sexta-feira, 29 de maio de 2009

As delícias da Bahia (ou "a bagagem dos viajantes")


Estávamos devendo um post sobre as férias... e como as próximas, daqui a 7 semanas, já estão programadas, é melhor que a gente sirva logo os pratos atrasados do passeio por um Nordeste cheio de aromas e sabores, com direito a mochilão e muitas aventuras.
Pra começar, foram algumas horas de estrada entre Blumenau e Curitiba, pra pegar um avião num precinho que coubesse no nosso bolso. De lá, direto pra Salvador, com direito a atraso de quase 5 horas em Belo Horizonte... de Salvador, algumas horas no mar para chegar até Morro de São Paulo, onde o paraíso faz jus ao nome! Já no primeiro dia na ilha dos sonhos, achamos de cara o que parecia ser o point do momento: a Toca do Morcego, uma espécie de boate a céu aberto, onde é possível admirar o por do sol ao som de baladinhas ao vivo e muita caipirinha, tudo da melhorqualidade! Vejam a folga da pessoa:


No dia seguinte, seguimos nossa aventura, desbravando o arquipélago e vejam o que encontramos, depois de 5 horas de caminhada:

Bistrozinho de uma pousada, perdido na areia da praia, num lugar aonde ninguém pensaria em ir, com vinho bom e na temperatura certa... e as lagostas a preço de Bahia (não se acha lagosta tão barata quanto na BA)!!!
Tudo parecia que tinha sido feito pra gente, porque não tinha mais niguém ali... além de nós e do garçom "contador de causo" hehehehe! Ainda conseguimos carona de volta com a kombi dos funcionários, que nos deixou na esquina da pousada... nada podia ser tão perfeitinho assim!

À noite, mais uma descoberta pra lá de saborosa: o bistrô "Anis"... um jardinzinho super agradável, com vista para o portal de entrada da ilha e com atendentes muito simpáticas. Lembro especialmente da Ana, que cozinhou pra gente um delicioso cordeiro com cuscuz marroquino e...


de entrada essa salada tropical, com folhas, manga, melão, castanha de caju e kani:

Dia seguinte, passeio de Land Rover até a praia de Garapuá, onde comemos uma autêntica moqueca de siri... a simplicidade com que o prato nos foi servido e a excepcional cerveja gelada fizeram com que merecesse participar deste espacinho tão seleto de nosso blog!


Era assim: um barzinho à beira mar, a gente pegou um quiosque pra tomar água de coco e o cheirinho nos fez decidir almoçar por lá mesmo... o que valeu a pena! Destaque para a pimenta malagueta genuinamente baiana, que estava de comer de colherada, se nossas papilas dessem conta, lógico!
Ah, sim! É lógico que moqueca foi o prato das férias... de todos os tipos... porque, como diria o ditado, "na BA, como os baianos", oras! Lá em Morro também provamos a excêntrica moqueca de polvo, no bistrô da pousada "Minha louca paixão", de propriedade de portugueses. Outra iguaria que valeu cada centavo:





Outro lugar que merece destaque é Boipeba, uma ilhota muito linda e ainda bem selvagem, que tem como grande atração, além da natureza, é claro...


o Guido e suas lagostas. Em qualquer guia de turismo nacional (ou internacional), vocês se deparam com a foto do Guido, a quem tivemos o prazer de conhecer pessoalmente e experimentar as famosíssimas lagostas, preparadas com simplicidade e muito esmero. Cada cliente é um amigo e todos merecem especial atenção dessa figura popular e ainda tão tímida:


Na última noite na ilha, fomos ao restaurante da pousada "Casarão". Bossa Nova ao vivo, cordeiro presunto de parma... o tinto fez as honrarias finais:



Mas, como a arte da conquista é milenar, o lanchinho final antes de irmos embora - depois dessa semana de deslumbres visuais e gastronômicos - foi mesmo no surpreendente Anis... fui obrigada a voltar para experimentar o suco de laranja com gengibre (já fiz em casa e deu certo... depois passo a receita) e o famoso bolinho de estudante com sorvete de creme (esse aí, que dá água na boca e não é possível descrever a crocância e o sabor ímpar)...


Agora, o maior absurdo é uma fã incondicional do acarajé ter provado vários deles (e ter chegado à conclusão de que o melhor acarajé baiano é feito por uma sergipana, na praia de Stella Maris, em Salvador) e não ter tirado nem uma foto da iguaria para colocar aqui! Atenção, mesmo sem fotos, ninguém vai verdadeiramente à Bahia se não come acarajé (amarrem uma fitinha do Bonfim na igreja homônima, passem uma tarde em Itapoã, dois dias no Pelourinho, e comam acarajé, de quantas "baianas" derem conta)!
Para finalizar, um hino à saudade:
http://www.youtube.com/watch?v=-w3w6zr2FQs Ah, se a delícia da Bahia fosse apenas a comida... salve, salve!


A todos, bon appétit!

domingo, 17 de maio de 2009

Sob os ares de outono (ou: "antes tarde do que nunca")

Difícil começar um texto quando se tem muito a falar... são tantos assuntos acumulados por aqui, tantas novidades (na vida), tantas experiências gastronômicas e emocionais a engrossar no caldeirão que, por um momento - este mesmo, quando a gente para para escrever (e ainda mais em tempos de acordo ortográfico, quando o para verbo confunde-se com o para preposição) e descobre que as palavras devem ser organizadas de forma lógica e consistente - até dá a impressão que perdemos a mão no sal ou nas especiarias... e acho que foi exatamente pela necessidade de consertar o sal e provar novas especiarias que me distanciei um pouco da assombrosa necessidade da escrita. Foram dias e dias de hiato criativo e martírio psicológico, deixando a poeira acumular-se pelos cantos dos livros e das ideias... foram obrigações outras que me distanciaram desse mundo tortuoso do qual faço parte, desse universo onde tudo já foi dito e onde não cabe o encanto do novo ou a simplicidade da cópia... e nesse processo, em que Lispector esteve tão presente, foi necessário rasgar o verbo algumas vezes, cortar alguns laços infrutíferos, olhar intensamente para os fins de tarde, deixar o coração absorver grandes sentimentos indestrutíveis com a consciência plena e me preparar para o que virá com o corpo e com o espírito... porque - creiam - as mudanças são grandes e uma delas tem olhos verdes do tamanho de azeitonas:



Para abrir com chave de ouro, a receita do prato comemorativo de dia das mães (esse sim, de verdade!):

Costelinha de porco caramelizada no aceto balsâmico

Ingredientes:
1 kg de costela de porco;
1 cenoura grande picada, a jullienne;
2 tomates maduros, sem casca, cortados em cubinhos;
2 dentes de alho;
1 cebola grande cortada;
200ml de aceto balsâmico;
sal;
1 folha de louro;
1 colher (sopa) urucum ou colorífico;
250ml de caldo de galinha (se não quiser fazer o caldo, depois eu dou a marca que é menos agressiva para a saúde);
150g de toucinho (bacon);
50 ml de cachaça.
azeite extra virgem;
cebolinha verde picadinha;
salsa;
sálvia (agora temos na hortinha - está linda).

Modo de preparo:

Em uma travessa, tempere a costelinha com pimenta do reino e limão, reservando por cerca de 2 horas, na geladeira.
Numa panela de ferro, frite o toucinho, em seguida, jogue a costelinhapara dourar. Retire da panela, descartando o excesso da gordura, e deglace com cachaça de boa qualidade. Coloque a cebola, o alho, refogue no azeite, acrescente a cenoura e a sálvia, e deixe cozinhar, até que forme um caldo espesso (cerca de 40min). Jogue o aceto, o colorífico e os tomates, mexendo até que reduza a metade do volume. Volte com a costela à preparação, incorporando-a ao caldo, envolvendo-a nele. Leve ao forno a 150ºC, por 3 horas. Sirva com cebolinha verde e salsa. De acompanhamento, arroz branco e couve mineira frita (corte a couve bem fininha e jogue-a em óleo quente, retirando-a imediatamente - fica crocante e com um sabor muito delicado).
Para fechar o cenário, flores para a mamãe:


A todos, bon appetit!