domingo, 23 de março de 2008

"A casa era uma casa brasileira, sim"



Apropriando-me da escrita de quem entende, limito-me a concordar neste dia que no solo deste país, "tudo o que se planta, dá". A máxima de Caminha me serve hoje como argumento a essa-não-sei-que-tanta paixão nordestina pelas batatas. Já o título, surrupiado da música do (não menos nordestino apaixonado) Geraldo Azevedo, lembra-me do respeito às raízes ancestrais que me habitam: a primeira, pelo azeite e a segunda, ora vos digo, pelo bacalhau... sendo assim, nada como uma Páscoa com gostinho de "pois, pois"! E quem é corajoso o suficiente pra dizer que estes lusitanos não sabem o que é uma boa combinação? A mim, coube-me apenas a organização da mesa e o elogio a tudo o mais... porque a deliciosa Brandade de bacalhau e a frigideirada de legumes (um tanto pixaim), ficam aos bravos do chef J. que, em tempo, está cada dia mais dedicado à arte do bem-servir!
K.

P.S.: aqui, a letra da música Casa brasileira, que citei (lindinha, lindinha):

A casa era uma casa brasileira, sim
Mangueiras no quintal e rosas no jardim
A sala com o Cristo e a cristaleira
E sobre a geladeira da cozinha um pingüim

A casa era uma casa brasileira, sim
Um pouco portuguesa, um pouco pixaim
Toalhas lá da Ilha da Madeira
E atrás da porta arruda e uma figa de marfim

A casa era assim ou quase
A casa já não está mais lá
Está dentro de mim
Cantar me lembra o cheiro de jardim

A coisa é a coisa brasileira, sim
O jeito, a maneira, a identidade enfim
E a televisão, essa lareira
Queimando o dia inteiro a raiz que existe em mim

A casa era assim
Um pouco portuguesa e pixaim...

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