terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O decadente Ataliba (ou "como espantar o cliente em uma lição")



Hoje eu quero contar nossa última experiência num lugar aqui da Ilha, que diz manter em sua essência "o excelente atendimento e a qualidade de seus produtos". Não sei o que eles querem dizer com excelência e qualidade, mas essas foram duas palavrinhas que passaram longe da porta da tal Churrascaria Ataliba na noite de segunda-feira em que estivemos lá.
A historinha narrada aqui é cheia de equívocos gerenciais e vai servir de exemplo sempre que nós quisermos nos lembrar de como não se deve tratar um cliente num estabelecimento gastronômico!
Mas, antes de continuar o relato desta lamentável experiência, devo advertir: não falo sobre a rede de churrascarias que atende pelo nome e pela gravatinha, mas unicamente daquela situada em Florianópolis, na Avenida Beira Mar Norte.
Bem, o esquema lá é como o de qualquer outra churrascaria do Brasil: rodízio de carnes (a maioria, no espeto) e buffet de saladas. A grande diferença está no $! A churrascaria da gravatinha cobra nada menos que R$62,00 no rodízio, além de taxa de serviço e bebidas à parte! Ficamos no chope, que pelo menos era Schornstein. A primeira impressão desagradável foi do local em si: a recente reforma atingiu apenas as paredes de fora! Mesas de buffet velhas, mal cuidadas, lembrando um salão de hotel decadente dos anos 50. Cadeiras afrouxadas pelo tempo, que não dão ao cliente a segurança de estar sentado num objeto resistente. Um ambiente escuro cujos ruídos dos talheres lembravam qualquer restaurante de centro de cidade na hora do almoço. Definitivamente, nada poderia ser pior. Até que veio a fatídica constatação: qualquer restaurante que opte por abrir suas portas às segundas-feiras, deve ter em mente que sua qualidade precisa ser a mesma de qualquer outro dia da semana. O que nós vimos foi um festival de alfaces murchas, queijos ressecados, coração de alcachofra com cheiro de geladeira e a carne, meus amigos, parecia que tinha ficado o dia inteiro na churrasqueira. Só o que nós pedimos mal passado parecia estar realmente fresco, sem aspecto de carne ressequida! Muito sal no carneiro, muito fogo na picanha, pouquíssima variedade de carne para justificar o valor cobrado! E, pra terminar, aquele show de sobremesas: cremes e pavês, todos com emulsificantes artificiais, dando impressão de desleixo e falta de tempo para se preparar algo mais aprimorado e saboroso. Lamentável, imperdoável, impagável!
Todos que lêem esse blog sabem que o que nós não nos preocupamos é em pagar bem pela comida de qualidade (na dúvida, é só ler posts antigos)! No entanto, precisamos lembrar que o maior prazer (e o mais primitivo) do ser humano é comer... e alguns de nós sabem valorizar a gastronomia de ponta. Então fazemos questão de registrar aqui nossas melhores e nossas piores experiências gastronômicas, com o único intuito de que empresas que se disponibilizem a abrir suas portas para receber clientes à mesa, possam aprimorar sua qualidade e ter a consciência de que o bem servir é uma arte e ele deve valer o que se cobra! Para os que querem melhorar com as críticas, fica uma dica de leitura, na foto deste post. Porque até para manter o sucesso há que se ter conhecimento e curiosidade, sempre!

E temos dito!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um clássico da Ilha



Dia 22 passado, completando o quadro das festas de outubro no Estado de Santa Catarina, começou a Fenaostra (Festa Nacional da Ostra). É um evento democrático, porque tem programação para todos os gostos... e bolsos. Há concursos de gastronomia, shows de artistas nacionais, stands de todos os produtores de ostra da Ilha, restaurantes que servem os mais variados pratos... de ostra! E, um dos restaurantes que vale a pena conhecer lá dentro é o Ostradamus (aliás, os restaurantes que têm a iguaria como carro-chefe aqui em Floripa, também têm nomes muito divertidos, como o Maria vai com as Ostras, o Umas e Ostras e o próprio Ostradamus - acho que já falei sobre isso em algum outro post). O diferencial do Ostradamus é que ele é o único do País que trabalha com ostras depuradas, o que dá ao cliente a segurança de estar sempre comendo um produto de qualidade e livre de qualquer contaminação.
Conhecer o Ostradamus vai além da experiência gastronômica em si. O restaurante, pitoresco por natureza, tem o melhor atendimento da cidade. E não é exagero. Infelizmente, Santa Catarina ainda precisa aprender muito no quesito "cuide bem do cliente que ele volta". Mas esse restaurante nos surpreendeu não apenas pela qualidade da comida, mas ainda pela criatividade dos pratos e cuidado com o cliente. O dono, um ex-mecânico que ingressou no universo gastronômico quando comprou uma moenda e passou a vender caldo-de-cana na praia (só depois de alguns anos e cursos é que veio a ideia do restaurante, que hoje é um clássico da Ilha) cuida pessoalmente de tudo, inclusive ajuda seus funcionários ,limpando as mesas e colocando os pratos, isso é fantástico! Talvez esse seja o segredo do sucesso desse homem: a humildade aliada ao talento!
Entre as delícias do cardápio do Ostradamus, que você pode encontrar na Fenaostra, estão a ostra Seo Baldança (com queijo Roquefort e fatias de peras), a Do Mecânico (em homenagem ao proprietário - com queijo Brie, manga e maçã) e a ostra com Gengibre (foto deste post).
No mais, a Festa Nacional da Ostra vai até o dia 31 de outubro e, quem quiser conhecer um pouquinho mais sobre ela e não tem a oportunidade de vir esse ano, pode clicar aqui (mas fica nos devendo uma visita para o ano quem vem, sem falta!).

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sobre ontem à noite...



Daí que com J. viajando, à noite aqui em casa sempre é noite de meninas. Tem a saladinha básica, a noite do shake, vitamina de frutas, misto quente com suco de goiaba, e, nas noites de sexta dá até pra exagerar um pouquinho e partir pra famosa pizza delivery (aliás, que sorte a nossa! A pizzaria do bairro é uma tentação para os dedinhos inquietos do tele-entrega! Até já tentamos pedir em outras, mas não é igual. O segredo? Ingredientes de primeira qualidade! O melhor queijo, molho de tomate natural, uma boa azeitona, massa fresquinha, enfim) ... e ontem fizemos uma receita inventada que deu muito certo, que vamos batizar de "Sanduíche de saudade", em homenagem à volta de J.. É rápido e prático. Anota aí:


Ingredientes:

400 g de peito de frango, cozido e desfiado;
pão de forma;
alface;
tomate em rodelas;
cebola em finas rodelinhas;
1 pote de iogurte natural;
1 pote de conserva de pepino e cenoura;
feno grego.

O mais difícil é cozinhar o peito de frango com tempero a gosto e, em seguida, desfiá-lo. O molho é o ingrediente principal. A princípio, é o molho tártaro que todo mundo conhece, mas o diferencial é trocar a maionese por iogurte natural (se ficar muito complicado, então compre a maionese de molho tártaro de uma famosa marca em circulação. Dos molhos industrializados, esse é o que contém menos sal e gorduras saturadas). Escolha uma marca de iogurte que seja mais consistente (mas tem que ser iogurte mesmo, não bebida láctea). Pique o pepino e a cenoura em conserva e misture o iogurte, com uma pitadinha de feno grego (que, aliás, é excelente para equilibrar colesterol e triglicerídeos, além de reduzir o nível de açúcar no sangue). Depois, monte com uma camada de cada ingrediente: passa uma generosa quantidade do molho em cada fatia de pão e monta as camadas com a alface, as rodelas de tomate, a cebola e, por fim, o frango desfiado e mais uma folha de alface.
Hummmm, depois é só ligar a tv, colocar um pijama, buscar um copo de qualquer coisa que tenha pra beber (até água aromatizada com umas folhinhas de hortelã) e se esparramar no sofá!

A todos, bon appétit!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Domingo no Ribeirão da Ilha

Sem dúvida alguma, um dos lugares mais lindos para almoçar em boa companhia num domingo de sol é o Ribeirão da Ilha. Nosso restaurantezinho preferido pelas bandas de lá ainda é o Porto do Contrato. Infelizmente, como a casa é cheia, é preciso chegar cedo (eles só fazem reserva até o meio-dia e, convenhamos, num domingo ninguém quer almoçar tão cedo, não é?). Essa região da Ilha é conhecida pelo cultivo de ostras pelos próprios restaurantes que as servem. Além do que, a facilidade da pesca garante sempre o melhor peixe e a cachacinha servida gratuitamente na entrada é de tirar o chapéu de tão docinha, hummmmm! Por essas e "ostras" que levamos a Taís e o Vinícius lá, dia desses, e a escolha dos pratos mereceu nosso destaque aqui, não apenas pela originalidade, que fique registrado!

Na foto acima, o delicioso Namorado crocante, feito com filé de namorado empanado com Corn Flakes (ou cereais do gênero) e molho bechamel. Fica aí uma boa pedida para variar o cardápio em casa, pessoal (certamente é muito fácil de fazer e quando nós tentarmos, coloco o passo-a-passo aqui)!
Já o prato de baixo, é o famoso camarão ensopadinho com chuchu, eternizado na canção da nossa Pequena Notável - para o paladar da Taís, um tanto salgado, mas confesso que causou-me surpresa pelo casamento perfeito dos ingredientes. Merece destaque também! E, por que não, curtir um bocadinho do cancioneiro popular, não é? Clique aqui!
A todos, bon appétit! E venham nos visitar na primavera liiiinda da Ilha de Santa Catarina para nos dar o prazer da boa companhia na hora do almoço!
K.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Decanter Wine Show 2010


© 2010 - DECANTER WINE SHOW - Todos os direitos reservados

Pessoal, como os mais antenados no mundo do vinho devem saber, de 02 a 06 de agosto acontece nas principais capitais do Brasil o Decanter Wine Show, grande encontro que reúne 70 produtores mundiais, com mais de 450 rótulos à degustação popular. O evento em Florianópolis está marcado para o próximo dia 06, no Hotel Majestic, sito à Beira Mar Norte, na capital.
É um evento único para nós, do Sul, já que dificilmente há algo parecido fora do eixo Rio-São Paulo. J., sempre que tem a oportunidade, não deixa de participar.

Infelizmente, este ano ele não estará em Floripa na data, e por este motivo estamos vendendo o ingresso. O valor é R$180,00. Interessados, enviem o mais rápido possível e-mail para um de nós. Até mais e obrigada!

Quem estiver interessado, ou souber de alguém, por favor entre em contato.

É uma grande oportunidade para degustar vinhos realmente inacessíveis ao consumidor comum.



segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mais da série Gourmandises: queijo com tomate e manjericão





Bem , o petisco de hoje guarda uma curiosidade: ele é feito com queijo de coalho, um queijo tipicamente nordestino, que de uns tempos pra cá pode ser encontrado nas prateleiras de supermercado de todo o País, pronto para ir à grelha. Na verdade, quando essa especiaria nordestina passou a ser fabricada, ela tinha um motivo: diz a lenda que as cidades do Nordeste demoraram um tanto para se expandirem e a zona rural era sempre muito distante dos centros urbanos. Nesse blablablá todo, os fazendeiros produziam seu queijo para que durassem mais no transporte até a cidade. Assim, utilizavam na fabricação do queijo de coalho, o que restava da coagulação do estômago seco e salgado de pequenos ruminantes. Isso ajudava o queijo a "coalhar" de uma forma que não estragasse tão rápido. Hoje em dia, lógico, as fábricas de produção de queijo no País (mesmo as menores) já utilizam um coagulante de origem microbiana que dá o mesmo efeito ao queijo de coalho.
O melhor desse queijo é que ele, ao ser colocado em contato com superfícies quentes, não apenas derrete, mas forma uma fina crosta amendoada em volta de si, o que garante que ele fique molinho e derretido por dentro, mas crocante por fora. Uma delícia!
Não há novidade no preparo desse prato, a não ser a de ter sido uma receita enviada pela Marília, nossa madrinha de casamento e grande amiga dos tempos de faculdade. Bem, a receita é tão prática quanto a Marília e tão rápida quanto a forma como nos descobrimos amigas:

um dia a gente se conheceu no primeiro ano de Letras (enquanto isso, você pega o queijo de coalho e o deita delicadamente numa travessa - pra facilitar, já comprei o que vem temperado com orégano, mas pode ser feito com o natural, desde que você acrescente umas pitadinhas do condimento), ela era apaixonada por gatos e eu gostava de arrumar um lar para eles
(cubra o queijo com tomates maduros cortados em rodelas).
Foi aí que achamos um lindo bichano perdido pelo campus e eu pedi que Marília o levasse para casa, sob a promessa de pedir ao meu pai autorização para criar o coitadinho lá em casa (sobre os tomates, coloque folhas de manjericão e regue com azeite). Marília então, de moto, colocou o gatinho na mochila e o levou para a casa dela... onde ele (ou ela?) viveu até um tempo desses... descobrimos depois que o gato era da raça Russo Azul, lindo de morrer!!!! E foi nesse episódio que ganhamos a cumplicidade e intimidade que mantemos até hoje (deixe o forno em uma temperatura alta, para que o queijo derreta mais rápido do que sequem as folhas de manjericão).
A todos, bon appétit (e sorte, para levar por toda a vida pessoas especiais no coração)!
K.

domingo, 30 de maio de 2010

Do inferno astral e outros demônios




Quem me conhece atualmente, não me chamaria de uma pessoa mística. Ao contrário, sou até bem cética quanto aos devaneios da astrologia. Minha filha nasceu em Virgem e, no entanto, não é nem um pouco organizada e sistemática. Vai ver que é porque foi prematura. Mas, não nego: gosto de ser de Gêmeos e até me acho bem parecida com Gêmeos: um ser antagônico, paradoxal, um tanto sensível e incompreendido. Meio excêntrica, sem meias palavras, que odeia pessoas melindrosas. Tenho ataques de humor (do bom e do mau), não me apego fácil a nada que não seja etiquetado com meu endereço - um tanto possessiva, mas sem rompantes de eternidade! Tudo é mutável, tudo passa: da dor à felicidade! Não gosto de nada pela metade, desde e-mails não respondidos a promessas de reencontros. Tudo ou nada. Ponto. Gosto de me encarar no espelho: acordar é o melhor momento para olhar pra dentro de si e negar o que incomoda. Nem sempre a capa é a verdade que habita a alma. E olhos sonolentos são sempre distraídos, revelando-nos nossa verdadeira identidade. Não há homem tão honesto quanto um bicho, não há bicho tão apaixonado como o cão, não há lugar melhor no mundo do que a nossa casa e não há casa mais nossa do que a que construímos com quem amamos! Bem, dizem que o período de 30 dias que antecede a data de nosso aniversário é o nosso inferno astral. Aquela época em que ficamos mais sensíveis e precisamos dar mais atenção a nós mesmos. Talvez por estar bem no meio do meu inferno inferno astral é que resolvi publicar isso aqui. O meu testamento de sentimentozinhos, para que fique registrado aos meus amigos que quem nunca andou de canoa, não sabe o que é remar! E o resto é perfumaria, tenho dito!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Da série "Gourmandises": vinagrete de camarão da cunhada




Então que a cunhada gostou da homenagem e me mandou uma receita que, honradamente, passo a publicar (quem quiser mandar receitinha de petiscos para receber os amigos, estou à espera... testo e publico)! Segue então para os leitores o passo-a-passo do vinagrete de camarão: prático, rápido e rende para um batalhão.

Vou passar a quantidade que eu utilizei e rendeu o suficiente para umas 8 pessoas, mais ou menos (levando-se em consideração que comemos no sábado, domingo e ainda tem na geladeira). Lá vai:

Ingredientes:

1 vidro de conserva grande (desses que vendem em supermercados, compostos por cenoura, pepino e couve-flor, por exemplo);
500g de camarão sem casca;
2 dentes de alho;
1 cebola;
um tipo de pimenta in natura de sua preferência;
sal e pimenta do reino a gosto;
azeite de oliva extra-virgem;
cheiro verde;
pão para acompanhar.

Modo de preparo:
Pique delicadamente a conserva e reserve em uma tigela.


Com os camarões pré-cozidos (aqui em casa eu os cozinho rapidamente no vapor), coloque um pouco de azeite em uma frigideira e misture os camarões, deixe dourar.



Acrescente a cebola e o alho.



Espere esfriar e misture à tigela com conserva, pique a pimenta (no meu caso, coloquei aquela pimenta doce que vocês já conhecem de outras receitas). Tempere com azeite, sal, pimenta do reino e o cheiro verde. Sirva em porções individuais e decore conforme sua criatividade (eu joguei por cima umas bolinhas de pimenta rosa e espetei umas cebolinhas verdes em cada copinho).


Sirva com torradinhas ou pão de sua preferência. Aqui em casa, servimos com três tipos de ciabatta: integral, de parmesão e de azeitona - confesso que a de azeitona serviu como acompanhamento perfeito! O mais legal é que é uma receita super fácil de fazer, fica uma delícia e agrada a todos! Servimos com albariño da Bouza, safra 2009 (delícia).



A todos, bon appétit!
K.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Da nova série, "gourmandises":

By: Espaço Fotográfico

Essa semana recebi um e-mail da minha cunhadinha recém-casada sobre a fase de receber amigos na casa nova, preparar aperitivos para servir na louça nova, usar os porta-copos do chá-bar, essas coisas deliciosas... daí pensei que essa seria uma ótima oportunidade para postar aqui, em homenagem à Jeanne e ao Marcelo (o concunhado) - e a essa nova fase na vida deles - , algumas receitinhas práticas e fáceis para os muitos momentos que virão de comemoração e recepção. Assim, estou abrindo com este post a série "Goumandises", ou simplesmente "especialidades" em bom português...
A receita que vou dar aqui hoje tem um gosto muito especial na minha vida: é a que uma grande amiga de faculdade fazia todo final de semestre na casa dela, pra gente ter motivo pra se reunir e aproveitar (que a vida é mais curta quando se é jovem demais)! Então, lá íamos nós com nossas cervejas de promoção embaixo do braço e os cds (originais, que naquela época a pirataria de cd ainda era novidade) que tínhamos conseguido comprar durante o semestre, para o famoso Vatapá da Erbênia!!! Tudo acontecia no quintal da casa dela, no centro da cidade. Começava pelas 16h do dia marcado, mas ninguém poderia dizer quando ia terminar (geralmente a reuniãozinha durava dois dias hehehehe). Pela praticidade daquela época, lembro-me que servíamos as mini porções de vatapá em copinhos de café descartáveis (assim não tinha louça pra lavar depois). A cerveja era bebida nas latinhas mesmo, porque copo descartável só mesmo pro vatapá e cada um que segure o seu pra não ficar pegando outro copinho limpo!!!! Ai, velhos tempos!!!!!
Bem, um outro objetivo aqui é também contar um pouco da história de cada petisco, pra coisa ficar mais arrumadinha. Então, minha veia científica entrou em ação e, eis que já caí no primeiro dilema: de onde vem, afinal, o vatapá? Câmara Cascudo foi categórico (como sempre) ao afirmar que o vatapá é prato inventado aqui no Brasil, mais precisamente na Bahia mesmo - e ainda, não dando explicação para o significado do nome, compara a iguaria ao "Tacacá" do Norte. Bem, exceto pela sonoridade do nome, em nada assemelham-se esses pratos exóticos, a meu ver! Já Gilberto Freyre, em seu livro "Açúcar", revela talvez até com mais fundamento que o vatapá foi mais uma herança dos africanos. O preparo deste prato é muito parecido com os típicos muambo de galinha e quitande de peixe preparados pelas negras e servidos aos europeus durante os saraus. Mas, como o bom mesmo é comer, vamos à receita que a panela já ta quente!
Há algumas variações do típico vatapá. Uma delas, ao invés da massa de fubá, usa-se pão picado (esta é a versão que eu prefiro e também a usada pela Erbênia, minha amiga). A outra relata dois sabores diferentes: podemos fazer o vatapá de galinha ou o de peixe. Na Bahia o mais comum é mesmo o de peixe, com bastante camarão seco. Nessa versão, utiliza-se ainda o amendoim e a castanha na massa (essa é a versão preferida da minha mãe e, confesso: não menos saborosa). Mas como eu vou dar a receita da Erbênia e ela é mais comedida na cozinha, vamos ao vatapá de galinha (alguns ingredientes eu acrescentei por minha conta, então eles estarão em vermelho). Esta receita será para 4 pessoas (lembrem-se sempre que a conta para aumentar a receita é sempre a de um pão por pessoa... daí, por essa medida, aumentem os demais ingredientes também).

Vatapá da Erbênia:

Então, para servir bem 4 pessoas, você vai precisar de:

4 pães dormidos;
500 g de peito de frango cozido e desfiado;
500 ml de leite;
250 ml de leite de coco;
1 cebola picada;
1 tomate picado;
1 pimenta dedo de moça (ou pimenta doce) picada;
cheiro verde picado (coentro, cebolinha, sálvia, manjericão);
gengibre ralado;
azeite de dendê a gosto;
sal;
pimenta do reino moída.

Modo de fazer:

1) Em uma travessa, pique o pão e acrescente a cebola, o tomate, a pimenta picada, o cheiro verde, leites, sal e pimenta do reino. Deixe descansar por uma hora ou mais na geladeira.






2) A seguir, passe a mistura no liquidificador e jogue na panela em que você cozinhou o frango (para aproveitar o caldo que ficou lá).








3)Não pode parar de mexer.















4) Quando começar a engrossar, acrescente o frango desfiado e, por último...






5)... o azeite de dendê (aqui em casa colocamos pouco dendê, o suficiente apenas para dar cor e aroma - aliás, castanhas combinam muito com vatapá exatamente por causa do aroma acastanhado do dendê quente, podem prestar atenção). Há quem já coloque, ao desligar a panela, o toque de pimenta malagueta ou outra de sua preferência. Eu prefiro levar o vidro à mesa e deixar que cada um coloque a sua medida (até porque eu costumo exagerar na pimenta, porque meu paladar pede isso). Sirva em pequenas porções e decore à sua maneira (eu decorei esse aí com folhinhas de coentro e pimenta doce, mas fica muito bonitinho também com gotículas de dendê e um salpicado de castanha quebradinha- aquela mesmo, que colocamos em sorvetes). Se fizer como um prato para almoço ou jantar, sirva com arroz branquinho e verdurinhas cortadinhas em delicados cubos temperadas com azeite de oliva apenas. E você ainda pode comer ouvindo isso aqui, ó:

A todos, bon appétit!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A (re)invenção do cotidiano




Faz tempo, mais ou menos uns 6 ou 7 anos, que fui obrigada a ler um livro chamado A invenção do cotidiano, de Michel Certeau. Hoje, remexendo em caixas aqui no escritório, achei meu velho caderno de anotações de aulas daquele tempo e, como nada é meramente por acaso, deparei-me com um trechinho que descambaria nesse texto que ora vos escrevo:

"O cotidiano é aquilo que nos é dado cada dia ( ou que nos cabe em partilha), nos pressiona dia após dia, nos oprime, pois existe uma opressão do presente. Todo dia, pela manhã, aquilo que assumimos, ao despertar, é o peso da vida, a dificuldade de viver, ou de viver nesta ou noutra condição, com esta fadiga, com este desejo. O cotidiano é aquilo que nos prende intimamente, a partir do interior. É uma história a meio de nós mesmos, quase em retirada, às vezes velada. (...) Talvez não seja inútil sublinhar a importância do domínio desta história "irracional" ou desta "não-história",como o diz ainda A. Dupront: O que interessa ao historiador do cotidiano é o invisível..." (p.31).

Pois bem, falemos do invisível! O invisível é aquilo que só pode ser sentido... o cotidiano de cada um é particular demais para ser descrito. Talvez, alguns narrem seu dia-a-dia (há algum lugar que hoje em dia se propõe a isso, o tal Twitter, se não me engano), talvez outros descrevam sensações ou impressões. Mas ninguém retira o véu do seu cotidiano. Ninguém ousa declarar as reais dificuldades diárias. "Oi, tudo bem?", "Tudo, e aí?"... quem é que abre pro síndico que coisa nenhuma vai tão bem assim que mereça essa resposta? Mas nós a damos cotidianamente, porque somos atores. E isso não é um problema. Ao contrário. Chamarei isso da (re)invenção do cotidiano. Nem todo dia a casa tem cheiro de casa, a comida fica no ponto certo, a sala está quentinha ou as plantas estão molhadas. Eu não tenho obrigação de me expor tanto assim. Há alguns segredos que são intransponíveis, irreveláveis. E para eles, as máscaras. Nem sempre um sorriso é o que parece. Muitas vezes é o que gostaríamos que fosse. Motivação e atitude. Necessidade!
Em grego, sentir Deus dentro de nós cabe em uma palavra: enthusiasmós! Então, só porque posso sentir Deus dentro de mim, sinto o entusiasmo de tudo aquilo que ficou morto esses dias e quer nascer de novo: as plantinhas, a comidinha, a casa perfumada e quentinha.... é o milagre da chegada do meu amor, que dá vontade de resolver meus problemas e me jogar nesse abraço... que não tardará!

K.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ah, o outono na Ilha...

Pois que o outono na Ilha de Santa Catarina tem sempre o mesmo sabor: aquele gosto mineral de águas salgadas, por onde tantos navegadores fizeram suas descobertas! Sâo lindos dias que precedem a chegada do frio cortante do Sul. Céu limpo, brisa fresca, pessoas com cara de paz! Nesses dias, não são raros os almoços em boa companhia pelas praias que nos fazem crer no poder da Mãe Natureza sobre tudo. Essas fotos foram de uma linda manhã desse início de outono, na Praia do Forte, norte da Ilha. O restaurante do Lobo é um desses restaurantes com cara de pescador, que te serve aquele peixinho recém-pescado, preparado na brasa, dando-nos ainda a oportunidade de saborear esse momento com os pés na areia. Na fotos, nossas entradas: ostra ao natural (de comer rezando) e a imponente ostra à espanhola... que impresiona mais pela beleza que pelo sabor - o toque do vinho tinto num prato que exige a delicadeza do branco não o faz chamar atenção pelo sabor, ao contrário! Parecia que eu tinha lambido um poste enferrujado! Mas como estou falando da tal "beleza de se ver", vale a foto abaixo:
Enfim, para encerrar, fica um poeminha que eu adoro e que combina (tão bem) com o outono:
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 3 de abril de 2010

Sabor de Páscoa

Dificilmente uma família não comemora a Páscoa, não é? Muito embora esteja diretamente ligada às comemorações cristãs, por ser a celebração da ressurreição de Cristo, o termo Páscoa significa "Renascimento". Portanto, é natural que todos queiram comemorar este momento único, ímpar e tão significativo na vida de todos: cristãos ou não!
Como adepta da Fé Bahá'í, devo dizer que a Páscoa me comove por duas grandes razões: primeiro, por ser um momento Bahá´í de meditação e respeito a um dos manifestantes da presença sagrada de Deus. Depois, por ser a oportunidade de treinarmos o renascimento de nós mesmos. Tudo tem uma segunda chance. O ser humano também.
Tudo aperfeiçoa-se. O ser humano também.
E, para comemorar o renascimento, eis a receita do dia:

Brandade de bacalhau

Ingredientes:

300g de bacalhau limpo, desfiado;
300g de purê de batata;
cebola;
alho;
leite;
queijo parmesão ralado;
manteiga (claro).

Modo de preparo:

De um dia para o outro, dessalgue o bacalhau. Na hora do preparo, afervente-o em leite. Em outra panela, coloque alho e cebola para dourar no azeite. Retire o bacalhau do leite, reserve o leite do cozimento e jogue o bacalhau pré-cozido para dourar junto com a cebola e o alho. Se quiser, depois que ele dourar, você pode desligar o fogo e acrescentar raminhos de coentro à essa massa.
Numa segunda panela, prepare o purê. Junte as batatas amassadas ao leite de cozimento do bacalhau e uma colher generosa de manteiga. Espere engrossar.
Para montar, numa tigela refratária, coloque primeiro o bacalhau e, por cima, o purê de batatas. Jogue parmesão ralado e leve ao forno a 200 ºC para gratinar, por 15 minutos.

Bon appétit!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Solidão Brigitte Bardot


Foto retirada do site verdadesparticulares.files.wordpress.com
Daí que eu sentei aqui disposta a escrever, então vamos ver o que sai. Não sei se acontece com todo mundo que escreve, mas comigo é basicamente assim: uma frase que alguém diz, uma cena de novela, um casal de velhinhos no shopping tomando um café, tudo é motivo quando vem a inspiração. Esses dias, eu tive vontade, por exemplo, de escrever sobre a indelicadeza. Significa que algo de indelicado aconteceu próximo aos meus olhos. Mas, valeria a pena? De repente, você está empolgadíssima com algo legal que você inventou na sua vida, vem alguém e joga um balde de água fria, usa palavras que poderiam ser evitadas. principalmente se quem as disse (escreveu ou pronunciou) é alguém que classifica você como "uma pessoa sensível"! Escrever sobre isso é quase assinar um atestado de "sim, indiscriminadamente e sem motivo aparente, você foi indelicada comigo, minha amiga!". Sábado, por exemplo, tive vontade de escrever sobre os amigos que moram nos detalhes. Aqueles que nunca foram à sua casa, mas mantêm um grande carinho por você. Tanto a ponto de virem ver você numa outra cidade, despretensiosamente, ou porque queriam saber se você estava mesmo bem!
Mas hoje eu tenho mesmo motivo para falar sobre a solidão. Não a solidão que dói, que machuca, que faz você se sentir mal, rejeitada ou aflita. Mas uma solidão meio "Brigitte Bardot". De repente, você aceita que nos próximos dias vai acordar sozinha na companhia de seu cachorro. Sim, você casou mais de uma vez, teve filhos, casa, fez sucesso em quase tudo o que se propôs a fazer na vida e um dia não conseguia fazer lá grandes coisas. Sempre quis inovar, inovou, deixou saudades em alguém, foi admirada por tantas pessoas, lutou pelos direitos de algumas delas, xingou em público, nunca teve medo de nada, sempre amou o mar... e durante toda a vida temeu a solidão! Inexplicavelmente, é a ela que você tem agora! Ela sussurra todas as noites que, sim, daqui pra frente será sua companheira e até promete, bem pretensiosa, que será uma boa companhia! Não mais que de repente, é cômico você se ver diante daquilo que mais temeu na vida... e perceber que isso não pode te fazer mal. E se a ausência não vai matar, que você morra é de amor, minha querida! Porque pelo menos ele faz bem pra pele! Bom reler isso aqui, ouvindo isso aqui, que tem tudo a ver com a construção de uma nova forma de ver as coisas (Amor, obrigada por me libertar)!
Bem, termino com a letra do Zeca, que tem tudo a ver também... e duas músicas seriam demais aqui, então fica a dica...

Brigitte Bardot
(Zeca Baleiro)
a saudade
é um trem de metrô
subterrâneo obscuro
escuro claro
é um trem de metrô
a saudade
é prego parafuso
quanto mais aperta
tanto mais difícil arrancar
a saudade
é um filme sem cor
que meu coração quer ver colorido
a saudade
é um trem de metrô
subterrâneo obscuro
escuro claro
é um trem de metrô
a saudade
é prego parafuso
quanto mais aperta
tanto mais difícil arrancar
a saudade
é um filme sem cor
que meu coração quer ver colorido
a saudade
é uma colcha velha
que cobriu um dia
numa noite fria
nosso amor em brasa
a saudade
é brigitte bardot
acenando com a mão
num filme muito antigo
A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha!
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
Na virada da montanha
O meu amor morreu
Na virada da montanha
E quem passa na cidade
Vê no alto
A casa de sapé
Ainda...
A trepadeira no carramanchão
Amor-perfeito pelo chão
Em quantidade...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Receita do dia: Salmão em crostas de gergelim


Para comemorar tantas mudanças (de cidade, de casa, de vida), hoje não vamos contar toda a historinha da aventura dos últimos meses. Vamos apenas publicar uma receita em homenagem a tudo, que vai dar o exato sabor da novidade: Salmão em crostas de gergelim tostado, com redução de aceto balsâmico e guarnição de mangas.
Ingredientes:
2 postas grossas de salmão fresco e limpo;
sal;
pimenta do reino;
1 saquinho de gergelim tostado (você encontra facilmente em bons supermercados - seção de produtos orientais - ou em empórios);
aceto balsâmico;
mel;
1 clara de ovo;
1 manga "de vez" cortada em cubinhos;
coentro para decorar.


Modo de preparo:
em uma chapa pré-aquecida, coloque as postas de salmão para grelhar rapidamente. Acenda o forno. Quando elas estiverem grelhadas dos dois lados, com um pincel, passe a clara de ovo apenas em volta das postas, passando-as calmamente no gergelim para que se façam as crostas. Em seguida, com cuidado, arrume-as numa assadeira untada com um pouquinho de azeite e leve ao forno a 180 ºC, por cerca de 20 minutos. Enquanto isso, numa frigideira, coloque 1/2 xícara de aceto balsâmico e 2 colheres de mel. Deixe redzuir até o ponto de "fio". Retire do forno as postas de salmão, arrume-as num prato, decore com a redução de aceto e acrescente a manga cortada em cubinhos, decorada com uma folha de coentro. Sirva com um bom espumante brut para brindar a nossa nova conquista, com esse som aqui!
De sobremesa, a dica são as frutas grelhadas e caramelizadas. A receita, no próximo post!



A todos, bon appétit!