sábado, 28 de junho de 2008

Receita da semana (pra aproveitar o frio e o aconhego de quem se ama)

(E, se você ampliar a foto, verá que J. também joga um anis para aromatizar o creme)

Originária da Suíça, a fondue é um prato de queijo ou chocolate derretido. A fondue chonoise, no entanto, é uma variação chinesa da mesma receita, mas feita com carnes, peixes e legumes, muitas vezes fervidos num caldo de carne com especiarias. No Brasil, essa fondue é feita com carne frita ou grelhada... mais uma variação para as charmosas noites de frio pelo Sul do país tropical.
Fondue de queijo (adaptada do Olivier-salve-salve-Anquier)


Você vai precisar de:

• 600 g de queijo gruyère• 600 g de queijo emmental• 1 taça generosa de vinho branco seco• Pimenta-do-reino (moída na hora) a gosto• Noz-moscada• 1 dente de alho • pão italiano

Prepare assim:

• Esfregue um dente de alho no fundo da panela e despeje o vinho nela para aquecer;• Coloque os queijos (ambos ralados), até que derretam;• Misture com uma colher de pau e tempere com pimenta e noz-moscada;• Quando a mistura estiver homogênea, sirva mergulhando pedaços de pão.


A propósito, o inverno ganhou um charme a mais: finalmente conseguimos nossa cristaleira, feita toda toda com madeira de demolição e a porta (notem) é uma janela de casa antiga... não é original?

(Junto com ela, não resistimos e compramos esse aparador provençal, completamente vintage - efeito 30 anos????)

Bon appétit!

domingo, 22 de junho de 2008

"Malditos solitários"


Certa vez, numa crônica, falei sobre o pôr-do-sol. Não qualquer um, mas aquele que acontece no exato momento em que voltamos para casa, após um dia exaustivo de trabalho. Engraçado como a maior parte das pessoas que conheço não tira um minuto de seu dia para observar... o dia! Talvez, no afã de que ele aconteça novamente, as pessoas o deixam passar... e todos os dias voltam pra casa, depois do expediente, apenas esperando o fim-de-semana chegar! Eu não! Todos os dias, ao sair da escola, eu procuro pelo meu dia por um minuto. Há ocasiões em que, confesso, é difícil encontrá-lo (são tantos os problemas, as contas a pagar, as chateações dentro - e fora - da escola, que uma ou outra vez, como toda boa exceção da regra, caminho pensando em suspiros... aqueles de açúcar mesmo! Mas, na maioria do tempo, procuro não esquecer o que vivi). Eu encerrava a tal crônica com uma indagação: para onde olham as pessoas quando voltam do trabalho? Meu horário de expediente na escola chega ao fim às 17h40min. No inverno, não vejo o pôr-do-sol. No entanto, nos dias em que tenho aula pela manhã, como recompensa (ou castigo, dependendo da temperatura lá de fora) saio de casa bem na aurora do dia. Muitas vezes, na primeira aula, a sala tem metade de olhinhos sonolentos tentando fixar as regras malucas da gramática. A outra metade luta para sair debaixo dos edredons só para não levar falta. E, na minha volta pra casa, venho pensando sobre isso. Desde cedo temos obrigações. Algumas, impostas pelos nossos pais, outras são estipuladas por nós mesmos, ou pelo nosso caráter. Uma das regras que impus cedo a mim foi a da auto-confiança. Chovesse ou fizesse sol, meus objetivos estariam acima de tudo. Cedo, escolhi um duro caminho: fui mãe, fiz duas graduações, emendei um mestrado e, em seguida, o bendito doutorado, escolhi uma profissão que me dá muita alegria e muito trabalho no fim-de-semana; mas, sempre desempenhei tudo com muita seriedade e vontade. Faz pouco tempo também que aprendi a acender um fósforo de cada vez (como sou muito impulsiva e adoro fazer tudo ao mesmo tempo, costumava sufocar-me com o cheiro da minha própria pólvora - para entender melhor do que falo, leiam - ou vejam o filme - da foto deste post). Uma coisa que tenho procurado entender é o tempo de cada um. Principalmente quando se divide os dias (e as noites) com alguém, é importante que tenhamos o hábito de respirar a solidão na volta pra casa, para que, assim, não sufoquemos o outro com nossos desejos e aflições. Como eu sou imediatista e convivo com alguém que adora o "daqui a pouco", é importante que eu não perca o costume de olhar para o céu na volta pra casa, pensar em tudo o que vivi, optar pela separação diária entre o joio e o trigo (a propósito, leiam Com quién me caso yo?, um livro sobre a arte de combinar pratos e bebidas, que eu trouxe, não por acaso, da lua-de-mel, em BsAs). Enfim, é necessário que eu respire um pouco o ar de momentos comigo mesma, para que eu aprenda a esperar o tempo do outro, mesmo que este tempo me magoe, me atormente, me aflija... por mim, seguirei lendo meus livros escolhidos com tanto esmero, à espera das dedicatórias, que um dia certamente hão de vir!

P. S.: o título faz referência à gravação da música "Natureza noturna", de Zeca Baleiro e Raimundo Fagner (um achado do mundo Kitsch).

terça-feira, 17 de junho de 2008

Como tornar os dias (e as noites) mais quentes no inverno

Com a chegada das massas de ar frio e seco por aqui, a melhor forma de enfrentar a média de 5ºC que tem feito pelas 7 da matina em Blumenau, é indo dormir de bem com a vida . Para isso, nada como:


Cuidar da hortinha nas manhãs de sol


Sentir invejinha do sono da Chanel, enquanto a gente trabalha
Comer batata rösti, enquanto toca Chico Buarque

Tomar sopa de batata e caldo de feijão (Janaaaaa, em sua homenagem), na cama, enquanto passa o Fantástico


Deliciar-se com as invenções de J. na cozinha, em plena segunda-feira (depois passo a nova receita dele que deu certo: Congrio grelhado sobre mousse de batata inglesa com redução de molho shoyu - notem a lã e as agulhas do cachecol que estou fazendo para a d. Erbênia, ao fundo)

Testar (e aprovar) a receita do Alex Atala, de bolo de banana - as raspas de chocolate foi um toque do chef de casa - para um café da tarde, na casa da Taís e do Vini.

E tomar vinho... muito vinho (a adega agradece as excelentes aquisições)!!!!!

Ai, delícia de solstício que se aproxima, impiedoso!

A todos, neste inverno, bon appétit!

domingo, 15 de junho de 2008

Sofia e eu



Eis-me aos trinta! Affonso Romano de Sant'Anna, num de seus mais belos escritos, compara a mulher madura a uma orquídea que "brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens, tagarelando nas manhãs"... e, coincidência ou não, em meus trinta anos ganhei a minha primeira orquídea. Agora, além de Carolina, Chanel e J., Sofia (a minha orquídea, da espécie phalaenopsis) é a mais nova dona de minhas atenções. Desde que chegou, Sofia já mostrou sua imponência a tal ponto que nós praticamente pedimos licença para trocá-la de lugar dentro de casa. Imaginávamos que ela gostaria de ficar perto da adega, mas depois descobrimos que Sofia gosta de música e prefere quedar-se tranqüila próxima ao home teather, a uma distância respeitosa do sol, na sala de estar (ontem eu vi que Sofia não gostou muito de ouvir o tal Steve Ray Vaughan, enquanto nos preparávamos para ir ao show do Nuno Mindelis - segunda parte de nossas comemorações de 12 de junho - mas, tudo bem! Sofia já deve saber que, para morar aqui, há de tornar-se uma linda senhorita tolerante, principalmente aos acordes metálicos do tal Steve). Sofia não sabe (e, se depender de mim, não saberá jamais) que temo por sua vida, já que a responsabilidade de alimentá-la é minha... já perdi Regina (meu lírio alaranjado), Penélope e Rebeca (minhas tulipas de invernos passados) e umas tantas Violetas (as violetinhas gostam de se chamarem Violetas mesmo)... todas sofriam a falta ou o abuso de água e sol! Então Sofia está me fazendo pesquisar mais sobre a arte de regar plantas e, como geminianos são muito empolgados, é possível que Sofia me leve a um não sei que curso de botânica!


Ainda é de Affonso o texto que cito como um presente meu para mim mesma, nesta data querida:




Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.(...) Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.(...)É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes. Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó. Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.





Pois então, pois então... cá estou! Nostálgica e à espera dos grandes acontecimentos que o segundo semestre deste ano nos guarda... abaixo, instantâneos das comemorações (tão perfeitinhas) do 12 de junho:

(Show do Nuno Mindelis, ontem à noite - J. dançando euforicamente... Eu e Taís, nuns papos bem pra lá de Marrakech, hehehe!!!)

( de cima pra baixo: Chanel - descabelada - e Sofia; detalhe da decoração romântica e literária do 12 de junho, num bistrô lindinho e aconchegante, que só abre 3 vezes por ano - nas ocasiões especiais - e a entrada do jantar de aniversário e dia dos namorados ). Logo logo vamos comentar esses camarões envoltos em parma, acompanhados de papas fritas, purê de abacate e macarrãozinho cabelo-de-anjo!
Em tempo: queremos mandar um abraço para o pessoal da Revista Adega e dizer que este blog aqui pode nem ser o mais acessado, mas certamente é o mais BEM acessado, pelas ilustres visitas que recebemos, com muito carinho! Aproveitando, agradecemos a Silvia Mascella Rosa pelas excelentes indicações de Rosés! Logo, logo J. deixa a preguiça-Caymmi-de-beira-de-mar para mexer com as palavras e posta mais uma de suas avaliações por aqui.... A todos, é uma honra participar nosso cotidiano com pessoas tão importantes e carinhosas, obrigada(o)!!!
Bon appétit!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Vintage Woman


Ah, a sexta-feira! Nada como chegar a este dia da semana com a completa sensação do dever cumprido, das coisas em seu lugar, das palavras milagrosamente ditas no momento certo às pessoas certas! Chegar à sexta-feira é sempre uma tarefa muito difícil para os imprevisíveis, como eu... adoro a metáfora da vida ser uma esquina (cansou da reta? Então, faz a curva, oras!). E esta sexta-feira tem um gosto muito especial... será a última, antes de eu me tornar uma balzaquiana.
Bem, a carteira do clube Balzac eu já tenho faz muito tempo... desde meus quinze que espero por este momento! Li Mulher de trinta anos aos 16 e, talvez por isso (ou sem perceber que este era o motivo), lutei com todas as forças para exorcizar a Julie que habita em nós, doces mulheres! E, à beira dos trinta, dou a mão à palmatória e curvo-me a Balzac, no trecho que mais impressionou-me pela vida: "Casada, ela deixa de se pertencer. É a rainha e a escrava do lar"! Que é do conhecimento de todos o conservadorismo burguês de Balzac em seus livros, isso é certo, mas eu adoraria ver seus semblantes ao perceber que também eu tornei-me um tanto sua discípula... eu gosto da vida de casada. Gosto da rotina de acordar às 7hs com o despertador de J. (tocando "Guilty", do Yann Tiersen, pra eu acordar feliz - surpresinha que ele fez desde o quarto no hotel, em BsAs, e deu muito certo), ouvir a água cair embaixo do chuveiro, sentir o cheiro de alecrim do sabonete do banheiro enquanto ele toma banho, fazer seu café forte, sentar pra escrever ou trabalhar, sair pro trabalho, ralar, rir com meus alunos durante minhas aulas, ensinar o pouco que eu sei, saber que eles gostam disso... gosto de voltar pra casa, tomar um Porto antes do jantar, esperá-lo escolher o que quer jantar, arrumar a bagunça que a Chanel faz na casa, reclamar da bagunça dele e da dela... enfim, uma balzaquiana!
Engraçado é dar-se conta disso à toa, num dia de sol, com a temperatura pelos 9 graus positivos, tomando um chá de jasmim... e olhando para o desenho da própria caneca! Foi assim que eu descobri que Balzac já não era mais o mesmo, no meu conceito! Balzac nunca foi tão balzaquiano ao perceber que a mulher, aos trinta, está absolutamente pronta para tricotar e testar receitas de pudins! E hoje, publico aqui a minha foto! Não a minha foto real, mas um auto-retrato vintage que foi capaz de expressar a felicidade desde os anos 20... ser feliz é ser balzaquiana, com toda a elegância vintage da arte de bater bolos!
Bon appétit!
Em tempo: descobri que o pudim de leite condensado, pra ficar de derreter na boca, não deve passar de 2 horas no forno brando, em banho-maria!
Ah, e essa caneca aí eu to bem afim de completar a coleção: ainda tem a azul e a amarela e vende numa lojinha lá na avenida Atlântica, em Balneário Camboriú, quase de graça (dica de aniversário kkkkkkkkkkkkkkk)!