quinta-feira, 11 de junho de 2009

"Ostra feliz não faz pérola"



E, em vésperas de completar meus 31, ganhei do marido, como um souvenir da última viagem a São Paulo, o livro mais placentário que podia ter me chegado às mãos nos últimos tempos - Ostra feliz não faz pérola, de Rubem Alves. Realmente uma das mais interessantes coletâneas de escritos, com pequenas resenhas de filmes, livros, citações de Nietzsche, Hemingway, T. S. Eliot, Guimarães Rosa, enfim, todos os célebres escritores que dependiam do sofrimento para produzir suas pérolas... fazia tempo que uma leitura não se identificava tanto comigo (ou eu com ela, como queira). E, para fechar então mais um ciclo, ao invés de quebrar espelhos ou cristais, vou aproveitar-me da escrita de Rubem para firmar que, sim, encontro-me poeticamente bloqueada para grandes criações... porque ando em estado de graça... sou deveras feliz!

"A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para si mesma: 'preciso envolver essa areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas...' Ostras felizes não fazem pérolas... pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor."

Música de hoje:

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Da necessidade de ser seletivo


A cada dia tenho mais convicção de que é mais do que um cuidado, é uma obrigação sermos seletivos na hora de comer. Mas, antes de entrar nos detalhes, vamos deixar claro: ser seletivo não é o mesmo que ser o chato da comida! Sabe aquela pessoa que é convidada para jantar em sua casa e a primeira coisa que ela diz ao provar o prato é: "Nossa! Que forte o tempero, não?", ou "apimentadinho, né?" e ainda tem a célebre "você colocou cebola?"... essas frases, honestamente, tiram o tesão de qualquer cozinheiro, principalmente quando ele tem todo o carinho e cuidado para elaborar o cardápio para um amigo... até porque, na arte do bem servir, muitas coisas não se fazem por mera elegância ou etiqueta, mas pelo prazer de que o outro se sinta bem em nossa casa, tenha vontade de voltar, de estar sempre em nossa companhia e, por outro lado, na arte do bem portar-se, não nos custa ser gentis com quem nos dá de comer, não é? Se você não gostou do cardápio, elogie o vinho. Se não bebe, elogie a louça. Se não tem nada para elogiar, apenas ouça a música e sorria com cara de paisagem. Mas evite a rispidez. É educado e não dói. Porque ser chato é imperdoável! E é bem melhor inventarmos uma desculpa para não irmos ao próximo jantar do que não sermos mais convidados para os próximos...
Enfim, enfim, voltando ao assunto: ser seletivo! Estava lendo sobre os alimentos orgânicos e ocorreu-me que nós comemos mesmo muita porcaria quando estamos fora de casa ou na correria do dia-a-dia... por exemplo, cada vez mais as sobremesas aparecem como "brinde" nos restaurantes a Kg! E nós, pouco acostumados a "ganhar" alguma coisa, ficamos como bobos da corte, nos empanturrando de leite condensado, estabilizantes, corantes, gelatinas artificiais... e nem percebemos que o que ganhamos mesmo é um pouco mais de calorias para queimar ao longo do dia! Na minha humilde opinião, o melhor doce é o que não leva açúcar. Ou (que seja), aproveitar o açúcar das frutas, por exemplo, é uma ótima opção para fazer uma sobremesa um pouco mais saudável (já experimentou frutas desidratadas - principalmente as cítricas - depois de um belo prato do trivial arroz com feijão? Faça o teste e veja como seu corpo responde com mais disposição). Morangos com sorbet de manga, hummmmm, que delicado! Mel também vale a pena e ainda nos faz purificar o sangue! A propósito, evitar os restaurantes a Kg é sempre a MELHOR assertiva. Uma, porque a comida é feita na base do "panelão" e nada me causa mais desconforto do que olhar as ajudantes da cozinha derramarem os baldes de comida nas tigelas, como se fôssemos porcos famintos à espera do que elas têm para servir. Outra, porque a gente sempre coloca mais do que precisa no prato... e paga pelo que não come! Portanto, se estou sozinha e tenho que almoçar, ainda fico com a opção de um saudável sanduíche de rúcula com tomate seco no empório que frequento ou, se vou almoçar com alguém, gosto de convidar minha companhia pra provar meu macarrãozinho aqui em casa (simples, mas limpinho), ou ir a algum cantinho sem a impessoalidade dos bandejões... porque ser seletivo é preciso*!

A todos, bon appétit!

*No sentido de ser exato, certo (assim como no poema de Fernando Pessoa: Navegar é preciso, viver não é preciso)