sexta-feira, 30 de maio de 2008

A bela serra gaúcha

Falar da serra gaúcha, para mim, é algo mais que especial... quando ficamos noivos (aquela historinha da aliança com nome gravado e etc), resolvemos comemorar com um passeio em Gramado, Canela e Bento Gonçalves. Então, de posse do nosso inseparável Guia 4 Rodas, umas tantas impressões de pesquisas da net e valiosas informações colhidas de amigos que fizeram algumas vezes o roteiro, partimos para a aventura. Mas, como J. e eu somos adeptos de novas experiências, é óbvio que resolvemos dificultar um pouco as coisas e fizemos um roteiro meio excêntrico: ao invés de seguir a indicação do guia ou o roteiro impresso das rodovias, pela internet, fomos viajando pelo interior de SC, pegando caminhos mais longos... e incrivelmente lindos (vejam por onde nos metemos... em algum momento, pensei que nós estávamos perdidos, mas só revendo estas fotos eu vejo o quão bom foi essa ida):



Notem que isso é muito cedo e a estrada é de chão! O mais legal é ver a geada às 8 da matina (primeira foto).



A idéia era ir por rodovias estaduais até a serra catarinense, pegar um atalho para São Joaquim e visitar a Vila Francioni (uma viníciola que, não apenas pelo vinho, vale muito a pena conhecer). Em São Joaquim, após a visita à vinícola (que deve ser agendada com antecedência - assim como todas as visitas a pequenos produtores na serra gaúcha), almoçamos a ganhamos novamente a estrada. Abaixo, fotos da Vila Francioni, seus cômodos cheios de obras de arte, garimpadas nas viagens do patriarca e fundador do lugar, os parreirais dormindo o sono do inverno, para brotarem elagantes na primavera e o termômetro, na praça central da cidade, pra provar que nem estava tão frio assim:




Não deu pra ver direito neste post, mas o termômetro marca normalíssimos 10 graus positivos, ao meio-dia, em São Joaquim... snif!










E, depois do almoço, seguimos para o Rio Grande do Sul...

Em Gramado ficamos numa pousada não apenas chamosa, mas muito original. A começar pela rua onde está situada (chamada Rua da Paz), tudo lá é calmo e agradável, te fazendo realmente se sentir em sintonia com a natureza. Aliás, em Gramado não há como não se sentir assim. Além do charme da cidade, há vários passeios ecológicos. Nesta época do ano, você pode alugar bicicletas e passear pelos belíssimos parques. No Lago Negro, há o famoso passeio de pedalinho e caminhadas curtas por trilhas com guia.




E a comida! Ah, a CO-MI-DA!!!! Em Gramado, esteja preparado para comer. Rodízios de fondue, massas, carnes, restaurantes de todas as nações reunidos num só lugar. Lá, encontramos um pequenino, mas charmosíssimo restaurante português, bem na avenida das Hortências, cuja chef, muito simpática, nos ofereceu um bacalhau de deixar os bigodes em pé, pois pois! Espetacular! Mas, em Gramado mesmo, as duas melhores opções, em nossa humilde opinião, já foram comentadas em posts anteriores: Bouquet Garni (para ter uma linda vista do lago Joaquina Bier e deliciar-se com pratos feitos por um chef de tirar o chapéu, fechando a visita com ares de renovação do amor) e Belle du Vallais (o melhor fondue da cidade, indiscutivelmente... porque o sabor começa pelo conforto de sentir-se bem).




Se você vai viajar com crianças, o lugar torna-se um paraíso: há o mini-mundo (um parque com miniaturas de lugares internacionalmente famosos em todos os cantos do mundo - são maquetes de propriedade da família dona do hotel, que funciona também no local e tem apartamentos bem orginiais, como os com nome dos Sete Anões... já pensou como seu filho adoraria dormir lá?). Há também o Parque Knorr, onde funciona a casa do Papai Noel (com neve artificial para tirar foto) e as fantásticas visitações às fábricas de chocolate. Aliás, chocolate de Gramado é a melhor opção para lembrancinhas... em minha opinião, os mais gostosos (e, não coincidentemente os mais caros) são os da marca Caracol. Não deixe de degustar antes de escolher os que vai levar (hummmmmm).


Em Canela, a diversão se completa: passeios ao ar livre, montanhas, esqui, feirinhas colonas, cachoeiras.... a cidade, em si, não apresenta muitos atrativos, mas os arredores são riquíssimos de beleza e turismo. Lá, não deixe de visitar o castelinho Caracol e comer o melhor apfelstrudel (folhado de maçã e canela) da região... chegue no fim da tarde e sinta o aroma do chá e da maçã se espalhando pelo lindo jardinzinho do castelo de madeira, construído sem uso de pregos (tipicamente alemão). Visite o parque Caracol e o teleférico, que te leva à beirinha da cachoeira... uma delícia!




Depois de cinco dias de romantismo, cachecol e casacos pesados, então seguimos para Bento Gonçalves... mas isto, é uma outra história!!!!


Beijos e espero que muitas dicas tenham sido úteis.
K.

A conserva de carne







Você vai precisar de:
1kg de lagarto sem pele e sem gordura;
pimentões coloridos;
cebola;
alho;
azeitonas (pretas e verdes);
azeite de oliva de boa qualidade;
aceto balsâmico;
temperos de sua preferência.
Numa panela de pressão, cozinhe a carne (você deve temperá-la como uma carne de panela mesmo. A dica é não colocar óleo nem exagerar nos temperos - mesmo o sal - pois a conserva acentua o sabor dos alimentos). Antes que ela fique com aquele aspecto quebradiço (típico do lagarto), desligue o fogo e espere esfriar para cortar em fatias de 1/2 cm de espessura, no máximo.


Após fatiar a carne, comece, então, a montagem dos vidros: comece com fatias de cebolas, intercale carne, pimentões, fios de azeite, azeitonas e temperos... vá imaginando desenhos, sabores, aromas... dê asas à criatividade e, não esqueça: o aceto balsâmico deve ser colocado apenas no final, antes de completar o vidro com azeite. Deixe-o escorrer pela montagem das camadas e misturar-se ao azeite, numa sinfonia de espessuras... deixe curtir ao menos uma semana antes de colocar a cerveja pra gelar! Outra dica é cortar baguetes em diagonal e servir para acompanhar a delicadeza dessa conserva.

Bon appétit!

K.




quinta-feira, 29 de maio de 2008

Receita da semana



Sopa de mandioca (macaxeira) com alho-poró


Ingredientes

500 g de mandioca descascada e lavada (prefira as branquinhas, pois cozinham rápido);
1 cenoura picada em cubinhos;
1 batata inglesa picada em cubinhos;
meio brócolis (do tipo ninja ou japonês) cortadinho;
1 cebola picada;
cebolinha e salsa para o toque final;
alho-poró (também para o toque final);
300 g de carne seca, dessalgada e em cubinhos pequenos;
200 ml de demi-glâce.

Modo de preparo:

Primeiro, a gente cozinha a mandioca até que ela comece a "derreter". Então, numa frigideira, douramos a carne e, numa panela ao lado, vamos fazendo o mesmo com a cebola. Em seguida, na panela da cebola, misturamos as verduras, a demi-glâce e colocamos água quente até cobrir. Deixamos ferver e jogamos a carne e a mandioca, deixando levantar novamente fervura. Desliga, salpica a salsa e a cebolinha (eu gosto muito do coentro para estes pratos com sabor do meu Nordeste, mas a nossa plantaçãozinha dele terminou, não replantamos e o supermercado, no horário do jantar, está sempre muito cheio e filas dão preguiça nas pessoas impacientes de Gêmeos - lá nós o achamos, sempre caríssimo, mas achamos!). Para decorar o prato (e dar o sabor secreto do chef), é só colocar as rodelas do alho-poró - na foto, coloquei na sopeira mesmo.


Ah, detalhe do momento esposa-pentelha-e-teimosa-que-comprou-pratos-pintados-sem-aprovação-do-marido-que-não-gosta-de-comer-vendo-figurinhas... mas, concordem: o Rio de Janeiro continua lindooooooo (hehehhee)!!!! Ah, recado "inoportuno" para a Jana: lembra desses copos de quando eu morava no Manhattan e você ia fazer um lanchinho rápido, antes de voar pra aula, na UFSC???? Bons tempos, né não? Ainda tenho dois deles - HAPPY!!!!!!!





Mais recadinhos: galera, to postando (eu juroooo) a receita da conserva de carne e as dicas de um bom passeio em Gramado e Canela até sábado! Podem cobrar!
Beijos, bon appétit!
K.
P.S.: desculpem a má qualidade das fotos noturnas, mas amanhã eu levo a câmera para consertinho básico e deixamos o celular descansar!

domingo, 25 de maio de 2008

Sempre "a dois passos do paraíso"...
















Pode ser difícil de aceitar, mas há algumas vantagens de se morar em Blumenau. Uma delas, por exemplo, é poder estar em Balneário Camboriú em 45 min...




Ou em Floripa, num meio de tarde, depois de uma manhã de árduo trabalho...
















E até mesmo na própria Blumenau, num sábado à tarde, no Empório Piacere (na alameda Rio Branco), tomando um rosé, enquanto J. escolhe cogumelos e azeitonas pro jantar!



Ou ainda em Blumenau, na Expresso Choperia, olhando para o Rio Itajaí... e pra ele:

















Mas, mais ainda, só por estar em casa, descansando... e saber que aqui é nosso lar (aquele, com cheirinho de manjericão):

Boa noite a todos e todas...
K.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Thames 878



Se você não é o que os paraibanos chamam de "local", dificilmente você vai achar este lugar. Sem indicações em guias, sem letreiro na porta ou qualquer sinal de casa noturna, pela tranqüilidade da rua onde está localizado, o Ocho7Ocho, na calle Thames, é um esconderijo guardado a sete chaves pelos hermanos: uma balada que acontece num loft, a portas fechadas (há que tocar a campainha para o segurança decidir se deixa - ou não deixa - você entrar). Lá dentro, paredes de pedra, sofás confortáveis, uma carta de vinhos que - dizem - vale a pena pagar o (baixo) preço! Nós, como estávamos mesmo afim de nos divertir como dois adolescentes bobos, optamos pelos drinks do barman: J. com seu (argh!) Mojito destruidor e eu, com meu segundo Dry Martini da viagem hehehehe!!!! Foi um momento muito especial, porque, mesmo ouvindo um som metálico demais para meus ouvidos, tivemos nossa primeira conversa de casados (aquela onde detalhes-tão-pequenos-de-nós-dois são relembrados... e não é que nos emocionamos ao ver que as nossas escolhas, sobre nós, foram sempre as mais acertadas, fazendo da nossa história um livrinho muito especial?! É mesmo muito bom poder dividir tudo isso com vocês, de alguma forma, porque é uma maneira de não guardarmos os lindos detalhes em gavetas de naftalina)... é isso aí, meus caros, mais um pedacinho bem explorado da cidade... à moda hermana! Delícia de tim-tim, não? Ah, como descobrimos o Thames 878? Lembram do garçom gente boa de quem falei no post anterior?
Besos...
K.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

"Desde el alma"




Então, vocês devem se lembrar do dia em que pegamos o endereço errado para chegar ao tal restaurante erótico, não é? Pois não pensem que naquela noite nos contentamos com o erro e fomos a qualquer lugar muito próximo dali... não, não! Peguem nota, porque este foi o destino mais inusitado e surpreendente de toda Bs As: calle Honduras, esq. com Godoy Cruz. Ali, você encontra um bistrô romântico, autêntico e inimaginavelmente agradável: o Desde el alma. Em lugar algum fora de casa, senti-me como se estivesse nas almofadas de minha sala, usando minhas taças postas sobre meu tapete! Uma esquina de Palermo, na qual está uma casinha branca em cal, com portinhas de madeira e uma decoração tão despropositada que nada pode parecer tanto com casa antiga (aliás, para jantar, passear pela manhã e aproveitar as baladinhas argentinas, dirijam-se a Palermo - o Soho, o Hollywood, o Viejo, o Chico... lá tem de tudo). É como se a gente estivesse abrindo o baú da vovó e tirando as porcelanas que restaram do casamento dela! Nenhum prato nos foi servido no mesmo conjunto e as taças da mesa pareciam ter sido compradas num dos antiquários de La Boca, achadas no fundo do mar, provavelmente resquícios de um naufrágio (como é bom inventar historinhas na hora do jantar, numa espécie de ditongo criativo - hehehehe)...










Além disso, o garçom nos deu uma canja (no sentido figurado, ta bom?) e nos ensinou aonde podíamos achar uma genuína balada hermana (como vou descrever daqui a pouquinho)... uma figura muito gente boa, aquele rapaz!
Vamos ao cardápio da noite, então: a senhora comedida achou que estava fazendo um ótimo negócio, pedindo de entrada uma salada, chamada "berro de tierra" - e se alguém conhece um pouco o espanhol, já sabe que estou falando de algum prato com agrião... mas eu não sabia a quantidade dele, tá? Adoro agrião, adoro cogumelo francês, abacaxi, laranja, radiche... mas, esta pessoa só não podia imaginar que ia ter que adorar um não sei quê de anormal, para conseguir comer a quantidade de salada (e ainda o prato principal) que lhe foi servida - vejam o tamanho da tigela:









Ahã! Era só pra mim! :/ E dá pra reclamar
depois de olhar a beleza da tigela de servir sopa
da vovó? É rir e mandar ver...
Bem, J. foi na opção que seria minha (novamente) e pediu as onipresentes: batatas... desta vez, com cogumelos, cenouras e rúcula... não vou descrever, porque como bem nos ensinou a explosão hi-tec, "imagem é tudo"!












Como prato principal, fomos ambos de cordeiro. O dele, um lombo ("lomito") em papel alumínio, muito bem preparado. O meu, um matambre ("matambrito") cozido até derreter... na boca! Detalhe dos cheiros e combinações com o Rutini que degustamos sem pressa e com muito prazer, infelizmente não podem ser sentidos pelas fotos abaixo:

Nada mal para a primeira noite na cidade, não é mesmo? Ah, vale lembrar que os posts não estão sendo elaborados por ordem de dia, mas pelo nosso ranking, que obedece critérios como originalidade, espontaneidade, aromas e, lógico, sabores (salientando que, independente do restaurante, os pratos foram todos muito bem servidos e excepcionalmente bem preparados - o que daria certo empate técnico até agora, neste quesito... lógico que a boa leitura e grande percepção de J. nos ajudaram muito nas boas escolhas).

A todos (e por hoje), bon appétit!

K.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Antes da sobremesa, uma pausa pro café...

Eis que, entre histórias de casamento, lua-de-mel e prestações de serviço, vamos completando um mês de "sim"... e, o que é engraçado: a gente não percebe o quanto precisa do estado civil, até mudá-lo: neste mês, foram algumas as vezes em que J. e eu nos pegamos preenchendo algum formulário e virando os olhinhos de emoção, com a doce escolha da opção CASADO (A)... que louco!
E (lógico), para comemorar, já se foram dois jantares: um, na nova sala de jantar, em pleno dia das mães, com direito às lindas Amarilys ganhadas do marido, em nome das filhas (a real e a canina) pela comemoração da data (que não páram de brotar, estupendas e poderosas, aqui em casa) e às orelhas de Minie - que só são usadas em ocasiões muitíssimo especiais ( pausa para a explicação Younguiana - porque só quem já leu Vergonha dos pés saberá do que estou falando: orelhas de Minie era um dos meus sonhos de infância, realizado ano passado, quando uma aluna foi à Disney e, sendo muito atenta às minhas piadinhas prontas das aulas de todo dia, logo notou a falta deste objeto tão perceptivelmente incômodo, assim como eu, na minha vida... trazendo-as de presente).



Nâo dá pra ver direito, mas atentem para a camiseta do Che Guevara que estou usando... querem algo mais à Cazuza que isto??? ("enquanto houver burguesia não vai haver poesia"... lembram do clipe? I LOVE IT!!!!). Ah, antes que me esqueça: J., em mais um momento "dotes culinários aflorados", preparou-nos um genuíno penne al funghi, que estava de lamber o prato!

Bem, o segundo jantar, fica por conta da doce companhia das begônias, ganhadas também do marido, pelo aniversário de um mês (nem preciso dizer DE NOVO do quê, né?)... e de uma rustissíssima garrafa de Lote 43 (garotas, atenção: a safra 2002 parece adstringente demais para o paladar feminino, arrisco-me ao comentário antecipado).

Na frigideira, uma carne com legumes ao molho shoyu de fermentação natural, trazido de presente pelo amigo Norlei, de um fds em Curitiba (mais uma delícia preparada com amor pelo chef da casa)


Enfim, enfim, traçando o paralelo com o título deste post, no feriado vamos escrever sobre os redutos ainda não comentados de BsAs e as garrafas por lá degustadas (isso aqui é só a pausa pro cafezinho, ta bom?)... estaremos também de posse das fotos oficiais do casamento(que já estão prontas, aguardando nossa ida a Floripa, que vai ser um bate-e-volta na sexta). Então, aguardem as próximas postagens...


Bon appétit!

domingo, 18 de maio de 2008

Ah, a tecnologia...









Amigos, por motivos técnicos, estamos impedidos de atualizar esta página, mas não tão impedidos assim, que não achemos uma maneira (honesta) de fazer nossa reclamação: BRAVOS À GVT E SEU PADRÃO DE EXCELÊNCIA EM TELECOMUNICAÇÕES... até amanhã esperamos que resolvam nosso problema (isto porque - vocês vão concordar - há um lado deste casal extremamente compreensivo e flexível, capaz de esperar a boa vontade de técnicos e ouvir horas a fio a voz indiferente dos atendentes do 103-25)!!!!




Um beijo, um abraço e até loguinho... K. e J.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Un restó poco tradicional...

No portão, você jura que é uma casa aconchegante. Ao entrar, será recebido por uma morena muito bonita, vestida em cores de África. Espiando o salão, verá que os graçons têm cortes de cabelos moderníssimos e fazem o estilo "clubber" que deixaria muito emo morrendo de inveja! E, se resolver ficar, certamente este lugar será seu point nas próximas visitas à cidade, depois que experimentar a comida e visualizar a beleza dos pratos, que lhe são apresentados num cardápio simples e original. Resumindo, o ponto de encontro do momento para o almoço perfeito dos empresários, amigos à toa, namoradinhos, amantes secretos e turistas, como nós, na Bs As das grandes opções, é aqui, ó:


Coincidentemente, também situado na Calle Gorriti (nº5870), em Palermo Soho, o Olsen é a grande idéia para se abrir um restaurante de qualidade. O cardápio muda diariamente, mas a cada dia vai te oferecer apenas duas opções para um bom almoço: você escolhe a sua entrada, prato principal e sobremesa, além de ter direito a uma taça de vinho ou uma caneca de chope alemão, tudo pela bagatela de 29 pesos por pessoa!!!!

Eu, que não sou boba nem nada, fui logo para a truta à amênodas, com uma salada verde e creme de cebola (que era um espetáculo). J. optou pelo que devia ser meu pedido, se não estivesse sustentando (com estilo e boa vontade) aquele fatídico regime: batatas al murro (apesar do nome grotesco, é um dos meus jeitos preferidos de comer a iguaria. É assim: cozinha-se bastante as batatas inglesas - dê preferência àquelas da casquinha cor-de-rosa - depois, com casca e tudo (no caso dos patologicamente corretos), esmurre-as para que se quebrem e, só assim, frite-as em óleo de canola ou girassol - não pelo preço na prateleira dos supermercados, mas porque fazem realmente menos mal à saúde). Bem, voltando ao pedido do desposado, confiram nas fotos abaixo a beleza da salada de beterrabas com dill e o toque "trailler do Bokão" do prato, quando foi servida a carne dentro de um pão, parecendo sanduíche de tele-entrega! Tudo para que o conforto e a descontração sejam o carro-chefe da casa!!!!! Um espetáculo de originalidade e surpresas para o cliente!







Sem contar que estes pratos, no estilo bandejão chic de universidade, deu vontade de ter em casa... e eu ainda vou procurar para aquisição (porque, como uma boa geminiana, adoro cismar com as coisas)!!!! Ah, detalhe importante é que o barman deste lugar te OBRIGA a provar um drink, porque ele fica ali, no cantinho, e os copos vão saindo com uma beleza inigualável... que nem tive coragem de pedir el postre... deixei pra fechar a visita ao Olsen com chave de ouro... e tasquei meu pedido (mais um sonho adolescente realizado, confesso). De sobremesa, senhoras e senhores, eis que lá estava ele:

o primeiro dry martini a gente nunca esquece...

Acho que, por causa desta "sobremesa" excêntrica, J. deve estar rindo de mim até agora... até porque, meus caros, isto bateu forte e eu saí risonha, risonha do lugar e até falei castellano no caminho do hotel hehehehe!!!!! Mas, acho que ele gostou, porque estava louco pra trazer, do free shop, uma garrafinha de gim e preparar mais disso aí!!!!

E, pra fechar o post de hoje, não posso deixar de fora um elogio soberbo ao local: chegamos faltando 5 min pra fechar a cozinha e, nem por isso, levamos um "não" ríspido sobre nossos pedidos, como aconteceu em outros lugares da cidade, pelo adiantado da hora! Há balcões, como o de uma certa cervejaria famosa de San Telmo, que não fazem o menor esforço para atender bem o turista e não se preocupam se ele possa vir a escrever no blog de viagem que foi muito-mal-tratado-sim-e-não-volta-mais-lá-nem-por-cerveja-grátis!!!! Ademais, pra quem mora na cidade do chope, o que é uma canequinha de San Telmo perto de honradas taças de vinho deliciosamente servido no Olsen, em Palermo?

Deixo maiores delongas a cargo de J., que certamente fará questão de complementar estes comentários... a todos (e por hoje), bon appétit!

K.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Solo se trata de un juego...





Aos comparsas companheiros deste pecado (comer de prazer - ou vice-e-versa, já que a variação da ordem não altera o paladar), digo-vos de antemão que o post de hoje em nada deixa a desejar (em detalhes e conselhos) ao merecidamente elogiadíssimo texto de J.
Faz-se necessário, entretanto, alertá-los para uma possível ambigüidade (supostamente já percebida nas primeiras linhas) que se fará presente em meu discurso, nesta noite. Pois, vamos lá. Dentre as aventuras mais pitorescas de uma Buenos Aires desejosa de nossa presença, esta deve ter o privilégio de ser a primeira narrada. Guardem este nome (mas, mais que ele, guardem este endereço: Calle Gorriti, 5054, PALERMO SOHO): Te mataré Ramirez!
J., em segredo (primeira traição pós-matrimonial), conduz-me a um táxi, no intuito de me levar para jantar. Pensando eu que se tratava de um inocente e despretensioso tilintar de taças, típico de nossas noites, não desconfio de que, na verdade, J. está me levando a um dos mais cobiçados (e a palavra aqui cai como uma luva) restaurantes de toda BsAs. Isto porque, amigos, Te mataré Ramirez é, nada mais, que um excêntrico restaurante erótico!!!!! Até aí, vocês devem estar pensando: "tudo bem". E estaria, se J. não tivesse pedido ao taxista que nos levasse à Rua Paraguay, em Palermo Viejo (endereço indicado no guia)!!!!!! E se o ******* do taxista não tivesse feito aquela cara de "mira, que brasileños fuera de la casita", quando percebeu que nós estávamos procurando o tal restaurante... isto porque, dois dias depois, descobrimos que ele havia "cambiado la dirección", como nos explicou uma argentina muito gente boa, num outro restaurante, em Puerto Madero! Muito bem: eis que, de posse do endereço correto (e de toda a pouca vergonha nas bochechas), andentramos novamente num táxi e pedimos: "Restaurante Te Mataré Ramirez", ao que o taxista prontamente nos atendeu!
Apenas para deixá-los com água na boca e um salivar típico do desejo, passo a narrar as excentricidades do local, com uma certa dose de discrição e reticências: após assistirem a uma peça teatral, ainda no primeiro piso do restaurante, você e seu par podem optar pelo tipo de noite que querem ter já na escolha do ambiente para o jantar. Com três salões escondidos entre paredes e cortinas escuras (oscilando entre o preto e o vermelho), o lugar oferece um bar, onde vocês podem se imaginar como desconhecidos num encontro casual; um jantar entre as almofadas de uma sala de estar, para reproduzir o cotidiano de vossa casa; ou um último espaço, em reservadas mesas postas no alto de uma espécie de palco, para os mais exibidinhos ou que estejam em lua-de-mel, como é o caso em questão (vejam a foto).




Como se já não bastasse, de posse do menu, vocês descobrem também que a comida é absolutamente afrodisíaca (senão pela mistura de condimentos, pelas formas que as iguarias se apresentam nos pratos, sobre a mesa... de onde surgem símbolos fálicos entre um filé de salmão e uma torrada, por exemplo - tudo minuciosamente decorado no prato que lhe é servido com muita sensualidade). De mais a mais, tentem olhar profundamente nos olhos um do outro... não apenas para sentirem o clima todo do lugar e aguçar seus sentidos, mas mesmo para esquecer dos quadros que compõem as paredes (de uma breguice e pornografia incomparáveis - nada agradável, se é para não ter gostado de algo ali dentro). Os nomes dos pratos, além do visual, também é algo que chama a atenção: eu pedi um capelletti que, em outras circunstâncias não se faria presente em minha mesa, num restaurante, apenas pelo título da "coisa": su boca infantil inspira perversiones!!!!! E quem não comeria um capelletti com esse nome????
J. optou por algo mais tradicional para o momento nupcial: te entregas sumiso a mis intimas perversiones... muito embora (terá sido alguma ironia do destino???) seu pedido tenha vindo trocado por entre el deseo y la verguenza, que é nada mais que uma salada de flores (muito bem arquitetadas num prato que não pede apenas uma primeira garfada...)!
Enfim, enfim... deixo o resto da noite à vossa mercê, já que a arte de seduzir, tanto no amor como na comida, meus caros, "solo se trata de un juego". A todos, Xeque-mate!
Bon appétit!
K.

domingo, 4 de maio de 2008

“Mi Buenos Aires Querido”


Fomos muito felizes na escolha do destino para nossos dias de núpcias imediatas. Confesso que sempre achei que o Brasil não é um país de meias estações. Nossos principais destinos turísticos alcançam seu auge nas estações extremes, restando poucas opções interessantes para os equinócios anuais. Eu, particularmente, adoro o clima indeciso das estações intermediárias, das manhãs frias que se desenvolvem em dias ensolarados e relativamente quentes que precedem noites aconchegantemente frescas.

Se Carlos Gardel ainda estivesse vivo, estaria orgulhoso de sua cidade do coração. Em todos os sentidos. Pela arquitetura ímpar na América do Sul, pela receptividade de seu povo, pela excelente gastronomia, pela cultura emanada por cada cantinho da cidade, as livrarias que chegam a impressionar em número e qualidade, pelo tango, impregnado à vida portenha, que continua prestigiado pelos hermanos, e fascina os visitantes de todo o mundo.

Caminhar pelas suas calçadas é fascinante. A prosperidade econômica do início do século XX rendeu à cidade uma diversidade arquitetônica invejável. Praças madrilenhas, boulevares franceses, becos novaiorquinos, parques, tudo com um toque bem argentino, inconfundível. Muitas edificações em art nouveau revelam um intercâmbio cultural intenso entre argentinos e franceses no final do século XIX, e que influencia até hoje a arquitetura local.

O patrimônio artístico da cidade também impressiona. O acervo do Museo Nacional de Bellas Artes é bastante vasto, com importantes obras desde o período bizantino até o contemporâneo, com destaque para quadros impressionistas de primeira linha, com Manet, Degas, Renoir, Cézanne, e uma coletânea de esculturas de Rodin muito representativa (isso sem contar o original de “O Pensador” que está abandonado na praça do congresso).

No MALBA, Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, nós brasileiros nos sentimos em casa. Muitas obras de artistas tupiniquins, com destaque para o nosso expoente maior da pintura modernista, a inconfundível Tarsila do Amaral, com todos os seus principais quadros reunidos em uma única exposição (por tempo limitado). Pra deixar marejadas as pupilas mais sensíveis.

A gastronomia renderia um capítulo à parte. Como bons gourmets (e gourmants) que somos, não poderíamos deixar a boa mesa em segundo plano. Queríamos explorar o que a cidade oferece de melhor. Para isso, como sempre fazemos em nossas viagens, uma fonte de informação segura é fundamental para não cairmos nas armadilhas preparadas para turistas indefesos. À procura de um bom guia, me deparei com o nome Vidal Buzzi (muito respeitado pelos argentinos, diga-se de passagem), com seu guia de restaurantes de Buenos Aires, que, segundo a própria capa afirmava, pretende-se como o único que “premia e castiga”. Dentre os mais bem avaliados no quesito cozinha, nossos critérios de escolha estavam bem definidos: culinárias diretamente relacionadas à argentina (espanhola), e à portenha propriamente dita, em suas vertentes tradicional e contemporânea. Queríamos também conhecer os lugares mais procurados pelos argentinos, na atualidade – uma característica, aliás, típica de nossas visitas por aí afora, é tentar chegar o mais próximos possível do estilo de vida nativo. (As impressões de cada um dos restaurantes escolhidos serão registradas em posts dedicados neste blog.)


E, para que a experiência gastronômica seja completa, um bom vinho é indispensável. E foram tantos... já que, em se tratando deste casal, não poderia deixar de ser. Comentarei os exemplares degustados com mais detalhes, em momento oportuno. Mas o que me deixou muito feliz (e impressionado) foi atestar que os argentinos estão desenvolvendo uma identidade própria para seus já famosos Malbecs, e com inegável competência. Dentre os diversos rótulos desta casta que passou por nossas taças, fica nítido o perfil argentino desta uva, com um frutado copioso a frutas negras, notas de café, e um floral de violetas vivo, perfumado. Preparem-se para vinhos grandiosos, de grande qualidade e, principalmente com muita tipicidade.




Para finalizar, não poderia deixar de reconhecer a hospitalidade e a boa educação que nossos vizinhos demonstraram em todos os ricos momentos que compartilhamos. Aliás, descabimento seria pensar que um povo culto como o argentino (tem mais livrarias em Bs. As. que banquinhas de CD pirata no Brasil) iria agir de forma ríspida ou preconceituosa com seus irmãos brasileiros.

Para quem está pensando em visitar Buenos Aires, minha última e mais importante dica: prepare seus sentidos: Visão, olfato, paladar... Esteja pronto para exercitá-los em toda sua amplitude e intensidade. Em suas ruas, praças, parques, nas mesas dos restaurantes, nos aconchegantes cafés, feiras livres, antiquários, bares, pubs... Afinal, queremos que todos conheçam a Buenos Aires que nós tivemos “os prazeres” de desfrutar.

J.