sexta-feira, 6 de junho de 2008

Vintage Woman


Ah, a sexta-feira! Nada como chegar a este dia da semana com a completa sensação do dever cumprido, das coisas em seu lugar, das palavras milagrosamente ditas no momento certo às pessoas certas! Chegar à sexta-feira é sempre uma tarefa muito difícil para os imprevisíveis, como eu... adoro a metáfora da vida ser uma esquina (cansou da reta? Então, faz a curva, oras!). E esta sexta-feira tem um gosto muito especial... será a última, antes de eu me tornar uma balzaquiana.
Bem, a carteira do clube Balzac eu já tenho faz muito tempo... desde meus quinze que espero por este momento! Li Mulher de trinta anos aos 16 e, talvez por isso (ou sem perceber que este era o motivo), lutei com todas as forças para exorcizar a Julie que habita em nós, doces mulheres! E, à beira dos trinta, dou a mão à palmatória e curvo-me a Balzac, no trecho que mais impressionou-me pela vida: "Casada, ela deixa de se pertencer. É a rainha e a escrava do lar"! Que é do conhecimento de todos o conservadorismo burguês de Balzac em seus livros, isso é certo, mas eu adoraria ver seus semblantes ao perceber que também eu tornei-me um tanto sua discípula... eu gosto da vida de casada. Gosto da rotina de acordar às 7hs com o despertador de J. (tocando "Guilty", do Yann Tiersen, pra eu acordar feliz - surpresinha que ele fez desde o quarto no hotel, em BsAs, e deu muito certo), ouvir a água cair embaixo do chuveiro, sentir o cheiro de alecrim do sabonete do banheiro enquanto ele toma banho, fazer seu café forte, sentar pra escrever ou trabalhar, sair pro trabalho, ralar, rir com meus alunos durante minhas aulas, ensinar o pouco que eu sei, saber que eles gostam disso... gosto de voltar pra casa, tomar um Porto antes do jantar, esperá-lo escolher o que quer jantar, arrumar a bagunça que a Chanel faz na casa, reclamar da bagunça dele e da dela... enfim, uma balzaquiana!
Engraçado é dar-se conta disso à toa, num dia de sol, com a temperatura pelos 9 graus positivos, tomando um chá de jasmim... e olhando para o desenho da própria caneca! Foi assim que eu descobri que Balzac já não era mais o mesmo, no meu conceito! Balzac nunca foi tão balzaquiano ao perceber que a mulher, aos trinta, está absolutamente pronta para tricotar e testar receitas de pudins! E hoje, publico aqui a minha foto! Não a minha foto real, mas um auto-retrato vintage que foi capaz de expressar a felicidade desde os anos 20... ser feliz é ser balzaquiana, com toda a elegância vintage da arte de bater bolos!
Bon appétit!
Em tempo: descobri que o pudim de leite condensado, pra ficar de derreter na boca, não deve passar de 2 horas no forno brando, em banho-maria!
Ah, e essa caneca aí eu to bem afim de completar a coleção: ainda tem a azul e a amarela e vende numa lojinha lá na avenida Atlântica, em Balneário Camboriú, quase de graça (dica de aniversário kkkkkkkkkkkkkkk)!

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