sábado, 22 de março de 2008

Está na mesa!


Como a intenção é levar um pouco da mesa aqui de casa até você, não seria justo começar este projeto sem citar as teorias... há um livro na nossa estante do qual me utilizo sempre que pretendo misturar palavras e comidas, brincando um pouco de sopa de letrinhas, na verdade! O livro tem um subtítulo muito mais gostoso que o próprio título: Está na mesa: receitas com pitadas literárias. Os autores (Rubem Alves e Christian Bauer) acertaram na mão, nem tanto pelas receitas (que também guardam seu charme, diga-se lá, com cara de casa da vó), mas pelas histórias e poemas selecionados que, como qualquer condimento, dão um toque requintadíssimo à leitura. Eu, particularmente, adoro o trecho inicial (ainda no prefácio - no livro, chamado de "aperitivo"), o qual transcrevo um fragmento aqui embaixo:

Os textos sagrados dizem que, quando Deus voltar à Terra do seu exílio, a sua presença será servida como um banquete: todos reunidos à volta de uma mesa, comendo, bebendo, conversando, rindo... Deus se dá como comida. Tal como aconteceu no filme A festa de Babette. Babette, a feiticeira, com a sua culinária, transformou uma aldeia de pessoas amargas em crianças. O comer é um ritual mágico. Comer é o impulso mais primitivo do corpo. O nenezinho tudo ignora: para ele, o mundo se reduz a um único objeto mágico, o seio da sua mãe. Nasce daí a primeira filosofia, resumo de todas as outras: o mundo é para ser comido.

Sendo assim, bon appétit!
K.

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