quinta-feira, 11 de junho de 2009

"Ostra feliz não faz pérola"



E, em vésperas de completar meus 31, ganhei do marido, como um souvenir da última viagem a São Paulo, o livro mais placentário que podia ter me chegado às mãos nos últimos tempos - Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves. Realmente uma das mais interessantes coletâneas de escritos, com pequenas resenhas de filmes, livros, citações de Nietzsche, Hemingway, T. S. Eliot, Guimarães Rosa, enfim, todos os célebres escritores que dependiam do sofrimento para produzir suas pérolas... fazia tempo que uma leitura não se identificava tanto comigo (ou eu com ela, como queira). E, para fechar então mais um ciclo, ao invés de quebrar espelhos ou cristais, vou aproveitar-me da escrita de Rubem para firmar que, sim, encontro-me poeticamente bloqueada para grandes criações... porque ando em estado de graça... sou deveras feliz!

"A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para si mesma: 'preciso envolver essa areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas...' Ostras felizes não fazem pérolas... pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor."

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