quarta-feira, 21 de maio de 2008

"Desde el alma"




Então, vocês devem se lembrar do dia em que pegamos o endereço errado para chegar ao tal restaurante erótico, não é? Pois não pensem que naquela noite nos contentamos com o erro e fomos a qualquer lugar muito próximo dali... não, não! Peguem nota, porque este foi o destino mais inusitado e surpreendente de toda Bs As: calle Honduras, esq. com Godoy Cruz. Ali, você encontra um bistrô romântico, autêntico e inimaginavelmente agradável: o Desde el alma. Em lugar algum fora de casa, senti-me como se estivesse nas almofadas de minha sala, usando minhas taças postas sobre meu tapete! Uma esquina de Palermo, na qual está uma casinha branca em cal, com portinhas de madeira e uma decoração tão despropositada que nada pode parecer tanto com casa antiga (aliás, para jantar, passear pela manhã e aproveitar as baladinhas argentinas, dirijam-se a Palermo - o Soho, o Hollywood, o Viejo, o Chico... lá tem de tudo). É como se a gente estivesse abrindo o baú da vovó e tirando as porcelanas que restaram do casamento dela! Nenhum prato nos foi servido no mesmo conjunto e as taças da mesa pareciam ter sido compradas num dos antiquários de La Boca, achadas no fundo do mar, provavelmente resquícios de um naufrágio (como é bom inventar historinhas na hora do jantar, numa espécie de ditongo criativo - hehehehe)...










Além disso, o garçom nos deu uma canja (no sentido figurado, ta bom?) e nos ensinou aonde podíamos achar uma genuína balada hermana (como vou descrever daqui a pouquinho)... uma figura muito gente boa, aquele rapaz!
Vamos ao cardápio da noite, então: a senhora comedida achou que estava fazendo um ótimo negócio, pedindo de entrada uma salada, chamada "berro de tierra" - e se alguém conhece um pouco o espanhol, já sabe que estou falando de algum prato com agrião... mas eu não sabia a quantidade dele, tá? Adoro agrião, adoro cogumelo francês, abacaxi, laranja, radiche... mas, esta pessoa só não podia imaginar que ia ter que adorar um não sei quê de anormal, para conseguir comer a quantidade de salada (e ainda o prato principal) que lhe foi servida - vejam o tamanho da tigela:









Ahã! Era só pra mim! :/ E dá pra reclamar
depois de olhar a beleza da tigela de servir sopa
da vovó? É rir e mandar ver...
Bem, J. foi na opção que seria minha (novamente) e pediu as onipresentes: batatas... desta vez, com cogumelos, cenouras e rúcula... não vou descrever, porque como bem nos ensinou a explosão hi-tec, "imagem é tudo"!












Como prato principal, fomos ambos de cordeiro. O dele, um lombo ("lomito") em papel alumínio, muito bem preparado. O meu, um matambre ("matambrito") cozido até derreter... na boca! Detalhe dos cheiros e combinações com o Rutini que degustamos sem pressa e com muito prazer, infelizmente não podem ser sentidos pelas fotos abaixo:

Nada mal para a primeira noite na cidade, não é mesmo? Ah, vale lembrar que os posts não estão sendo elaborados por ordem de dia, mas pelo nosso ranking, que obedece critérios como originalidade, espontaneidade, aromas e, lógico, sabores (salientando que, independente do restaurante, os pratos foram todos muito bem servidos e excepcionalmente bem preparados - o que daria certo empate técnico até agora, neste quesito... lógico que a boa leitura e grande percepção de J. nos ajudaram muito nas boas escolhas).

A todos (e por hoje), bon appétit!

K.

Um comentário:

Herley disse...

K. e J., cordiais saudações.
Eu e Cris estamos adorando o Blog. É muito agradável ler seus posts. Vcs também têm muito bom gosto. Parabéns.