domingo, 30 de maio de 2010

Do inferno astral e outros demônios




Quem me conhece atualmente, não me chamaria de uma pessoa mística. Ao contrário, sou até bem cética quanto aos devaneios da astrologia. Minha filha nasceu em Virgem e, no entanto, não é nem um pouco organizada e sistemática. Vai ver que é porque foi prematura. Mas, não nego: gosto de ser de Gêmeos e até me acho bem parecida com Gêmeos: um ser antagônico, paradoxal, um tanto sensível e incompreendido. Meio excêntrica, sem meias palavras, que odeia pessoas melindrosas. Tenho ataques de humor (do bom e do mau), não me apego fácil a nada que não seja etiquetado com meu endereço - um tanto possessiva, mas sem rompantes de eternidade! Tudo é mutável, tudo passa: da dor à felicidade! Não gosto de nada pela metade, desde e-mails não respondidos a promessas de reencontros. Tudo ou nada. Ponto. Gosto de me encarar no espelho: acordar é o melhor momento para olhar pra dentro de si e negar o que incomoda. Nem sempre a capa é a verdade que habita a alma. E olhos sonolentos são sempre distraídos, revelando-nos nossa verdadeira identidade. Não há homem tão honesto quanto um bicho, não há bicho tão apaixonado como o cão, não há lugar melhor no mundo do que a nossa casa e não há casa mais nossa do que a que construímos com quem amamos! Bem, dizem que o período de 30 dias que antecede a data de nosso aniversário é o nosso inferno astral. Aquela época em que ficamos mais sensíveis e precisamos dar mais atenção a nós mesmos. Talvez por estar bem no meio do meu inferno inferno astral é que resolvi publicar isso aqui. O meu testamento de sentimentozinhos, para que fique registrado aos meus amigos que quem nunca andou de canoa, não sabe o que é remar! E o resto é perfumaria, tenho dito!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Da série "Gourmandises": vinagrete de camarão da cunhada




Então que a cunhada gostou da homenagem e me mandou uma receita que, honradamente, passo a publicar (quem quiser mandar receitinha de petiscos para receber os amigos, estou à espera... testo e publico)! Segue então para os leitores o passo-a-passo do vinagrete de camarão: prático, rápido e rende para um batalhão.

Vou passar a quantidade que eu utilizei e rendeu o suficiente para umas 8 pessoas, mais ou menos (levando-se em consideração que comemos no sábado, domingo e ainda tem na geladeira). Lá vai:

Ingredientes:

1 vidro de conserva grande (desses que vendem em supermercados, compostos por cenoura, pepino e couve-flor, por exemplo);
500g de camarão sem casca;
2 dentes de alho;
1 cebola;
um tipo de pimenta in natura de sua preferência;
sal e pimenta do reino a gosto;
azeite de oliva extra-virgem;
cheiro verde;
pão para acompanhar.

Modo de preparo:
Pique delicadamente a conserva e reserve em uma tigela.


Com os camarões pré-cozidos (aqui em casa eu os cozinho rapidamente no vapor), coloque um pouco de azeite em uma frigideira e misture os camarões, deixe dourar.



Acrescente a cebola e o alho.



Espere esfriar e misture à tigela com conserva, pique a pimenta (no meu caso, coloquei aquela pimenta doce que vocês já conhecem de outras receitas). Tempere com azeite, sal, pimenta do reino e o cheiro verde. Sirva em porções individuais e decore conforme sua criatividade (eu joguei por cima umas bolinhas de pimenta rosa e espetei umas cebolinhas verdes em cada copinho).


Sirva com torradinhas ou pão de sua preferência. Aqui em casa, servimos com três tipos de ciabatta: integral, de parmesão e de azeitona - confesso que a de azeitona serviu como acompanhamento perfeito! O mais legal é que é uma receita super fácil de fazer, fica uma delícia e agrada a todos! Servimos com albariño da Bouza, safra 2009 (delícia).



A todos, bon appétit!
K.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Da nova série, "gourmandises":

By: Espaço Fotográfico

Essa semana recebi um e-mail da minha cunhadinha recém-casada sobre a fase de receber amigos na casa nova, preparar aperitivos para servir na louça nova, usar os porta-copos do chá-bar, essas coisas deliciosas... daí pensei que essa seria uma ótima oportunidade para postar aqui, em homenagem à Jeanne e ao Marcelo (o concunhado) - e a essa nova fase na vida deles - , algumas receitinhas práticas e fáceis para os muitos momentos que virão de comemoração e recepção. Assim, estou abrindo com este post a série "Goumandises", ou simplesmente "especialidades" em bom português...
A receita que vou dar aqui hoje tem um gosto muito especial na minha vida: é a que uma grande amiga de faculdade fazia todo final de semestre na casa dela, pra gente ter motivo pra se reunir e aproveitar (que a vida é mais curta quando se é jovem demais)! Então, lá íamos nós com nossas cervejas de promoção embaixo do braço e os cds (originais, que naquela época a pirataria de cd ainda era novidade) que tínhamos conseguido comprar durante o semestre, para o famoso Vatapá da Erbênia!!! Tudo acontecia no quintal da casa dela, no centro da cidade. Começava pelas 16h do dia marcado, mas ninguém poderia dizer quando ia terminar (geralmente a reuniãozinha durava dois dias hehehehe). Pela praticidade daquela época, lembro-me que servíamos as mini porções de vatapá em copinhos de café descartáveis (assim não tinha louça pra lavar depois). A cerveja era bebida nas latinhas mesmo, porque copo descartável só mesmo pro vatapá e cada um que segure o seu pra não ficar pegando outro copinho limpo!!!! Ai, velhos tempos!!!!!
Bem, um outro objetivo aqui é também contar um pouco da história de cada petisco, pra coisa ficar mais arrumadinha. Então, minha veia científica entrou em ação e, eis que já caí no primeiro dilema: de onde vem, afinal, o vatapá? Câmara Cascudo foi categórico (como sempre) ao afirmar que o vatapá é prato inventado aqui no Brasil, mais precisamente na Bahia mesmo - e ainda, não dando explicação para o significado do nome, compara a iguaria ao "Tacacá" do Norte. Bem, exceto pela sonoridade do nome, em nada assemelham-se esses pratos exóticos, a meu ver! Já Gilberto Freyre, em seu livro "Açúcar", revela talvez até com mais fundamento que o vatapá foi mais uma herança dos africanos. O preparo deste prato é muito parecido com os típicos muambo de galinha e quitande de peixe preparados pelas negras e servidos aos europeus durante os saraus. Mas, como o bom mesmo é comer, vamos à receita que a panela já ta quente!
Há algumas variações do típico vatapá. Uma delas, ao invés da massa de fubá, usa-se pão picado (esta é a versão que eu prefiro e também a usada pela Erbênia, minha amiga). A outra relata dois sabores diferentes: podemos fazer o vatapá de galinha ou o de peixe. Na Bahia o mais comum é mesmo o de peixe, com bastante camarão seco. Nessa versão, utiliza-se ainda o amendoim e a castanha na massa (essa é a versão preferida da minha mãe e, confesso: não menos saborosa). Mas como eu vou dar a receita da Erbênia e ela é mais comedida na cozinha, vamos ao vatapá de galinha (alguns ingredientes eu acrescentei por minha conta, então eles estarão em vermelho). Esta receita será para 4 pessoas (lembrem-se sempre que a conta para aumentar a receita é sempre a de um pão por pessoa... daí, por essa medida, aumentem os demais ingredientes também).

Vatapá da Erbênia:

Então, para servir bem 4 pessoas, você vai precisar de:

4 pães dormidos;
500 g de peito de frango cozido e desfiado;
500 ml de leite;
250 ml de leite de coco;
1 cebola picada;
1 tomate picado;
1 pimenta dedo de moça (ou pimenta doce) picada;
cheiro verde picado (coentro, cebolinha, sálvia, manjericão);
gengibre ralado;
azeite de dendê a gosto;
sal;
pimenta do reino moída.

Modo de fazer:

1) Em uma travessa, pique o pão e acrescente a cebola, o tomate, a pimenta picada, o cheiro verde, leites, sal e pimenta do reino. Deixe descansar por uma hora ou mais na geladeira.






2) A seguir, passe a mistura no liquidificador e jogue na panela em que você cozinhou o frango (para aproveitar o caldo que ficou lá).








3)Não pode parar de mexer.















4) Quando começar a engrossar, acrescente o frango desfiado e, por último...






5)... o azeite de dendê (aqui em casa colocamos pouco dendê, o suficiente apenas para dar cor e aroma - aliás, castanhas combinam muito com vatapá exatamente por causa do aroma acastanhado do dendê quente, podem prestar atenção). Há quem já coloque, ao desligar a panela, o toque de pimenta malagueta ou outra de sua preferência. Eu prefiro levar o vidro à mesa e deixar que cada um coloque a sua medida (até porque eu costumo exagerar na pimenta, porque meu paladar pede isso). Sirva em pequenas porções e decore à sua maneira (eu decorei esse aí com folhinhas de coentro e pimenta doce, mas fica muito bonitinho também com gotículas de dendê e um salpicado de castanha quebradinha- aquela mesmo, que colocamos em sorvetes). Se fizer como um prato para almoço ou jantar, sirva com arroz branquinho e verdurinhas cortadinhas em delicados cubos temperadas com azeite de oliva apenas. E você ainda pode comer ouvindo isso aqui, ó:

A todos, bon appétit!