador e jogue na panela em que você cozinhou o frango (para aproveitar o caldo que ficou lá).








3)Não pode parar de mexer.















4) Quando começar a engrossar, acrescente o frango desfiado e, por último...






5)... o azeite de dendê (aqui em casa colocamos pouco dendê, o suficiente apenas para dar cor e aroma - aliás, castanhas combinam muito com vatapá exatamente por causa do aroma acastanhado do dendê quente, podem prestar atenção). Há quem já coloque, ao desligar a panela, o toque de pimenta malagueta ou outra de sua preferência. Eu prefiro levar o vidro à mesa e deixar que cada um coloque a sua medida (até porque eu costumo exagerar na pimenta, porque meu paladar pede isso). Sirva em pequenas porções e decore à sua maneira (eu decorei esse aí com folhinhas de coentro e pimenta doce, mas fica muito bonitinho também com gotículas de dendê e um salpicado de castanha quebradinha- aquela mesmo, que colocamos em sorvetes). Se fizer como um prato para almoço ou jantar, sirva com arroz branquinho e verdurinhas cortadinhas em delicados cubos temperadas com azeite de oliva apenas. E você ainda pode comer ouvindo isso aqui, ó:

A todos, bon appétit!

Um comentário:

erbeniacaetano disse...

Minha linda amiga, com este texto vc não só me deixou com água na boca, como também me proporcionou relembrar os anos apimentados (assim como o vatapá) de faculdade aqui em Campina. bjs, Erbênia