segunda-feira, 8 de março de 2010

Solidão Brigitte Bardot


Foto retirada do site verdadesparticulares.files.wordpress.com
Daí que eu sentei aqui disposta a escrever, então vamos ver o que sai. Não sei se acontece com todo mundo que escreve, mas comigo é basicamente assim: uma frase que alguém diz, uma cena de novela, um casal de velhinhos no shopping tomando um café, tudo é motivo quando vem a inspiração. Esses dias, eu tive vontade, por exemplo, de escrever sobre a indelicadeza. Significa que algo de indelicado aconteceu próximo aos meus olhos. Mas, valeria a pena? De repente, você está empolgadíssima com algo legal que você inventou na sua vida, vem alguém e joga um balde de água fria, usa palavras que poderiam ser evitadas. principalmente se quem as disse (escreveu ou pronunciou) é alguém que classifica você como "uma pessoa sensível"! Escrever sobre isso é quase assinar um atestado de "sim, indiscriminadamente e sem motivo aparente, você foi indelicada comigo, minha amiga!". Sábado, por exemplo, tive vontade de escrever sobre os amigos que moram nos detalhes. Aqueles que nunca foram à sua casa, mas mantêm um grande carinho por você. Tanto a ponto de virem ver você numa outra cidade, despretensiosamente, ou porque queriam saber se você estava mesmo bem!
Mas hoje eu tenho mesmo motivo para falar sobre a solidão. Não a solidão que dói, que machuca, que faz você se sentir mal, rejeitada ou aflita. Mas uma solidão meio "Brigitte Bardot". De repente, você aceita que nos próximos dias vai acordar sozinha na companhia de seu cachorro. Sim, você casou mais de uma vez, teve filhos, casa, fez sucesso em quase tudo o que se propôs a fazer na vida e um dia não conseguia fazer lá grandes coisas. Sempre quis inovar, inovou, deixou saudades em alguém, foi admirada por tantas pessoas, lutou pelos direitos de algumas delas, xingou em público, nunca teve medo de nada, sempre amou o mar... e durante toda a vida temeu a solidão! Inexplicavelmente, é a ela que você tem agora! Ela sussurra todas as noites que, sim, daqui pra frente será sua companheira e até promete, bem pretensiosa, que será uma boa companhia! Não mais que de repente, é cômico você se ver diante daquilo que mais temeu na vida... e perceber que isso não pode te fazer mal. E se a ausência não vai matar, que você morra é de amor, minha querida! Porque pelo menos ele faz bem pra pele! Bom reler isso aqui, ouvindo isso aqui, que tem tudo a ver com a construção de uma nova forma de ver as coisas (Amor, obrigada por me libertar)!
Bem, termino com a letra do Zeca, que tem tudo a ver também... e duas músicas seriam demais aqui, então fica a dica...

Brigitte Bardot
(Zeca Baleiro)
a saudade
é um trem de metrô
subterrâneo obscuro
escuro claro
é um trem de metrô
a saudade
é prego parafuso
quanto mais aperta
tanto mais difícil arrancar
a saudade
é um filme sem cor
que meu coração quer ver colorido
a saudade
é um trem de metrô
subterrâneo obscuro
escuro claro
é um trem de metrô
a saudade
é prego parafuso
quanto mais aperta
tanto mais difícil arrancar
a saudade
é um filme sem cor
que meu coração quer ver colorido
a saudade
é uma colcha velha
que cobriu um dia
numa noite fria
nosso amor em brasa
a saudade
é brigitte bardot
acenando com a mão
num filme muito antigo
A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha!
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
Na virada da montanha
O meu amor morreu
Na virada da montanha
E quem passa na cidade
Vê no alto
A casa de sapé
Ainda...
A trepadeira no carramanchão
Amor-perfeito pelo chão
Em quantidade...