domingo, 31 de agosto de 2008

Numa noite dessas...



A intenção era utilizar o que tínhamos na geladeira, porque o frio voltou com tudo, as provas na escola não me deixam descansar à noite, J. tem passado muito tempo entre chapas de aço e caldeiras... então, alguns momentos devem ser bem aproveitados, longe de filas de supermercados ou prateleiras de mercadinhos de bairro com poucas opções (até mesmo para o ser mais criativo). E que milagre não são capazes de fazer um saco de rúcula, um coraçãozinho de alface, a boa mozzarella de búfala e os nossos conhecidos tomates secos? O segredo é, numa tigela à parte, misturar o queijo, os tomates e temperá-los com azeite e tomilho, meia hora antes de servir. Depois, é só jogá-los sobre as folhas e fica essa delícia aí!
A todos, bon appétit!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

"Quem não pode Nova York, vai de Madureira"

Não sei quem conhece o hit do Baleiro (salve, salve!), sucesso no espetáculo A ópera infame, que diz: "Se não tem água Perrier, eu não vou me aperrear, se tiver o que comer não precisa caviar... Se não tem Empório Armani, vou na Creuza, costureira do terceiro andar"... pois bem, há um tempo foi época da pesca da tainha pelos mares do sul... então, não adianta pedir bacalhau, que o defumado do momento pelas bandas do Vale do Itajaí é mesmo a boa e velha Taineth, a tainha Margareth... esse é o nome da receita de salada de tainha defumada e azeitona que nós inventamos! Não tem segredo: é alface americana, a tainha desfiada, azeitona grega, tomate e a indispensável cebola! J., que sempre dispensa a tainha, independente do lugar e da ocasião, não é de rejeitar a defumada com um bom vinho branco numa noite de verão... principalmente porque isso é privilégio de quem mora em Blumenau mesmo (o senhor que a confecciona, a faz em casa, sob encomenda, apenas para conhecidos)!
Então, em homenagem à Margareth (nossa salada), fica aqui um pouco de mpb para os amigos (acesse o site, entre no link Juke Box e escolha o cd O coração do homem-bomba vol.I e selecione a música-tema deste post: "vai de madureira" - o legal da Globalização é que, ou o mercado fonográfico cede ou a boa música morre hehehehe... todos os cds do Baleiro podem ser ouvidos gratuitamente no site dele, aproveitem!):
http://www2.uol.com.br/zecabaleiro/

Bon appétit!mba chegar ao fim

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Momento homenagem...



Pessoal, antes, um esclarecimento: um blog é um diário virtual, certo? Mas, para que um blog fique divertido e possa chamar atenção das pessoas, é necessário que ele se concentre em algum tema específico. Senão, imaginem acessando esta página e encontrando coisas do tipo: "queridos amigos, hoje dei aula o dia inteiro, J. ligou no meio da manhã para saber se a tal encomenda das americanas.com havia chegado, mas eu não o entendi direito, porque ele estava na fábrica, ao lado do cortador de placa de aço, então o esperei chegar para conversarmos melhor... vimos Friends, terminei de ler A invasão cultural norte-americana e fomos dormir..." - alguém aqui teria motivos para visitar novamente esta página? Logo, para que haja motivos, escolhemos escrever sobre aquilo que mais gostamos de fazer nas horas vagas: cozinhar! Desta forma, espero não ter mais que responder perguntas como "vocês só comem?"! Não, a gente também come... ademais, preferimos qualidade à quantidade, o que faz toda a diferença entre o comer e o apreciar!
Agora, atendendo a pedidos, sigo variando um pouco o tema e aproveito o ensejo para uma justa homenagem a quem recentemente foi se juntar aos mestres e fazer festa num outro plano: Dorival Caymmi... olhando essa foto que tiramos na Praia do Forte (em Floripa) dia desses, enquanto tomávamos um Chardonnay Reserva (safra 2008 - queridinho do ano pelas bandas dos restaurantes à beira mar daqui) da Miolo e degustávamos umas ostras DA-QUE-LAS, lembrei da paz da voz de Caymmi nas ondas do mar (como concha quando a gente encosta ao ouvido... como rede depois do almoço, como ombro do Amor no final de um dia de trabalho, como beijo de filho...) e, abençoado seja pelo tempo que por aqui vagou, pela obra que aqui deixou, pelas Marinas Morenas que cantou, pelas Maricotinhas que idolatrou! Salve, salve! Caymmi agora coloca Deus pra dormir todo dia... amém!
http://www.youtube.com/watch?v=-9R3HRPP4oQ&feature=related

Se fizer bom tempo amanhã, eu vou!

Receitas do fim-de-semana - parte II



Pomme Paillasson

Esta é uma receita francesa, bem parecida com a nossa batata rösti, mas mais leve e menos gordurosa. No lugar de óleo, você vai usar manteiga clarificada (e apenas de um lado). Então, para duas pessoas, rale a batata em uma rala grossa. Numa frigideira, coloque a manteiga clarificada, deixe esquentar, monte uma caminha com a batata e queijo (de sua prefrência) desfiado. O chef de casa coloca copa desfiada também. Um pouco de salsinha e novamente a batata. Quando sentir que aquele lado da frigideira já está com a batata dourada, desligue o fogo, passe a batata para uma fôrma e leve ao forno pré-aquecido. Primeiro de um lado, depois vire a batata e deixe-a dourar do outro lado. Retire, rale parmesão e salpique salsinha... faça num dia de chuva!


Para acompanhar, abrimos um presente do amigo Gerd!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Como agradar a um goiano leonino...

Bem, primeiro é necessário dizer que em Blumenau, no domingo à noite, sempre temos duas opções: a primeira é reclamar que domingo à noite não há nada para fazer; a segunda, é fazer alguma coisa :=D



E quando o marido faz aniversário no meio da semana e você precisa dar aula no outro dia, às 7 da madrugada? Ser criativo neste momento é difícil, a não ser que você , por algum milagre da Globalização, tenha um vidro de pequi* na geladeira e um bom pedaço de costelinha de porco! Então, agradar a um goiano é fato garantido! Basta que você ponha em prática seus dotes culinários e faça uma costelinha de porco com pequi e arroz jasmim.
Você faz assim:
corte a costela em cubinhos e frite-a em óleo de girassol quente. Depois, reserve-a numa tigela e, na mesma panela, frite o pequi e, na seqüência, cebola e alho. Junte novamente a carne e deixe por uns minutinhos, para que incorpore o sabor do pequi. Pouco antes de desligar, coloque cheirinho verde.
O arroz jasmim você vai encontrar em qualquer supermercado (ele se assemelha ao Basmati, arroz típico do Médio Oriente, de grãos longos e aromáticos) e vai prepará-lo como o arroz refogadinho, que você faz no seu dia-a-dia, em casa. A diferença é que ele vai demorar um pouquinho mais para cozinhar e o seu vizinho é bem capaz de tocar à porta, para pedir um tiquinho hehehehe! O resultado é esse aqui:


Bom, daí para acompanhar, sirva um Barbera D'asti e espere os elogios (este aí é de vinhedo único, de estilo moderno (barricado), cuidadosamente esculpido por Alfiero Boffa, produtor do Piemonte. Acidez sob medida para fazer frente a untuosidade da costelinha com pequi.)


A todos, bon appétit!
*Breve explicação sobre o pequi: nativa do cerrado brasileiro, o pequi é uma fruta um tanto excêntrica, muito utilizada para elaboração de pratos salgados no Nordeste, Norte e Centro-Oeste do país (em Goiás, é possível inclusive encontrarmos sorvete de pequi!!!!), além de ser encontrado fartamente no interior de Minas. Os frutos do pequi são consumidos geralmente cozidos, junto com arroz, frango ou carne de porco - muito embora esta que vos escreve o prefira de qualquer forma, inclusive puro mesmo! Assim como a Fernanda Young, o pequi não dá espaço para meio termo: ou você o ama, ou o odeia! Taí, a Fernanda Young é o pequi da tv!

Momentos...


Estava aqui, separando umas fotos para as próximas postagens e não resisti... aqui no interiorrrrrrrrrrrrr, de vez em quando a gente recebe visita ilustre da Capitarrrrr... então, aí dois momentos com o Adri e a Glaci, no comecinho do frio, na Wunderbier (uma das tantas cervejarias artesanais da cidade):
A propósito, esses dois nos devem uma visita de novo (punf!!!!)... ah, e aqui, momento gracinha da Glaci, brincando de jantar à luz de velas... ficou legal (essa foi em Floripa mesmo, ainda no verão, na Confeitaria Chuvisco... ai, esse povo que se empanturra de doces e depois pede um espresso com adoçante - vejam o detalhe hehehehe):

Beijinho!

Receitas do fim-de-semana - parte I

Muito bem, como o assunto (e as receitas) estão pra lá de acumulados, eu vou começar por ontem, quando o tempo esfriou e nos proporcionou um dia divertido entre as panelas, utilizando as novas aquisições do que eu já considero a cozinha mais equipada que tivemos, até hoje. Para começar, uma foto dos mimos recentes da casa:
O pilão de pedra foi um agrado da Taís e do Vini ao chef da casa, no 20 de agosto. O maçarico foi a surpresa do dia dos namorados para o marido... e ninguém imagina o quanto isto o fez feliz (hehehehe)!
Agora, colocando em prática os apetrechos, vamos começar pela sobremesa (porque, se você quer receber bem um conviva em sua casa, deve preparar a sobremesa antes de qualquer coisa, para que ela esteja na temperatura e consistência corretas na hora de servir... e geralmente os doces pedem um pouco mais de geladeira ou forno, daí a atenção especial a eles).

A guloseima do dia foi:

Crème Brûlée
(nascido em 1691, na França, o venerado creme queimado consiste em uma base simplória de creme de leite, baunilha e ovos... mas, o charme desta requintada sobremesa está na crosta de açúcar queimado, feita por um maçarico).

Para 4 pessoas, você vai precisar de:
• 5 gemas
• 250 ml de creme de leite
• 200 ml de leite
• 120 ml de mel
• 1 fava de baunilha (na falta da fava, use a essência mesmo... mas, apesar do preço da iguaria, teste ao menos uma vez na vida o ingrediente correto... não dá para se arrepender)
• 20 g de açúcar de confeiteiro
Faça assim:
Numa batedeira, coloque as gemas com o açúcar até ficarem esbranquiçadas, juntando o mel em fio só no final. Ferva o leite com as sementinhas da baunilha. Após ferver e pasteurizar o leite (o processo caseiro de pasteurização consiste em resfriar o mais rápido que conseguir o leite ainda quente - você pode tirá-lo do fogo e, imediatamente, colocar a panela numa vasilha com água gelada e gelo, até que esfrie completamente), coe-o e acrescente a ele o creme de leite e os ovos batidos. Coloque numa panela e leve ao fogo em banho-maria e siga mexendo, até que se forme um creme consistente.


Em seguida, despeje a mistura em ramequins individuais e leve-as , também em banho-maria, ao forno pré-aquecido, assando por aproximadamente 50 minutos em temperatura não superior a 150ºC (o creme ficará firme e levemente dourado, quando estiver no ponto certo de desligar o forno).


Deixe esfriar em temperatura ambiente, em seguida polvilhe um pouco de açúcar de confeiteiro sobre o creme e use o maçarico... esta é a parte mais divertida!!!!

A dica é comer embaixo das cobertas, assistindo a Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, quem viu sabe o porquê.
Bon appétit!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Where you lead

E quem sabe que o título deste post é, na verdade, o de uma canção de Carole King que faz parte de uma trilha sonora de muito sucesso, já sabe do que se trata: do antigo seriado, ainda hoje exibido na Warner, Gilmore Girls... é uma historinha que para muitos pode parecer boba, bem do tipinho "feito para mulherzinha", mas definitivamente tem muito a ver comigo... o eixo principal da narrativa criada por Amy Sherman-Palladino é a vida de Lorelai, uma mulher que muito cedo teve que tomar grandes decisões na vida, como (coincidências à parte) ser mãe aos 17 anos e sair da casa dos pais, membros da elite norte-americana. O primeiro episódio da série já retrata a vida de mãe e filha num momento crucial: Rory (a filha) é super inteligente e precisa preparar-se numa boa escola para conseguir entrar em Harvard, sonho de ambas, sempre alimentado por Lorelai.
Para o mundo, Gilmore Girls foi um sucesso por ter conseguido ficar 7 anos em cartaz... para mim, é uma escola que nos ensina a educar os filhos! Já vi milhares e milhares de vezes alguns episódios, mas não consigo controlar o choro quando imagino-me vivendo os dramas de Lorelai... Rory faz opções, algumas que a mãe não pode concordar, mas em todas elas, o desejo da filha é sempre respeitado acima de tudo! Uma mulher pouco compreendida, extremamente criativa (as coincidências não param por aí) e com fôlego para enfrentar a cova dos leões todos os dias!
O mais legal da série, sem dúvida, são as referências à cultura (tanto a clássica quanto a inútil): Lorelai e Rory são enciclopédias do mundo moderno, recheadas de toques vintage!!!! Vivem numa pacata cidade dos EUA (Stars Hollow) e convivem diariamente com as excentricidades de seus habitantes, fazendo do cotidiano uma aventura de dar inveja àqueles que estão sempre achando que a vida é uma depressão!
Mas, o que me fez tocar nesse assunto hoje (antes que vocês se cansem) foi o episódio da temporada que está reprisando aqui no Brasil (6ª), na qual Lorelai descobre que seu noivo, Luke, tem uma filha de seus 12 anos e nunca mencionou isso para ela. Num de seus inteligentíssimos diálogos com Rory, ela diz: "a menina é mais inteligente do que você! Oh, Deus! O que as gerações futuras guardam pra gente???"... e eu lembrei que minha filha está, neste momento, participando de uma competição de robótica e tentou me explicar (inutilmente) como ela monta e programa peças que saem andando a fazendo "coisas" que eu pensava que apenas os humanos pudessem fazer (ok, o fato de eu ser casada com um engenheiro mecatrônico não muda nada disso, porque estamos falando de minha filha, o ser mais inteligente da Terra, na minha materna opinião)... então, Lorelai, quer dizer que meus futuros filhos já nascerão falando? Fica a indagação, como uma reflexão para o fim-de-semana! Senhores, aconselho a humanidade a assistir a Gilmore Girls, porque ainda há tempo de nos prepararmos para o que virá!

A todos, Buenas noches! (a propósito, a minha única crítica ao seriado é a comida!!!! Assistam e descubram o porquê).
E, se quiserem ouvir a música e se emocionar com as cenas...
http://www.youtube.com/watch?v=R7KjKm80yFA&feature=related
Foi um aniversário aqui, um encontro de enologia ali, uma ponte para a qualificação do doutorado, outra parada para finalizar um trimestre no trabalho, uma viagenzinha, uma pequena cirurgia... e a coisa foi esfriando por aqui... mas, muitas fotos acumuladas, muita história pra contar, muita vontade de escrever! Vamos organizando tudo isso e logo, logo Nosso Pé de Manjericão vai estar do jeitinho que a gente gosta: entrada, prato principal e sobremesa... desculpem a ausência temporária (o blog não acabou, ok?)! Amanhã já tem texto novo, podem conferir!

Até loguinho e bon appétit!


sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Entre Goiás, Paraíba e Paraná: a feijoada completa!




Tudo começou assim: um conhecimento mineiro invejável sobre a arte de cozinhar o trivial, aliado a uma autoconfiança vinda de mares gregos... e não é que a fama da tal feijoada goiana alcançou os altos campos gerais?! A primeira vez que eu comi a feijoada de J. foi meio "sem querer" (o prato não era pra mim nem eu fora convidada para a festa - era a comemoração pela volta do Antônio da Alemanha - eu não conhecia nem um pouco o homenageado e ainda mantinha um contato superficial com J. - mas eu devo confessar que a feijoada - ou a caipirinha? - nos aproximou um pouco mais). Depois foram algumas as vezes em que o acompanhei desde a escolha das carnes ao preparo cuidadoso da iguaria. Hoje em dia, devo confessar, a feijoada goiana é sinônimo de nossas 4 mãos na cozinha, com tudo o que elas sabem dar de bom! Com criatividade, paciência e devoção, J. faz a melhor feijoada que vocês poderão experimentar na vida... e eu o ajudo com todo o meu carinho e devoção de esposa e amiga!

Num desses fins de semana, pra confirmar tudo isto, fomos convidados a pôr o caldo do feijão pra engrossar lá em Ponta Grossa, no aniversário do Vini! E eu acho que todo mundo que esteve lá gostou bastante... foi um tal de descascar laranja, picar salsinha, fritar o bacon, a costelinha, juntar as lingüiças (e as forças) e, entre uma garrafa e outra de vinho, eis o resultado:

Quarenta e cinco pessoas comendo a nossa comidinha no frio do Paraná... gostaríamos de agradecer ao Vini e à Tatá, pelo convite e pela ajuda, aos pais deles por terem nos esperado com tanto carinho e terem feito daquele dia um dia não apenas especial para o filho/genro, mas também para nós (gente, foi nossa primeira vez numa cozinha industrial - hehehehe - olha a responsabilidade de cozinhar pra tanta gente) e ainda agradecer todos os elogios que recebemos dos comensais! Tudo muito especial mesmo! E não há, para nós, melhor maneira de agradecer esta oportunidade do que através das palavras, porque, segundo uma autora latina, que publicou o livro Para que no me olvides, cujo nome agora não me recordo, cozinhar é igual a tecer que é igual a narrar... então uso agora um trecho que acho lindo, do livro que J. me deu na lua-de-mel (a versão em espanhol, comprada na gigantesca Livraria O Ateneu, do clássico de Laura Esquivel, Como agua para chocolate) que tem tudo a ver com a nossa vida e a cozinha que deixaremos para nossos filhos e filhas (e amigos):
(...) Los primeros años de mi vida los pasé junto al fuego de la cocina de mi madre y de mi abuela, viendo cómo estas sabias mujeres, al entrar en el recinto sagrado de la cocina, se convertían en sacerdotisas, en grandes alquimistas que jugaban con el agua, el aire, el fuego, la tierra, los cuatro elementos que conforman la razón de ser del universo. Lo más sorprendente es que lo hacían de la manera más humilde, como si no estuvieran haciendo nada, como si no estuvieran transformando el mundo a través del poder purificador del fuego, como si no supieran que los alimentos que ellas preparaban y que nosotros comíamos permanecían dentro de nuestros cuerpos por muchas horas, alterando químicamente nuestro organismo, nutriéndonos el alma, el espíritu, dándonos identidad, lengua, patria. Fue ahí, frente al fuego, donde recibí de mi madre las primeras lecciones de lo que era la vida. (…) Fue ahí, en el lugar más común para recibir visitas, donde yo me enteré de lo que pasaba en el mundo. Fue ahí donde mi madre sotenía largas pláticas con mi abuela, con mis tías y de ven en cuando con algún pariete ya muerto. Fue ahí, pues, donde atrapada por el poder hipnótico de la llama, escuché todo tipo de historias, pero sobre todo, historias de mujeres. (p.15-16).

Aqui, a música que não podia faltar neste post: e então, vamos botar água no feijão?http://www.youtube.com/watch?v=A-NRPRoCwsI

Bon appétit!

Em tempo, aqui vai nossa receita, diminuída para 6 pessoas:

  • 200g charque bovina salgada
  • 200g costela de porco salgada
  • 200g pé de porco salgado
  • 100g rabo de porco salgado
  • 150g lombo de porco defumado
  • 100g paio fatiado
  • 100g linguiça calabresa fatiada
  • 1000g bacon em cubos e torrado
  • 1 kg feijão preto
  • 2 cebolas picadinhas
  • 100g alho picado
  • 6 folhas louro, 2 laranjas com casca cortadas ao meio. Salsa e cebolinha picadas para finalizar.
  • Como fazer:

    De um dia pro outro, limpe bem as carnes salgadas, tirando o excesso de gorduras e nervuras, limpando os pelos que, por ventura, existirem e colocando-as de molho em água por 24 horas, trocando-se a água três a quatro vezes durante este período.

    No dia do preparo, ferva as carnes salgadas e cortadas em pedaços relativamente grandes (exceto o pé, que vai inteiro - ao final do preparo, você vai descartá-lo, não o leve à mesa), durante mais ou menos 20 minutos em fogo forte, e jogue a água fora, pois nela está todo o excesso de gordura. Coloque então as carnes para cozinhar de forma definitiva, já com o feijão, as metades da laranja e as folhas de louro, na seguinte ordem: carne seca e pé. Enquanto isso, numa frigideira à parte, você torra o bacon e frita as outras carnes defumadas. Meia hora depois coloque, o rabo e os defumados na panela da feijoada, cuidando para tirar e jogar fora, durante todo o cozimento, a gordura que for subindo à superfície.

    Em uma frigideira, doure bem a cebola e o alho o mínimo de óleo previamente aquecido, colocando na panela do cozimento, junto com as últimas carnes para cozinhar, retirando antes as metades das laranjas, que já cumpriram a sua missão de ajudar a cortar a gordura das carnes.

    Quando todas as carnes e o feijão estiverem no ponto, salpique o cheiro verde e retire do fogo para servir. Você pode separar defumados, salgados e feijão em tigelas diferentes, para que fique mais fácil as pessoas se servirem com o que elas preferem de cada parte.

    Sirva com arroz branco, farofa na manteiga, couve refogada, vinagrete e laranjas fatiadas.