terça-feira, 16 de dezembro de 2008

"Deixa o verão pra mais tarde"...


Eis que, às portas da nova estação, resolvemos fazer as malas e sair da chuva. Eu confesso que o motivo maior está longe de ser os 40ºC deste solstício. É mesmo a necessidade do descanso... assim como não queremos chuva, a agitação das noites quentes no Nordeste não é nossa prioridade. Amanhã estamos embarcando para Morro de São de Paulo. De lá, ilha de Boipeba. No Natal, Campina Grande e reveillon em João Pessoa (minha idolatrada-salve, salve John People de todos os sonhos)... de lá, praia da Pipa, sem pena do bolso! Tudo isso, não pelo sol ou dias sem chuva... mas pelo descanso da alma... pela necessidade de deitar o corpo exausto num pedaço de areia e tapar o sol com bloqueador 50. Na bagagem, muita leitura (não da obrigatória, porque o cérebro não funciona mais - só livros escolhidos para o lazer) e várias sugestões de boa comida e indicações de praias desertas. Câmera nova para fotografar o sorriso relaxado, duas malas (uma só para os desejos). E, por falar neles, deixamos aqui, como um carinho de ano novo, um trecho que inspirou meu discurso para a formatura da minha turma de 8ª série deste ano (da qual fui escolhida como madrinha), retirado do livro Contos de amor rasgados, de Marina Colasanti (texto para ser lido ouvindo isso aqui, ó:)

Quando anoiteceu, saiu para pescar. Peixes não, estrelas.

Afastou-se da casa, atravessou um campo até seu limite.

Na linha do horizonte, sentado à beira do céu, abriu a caixa de frases poéticas que havia trazido como iscas. Escolheu a mais sonora, prendeu-a firmemente na rebarba luzidia.

Depois, pondo-se de cabeça para baixo, lançou a linha no imenso azul, deixando desenrolar todo o molinete.

E , pacientemente, enquanto a Lua avançava sem mover ondas, começou a longa espera de que uma estrela viesse morder o seu anzol.


A todos, muitas noites de pescaria em 2009!


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