domingo, 23 de março de 2008

O valor de um equívoco


Villa Francioni Rosé 2006, Serra Catarinense, Brasil: antes de mais nada, vale a pena abrir parênteses para comentarmos sobre a bela apresentação deste vinho. Uma linda garrafa transparente, de perfil retangular incomum, desnudando, sem pudores, sua belíssima coloração rosa salmão, com reflexos casca de cebola, remetendo aos seus semelhantes de maior fama, oriundos da ensolarada provance francesa. Elaborado a partir de uma verdadeira salada de castas tintas (cabernet sauvignon, pinot noir, malbec e merlot), no nariz, as similaridades aos seus pares de origem gaulesa se acentuam, tamanha a elegância dos aromas. Pétalas de rosas, morangos, goiaba vermelha, com uma mineralidade incomum aos demais exemplares tupiniquins. Os 13,4% de álcool passam desapercebidos diante de sua acidez correta, corpo leve, e fim de boca justo. Às favas: um rosé muito delicado e elegante, para um bate-papo daqueles intermináveis (no melhor sentido que esta expressão possa suportar), para contemplação, para bebermos sozinhos ou aos lumes de castiçais. Admito que criei um embate desnecessário, colocando toda essa elegância diante da truculência de uma Brandade de Bacalhau, daquelas que pesam ao garfo. Entre erros e acertos, fica o imenso prazer de contrapor sabores, fatores culturais, sugerir similaridades, afrontar os sentidos e retirar da conjunção dos elementos o seu ápice. Não é mágico o mundo das harmonizações?
J.

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